Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.

Joana Vasconcelos inaugurou “Simone” no Le Bon Marché em Paris

LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga LusoJornal / António Borga

A artista portuguesa Joana Vasconcelos instalou uma obra de arte na escadaria dos históricos armazéns Le Bon Marché, em Paris. A exposição foi aberta ao público na semana passada, dia 17 de janeiro e fica patente durante um mês, até 17 de fevereiro.

Joana Vasconcelos é a quarta artista a expor no Bon Marché, depois daquela instituição ter apresentado obras de Ai Weiwei (2015), Chiharu Shiota (2016) e Leandro Erlich (2018). Joana Vasconcelos foi escolhida por “ser das raras artistas femininas com uma presença de estrela internacional da arte contemporânea […], revelando um gosto pela tradição e pela provocação”.

A exposição do trabalho de Joana Vasconcelos tem o nome de “Branco Luz”. Trata-se uma peça de grandes dimensões chamada “Simone”, em aço e ferro, com mais de 30 metros de comprimento, 12 metros de largura e dez metros de altura. A instalação simboliza uma Valquíria, tema que apareceu pela primeira vez no trabalho da artista em 2004. “As minhas valquírias são criaturas poderosas e cuidadoras, muito mais sensuais do que as deusas de Wagner! A valquíria que imaginei para o Bon Marché passa docemente entre as escadas, plana como um balão de ar quente e enquadra-se harmoniosamente no espaço. Quis fazer uma homenagem a todas as clientes desta loja, todas mulheres fortes e generosas à sua maneira”, afirmou a artista.

“O ‘Mês do Branco’ foi imaginado em janeiro de 1873 por Aristides Boucicaut e pela sua esposa, fundadores do Bon Marché” explicou no dia da inauguração o atual Presidente do grupo Bon Marché, Patrice Wagner, salientando que se trata de uma loja fundada em 1838 e que o edifício atual foi construído em 1869.

Atualmente o Bon Marché integra o grupo LVMH de Bernard Arnault. “Nós não queremos ter uma relação comercial com os artistas, a quem pagamos e eles apresentam as obras. Queremos ter um diálogo, as nossas equipas foram visitar o atelier da artista em Portugal, estabelecemos contactos, e é assim que queremos trabalhar, numa relação de parceria” disse Patrice Wagner.

No dia da inauguração, a artista participou num encontro com outros artistas portugueses, como por exemplo o fadista Paulo Bragança, o estilista Miguel Flor, Diretor artístico do magazine Principal, e o realizador Christophe Fonseca, com moderação de João Pinharanda, Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris.

João Pinharanda, que também é o Diretor do Instituto Camões em Paris, destacou a “heterogeneidade” da cultura portuguesa e lançou assim uma conversa “descosida” com os participantes deste encontro que teve lugar na livraria do Bon Marché, no terceiro andar.

Miguel Flor diz que andou na escola com Joana Vasconcelos, “mas ela não se lembra dessa altura” disse a sorrir. Encontraram-se mais tarde na vida artística de Lisboa. Paulo Bragança diz-se grande admirador do trabalho de Joana Vasconcelos, tal como Christophe Fonseca, que só a conheceu pessoalmente no dia anterior.

“Quem mora aqui sente uma grande atração pela cultura dos nossos antepassados e a obra ‘Coração de Viana’ tocou-me particularmente no coração” disse Christophe Fonseca. “Nós, os lusodescendentes, temos uma fascinação pelas raízes dos nossos pais, pelas tradições, e até sentíamos que os jovens portugueses não ligavam nada a isso. Graças ao trabalho de Joana Vasconcelos e de outros artistas que aliam o tradicional ao contemporâneo, nós encontramos o nosso equilíbrio”.

Mas Joana Vasconcelos sublinhou que não transforma o tradicional. “Eu não faço objetos tradicionais, utilizo como eles existem, mas dou-lhes outra utilização”.

João Pinharanda explicou que Joana Vasconcelos gere uma empresa com cerca de 60 colaboradores, desde arquitetos a costureiras e bordadeiras, passando por muitos outros especialistas, cada um em sua área. “Isto faz-me pensar numa produção industrial, porque é praticamente feito em cadeia, em que cada um tem a sua função” disse o Adido Cultural. “Mas não é nada industrial, pelo contrário, é bem artesanal” contesta a artista que confessou, por exemplo, que o estilista Karl Lagerfeld, “veio ver o meu trabalho, apresentei-lhe algumas pessoas e ele faz trabalhar muita gente com quem eu também trabalho e serviu-se disso para as suas coleções”.

João Pinharanda destacou ainda a influência do Barroco português na obra de Joana Vasconcelos. “O Barroco está muito presente na cultura portuguesa, através dos azulejos, dos altares das igrejas, na poesia,…” ilustrou.

“O meu segundo álbum era Barroco” acrescentou também Paulo Bragança.

Mas a conversa esteve também na utilização da cor no trabalho de Joana Vasconcelos. “Quando eu andava a estudar, toda a gente utilizava o branco e preto e eu utilizava muito a cor”. Explicou também que “eu nasci em 71, por isso faço parte da primeira geração que foi educada em democracia. Talvez daí me venha a cor. Aqui pediram-me para fazer uma obra em branco. Em Portugal utilizamos muito pouco o branco porque a luz portuguesa é particular, é muito intensa, aliás as cores em Portugal são também especiais porque a luz é muito clara” diz a artista.

Depois da conversa com Joana Vasconcelos houve um concerto de Paulo Bragança e no dia 28 de janeiro está prevista uma noite especial, depois do fecho do centro comercial, onde a própria Joana Vasconcelos acompanha os visitantes num percurso de descoberta, teatralizado e exclusivo. A partir das 20h00.

Outras visitas comentadas estão previstas nos dias 26 de janeiro, 2, 10 e 17 de fevereiro, às 12h00 e às 15h15, com duração de 45 minutos. E para as crianças, dos 6 aos 10 anos, estão programadas visitas nos dias 26 de janeiro, 2 e 10 de fevereiro, às 11h15, às 14h30 e às 16h30, no limite de 8 crianças por visita, durante uma hora e meia, porque as visitas são seguidas de um atelier artístico.

Gostou deste artigo? Vote, participe!
Votação do Leitor 11 Votos
4.2
X