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Os Portugueses de Clermont-Ferrand lamentam a morte de Valéry Giscard d’Estaing, que foi Presidente da República entre 1974 e 1981, mas também Presidente da Região entre 1986 e 2004.

O empresário Isidoro Fartaria, igualmente Cônsul Honorário de Portugal, era “próximo” do antigo Presidente, que lhe entregou aliás a Ordem Nacional do Mérito e mais tarde a Légion d’Honneur. “Em 40 anos de vida pública, encontrei todos os Presidentes da República francesa desde Giscard d’Estaing e devo confessar que foi ele quem mais me impressionou pela sua inteligência e pela velocidade com a qual tratava os dossiers. Ele percebia as coisas com grande rapidez. Nós começávamos uma frase e ele atalhava logo e acabava” diz Isidoro Fartaria ao LusoJornal.

“A senhora Anne-Aymone Gisgard d’Estaing, mulher do Presidente, tinha um grande apreço pelos Portugueses. No dia em que o marido me entregou a Ordem nacional do mérito, ela falou longamente com a minha mãe, falaram de Portugal, da educação dos filhos, da emigração portuguesa e até de Fátima. Ela dizia que a filha se chamava Jacinte, como uma das pastorinhas de Fátima”, conta Isidoro Fartaria com emoção.

O empresário, que foi Presidente da Câmara de comércio e indústria de Clermont/Issoire, trabalhou de perto com Giscard d’Estaing quando era Presidente da Região. “Nós demos um grande apoio quando ele criou o bebé dele, Vulcania. Aliás inicialmente era um projeto nosso que ele retomou, na antiga base militar. Só ele podia realizar este projeto ao qual chamavam Giscaroscope” conta Isidoro Fartaria ao LusoJornal. “Ele tinha os Verdes e toda a Oposição contra ele, só ele podia levar a termo um projeto como este. E depois ri-me quando vi todos aqueles que se opuseram ao projeto, terem assumido a sua presidência”.

 

Um homem eficaz

Isidoro Fartaria considera que Giscard d’Estaing era de uma “eficacidade extrema”. Lembra a altura em que se previa encerrar as linhas aéreas entre Paris e Clermont-Ferrand. “Ele estava à minha frente, no aeroporto, pegou no telefone e ligou diretamente ao Presidente da Air France para lhe dizer que não deviam encerrar estas rotas. E do outro lado, o Presidente da Air France, Jean-Cyril Spinetta, respondeu, ‘sim, senhor Presidente’ e o assunto foi resolvido. Foi uma cena extraordinária”.

Em declarações ao LusoJornal, Isidoro Fartaria lembra-se de uma reunião “em pequeno comité” durante a campanha eleitoral para as eleições Regionais de abril de 2004. “Ele era Presidente do Conselho Regional há 18 anos, mas eu disse-lhe que ele estava demasiado seguro de si, e que devia fazer mais campanha eleitoral se queria ser reeleito, as pessoas viam-no pouco”. Isidoro Fartaria disse ao Presidente: “lembre-se do que lhe aconteceu na eleição presidencial de 1981”, referindo-se à eleição Presidencial em que Giscard d’Estaing perdeu para François Mittérand. “E ele respondeu-me: ‘lembro-me sobretudo do que não me devia ter acontecido’”. Mas acabou por perder esta eleição Regional.

Foi Giscard d’Estaing quem aconselhou Isidoro Fartaria a abrir o Hotel Flore, em Royat, o único hotel de cinco estrelas em toda a região Auvergne.

 

João Veloso lembra um “grande homem”

João Veloso mora em Chamalières, a cidade onde o antigo Presidente da República francesa, Valéry Giscard d’Estaing foi Maire durante muitos anos. “Era uma grande pessoa, não há nada a apontar” disse ao LusoJornal.

João Veloso é Presidente da associação Os Camponeses Minhotos e teve vários cafés e bares na cidade de Clermont-Ferrand, mas hoje está reformado. “Conheço sobretudo o filho, Louis Giscard d’Estaing, que participa em muitos eventos da associação e é um grande amigo dos Portugueses. Adoro aquele homem”. Aliás Louis Giscard d’Estaing é o atual Maire de Chamalières desde 2005, “e vai ser difícil tirá-lo de lá, porque ele está a fazer um bom trabalho e tem um bom contacto com a população”.

Neste momento o dirigente associativo pensa na dor do filho do antigo Presidente, que agora faleceu, “até porque ele também perdeu a mulher com um cancro”.

Para João Veloso, Giscard d’Estaing “fez muito pela região. A ele se devem muitos investimentos, nomeadamente Vulcania” e acrescenta que “os Portugueses não têm razão de queixa. Têm até uma boa imagem dele. Desde jovem, quando vim para aqui, nunca ouvi falar mal dele, nunca nos fez mal”.

 

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