Saúde: O seu filho distrai-se facilmente? Saiba como estimular a concentração em cada idade


A concentração é fundamental para a aprendizagem, mas não se desenvolve de um dia para o outro. Conheça estratégias simples para ajudar as crianças a melhorar a atenção, respeitando o seu ritmo de desenvolvimento.

“Está sempre distraído”, “não consegue estar quieto” ou “tenho de repetir tudo várias vezes”. Estas são preocupações frequentes entre pais e professores. Mas será que uma criança distraída tem, necessariamente, dificuldades de atenção?

A capacidade de concentração desenvolve-se progressivamente ao longo da infância e da adolescência, acompanhando o desenvolvimento cerebral, emocional e das funções executivas, responsáveis por competências como o autocontrolo, o planeamento e a gestão das distrações.

Mais do que exigir concentração, o importante é criar condições para que esta se desenvolva. E as estratégias devem ser ajustadas à idade e às necessidades de cada criança.

Dos 2 aos 3 anos: a atenção começa na brincadeira

Nesta fase, é natural que a criança mude frequentemente de atividade. A aprendizagem acontece sobretudo através da exploração, do brincar e da interação com os adultos.

Como ajudar?

– Propor jogos de encaixe, construções e identificação de cores.

– Ler histórias curtas e explorar as imagens em conjunto.

– Evitar estímulos simultâneos, como a televisão ligada durante as brincadeiras.

O mais importante é despertar a curiosidade, sem exigir períodos de atenção incompatíveis com a idade.

Dos 4 aos 6 anos: aprender a esperar e a controlar os impulsos

Nesta etapa, a criança começa a desenvolver maior capacidade para seguir instruções, esperar pela sua vez e manter-se envolvida numa atividade.

Como ajudar?

– Incentivar puzzles, jogos de memória e atividades de associação.

– Brincar ao “Rei manda” ou às “Estátuas”, estimulando a atenção e o autocontrolo.

– Dar instruções simples e dividir as tarefas em pequenas etapas.

Alternar atividades estruturadas com momentos de movimento também favorece a autorregulação.

Dos 7 aos 10 anos: aprender a organizar a atenção

Com as exigências escolares, torna-se cada vez mais importante conseguir selecionar informação, organizar tarefas e lidar com distrações.

Como ajudar?

– Estabelecer rotinas de estudo num ambiente tranquilo.

– Dividir os trabalhos em objetivos pequenos e concretos.

– Fazer pausas regulares, ajustadas às necessidades da criança.

– Incentivar a autonomia na organização das tarefas escolares.

Nesta idade, aprender a estudar é tão importante como aprender os conteúdos.

A partir dos 11 anos: desenvolver autonomia e autorregulação

Na pré-adolescência e adolescência, o cérebro continua a desenvolver competências relacionadas com o planeamento, a tomada de decisões e o controlo dos impulsos.

Como ajudar?

– Ensinar a estabelecer prioridades e objetivos realistas.

– Incentivar períodos de estudo sem notificações do telemóvel.

– Promover estratégias de estudo ativo, como explicar a matéria por palavras próprias.

– Envolver os jovens na construção das suas rotinas.

O objetivo é desenvolver responsabilidade e autonomia, sem confundir acompanhamento com controlo excessivo.

E quando a distração é um sinal de alerta?

Nem todas as dificuldades de concentração significam a existência de uma perturbação.

O cansaço, a ansiedade, a falta de sono, o stress e as dificuldades de aprendizagem também podem comprometer a atenção.

Quando a distração é persistente, desadequada à idade e interfere significativamente com o desempenho escolar, as relações ou as atividades quotidianas, poderá ser importante procurar uma avaliação psicológica.

Uma criança que se distrai nem sempre precisa de se esforçar mais. Por vezes, precisa de descansar, de apoio emocional ou de estratégias diferentes para aprender.

A concentração não se desenvolve através da pressão ou da crítica, mas com oportunidades de aprendizagem adequadas, rotinas equilibradas e um ambiente emocionalmente seguro.

.

Dra. Isa Silvestre

Psicóloga Clínica

Autora

CEO, Fundadora e Diretora Clínica da Clínica de Psicologia Isa Silvestre

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Não perca