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Em três meses foi criado em Portugal o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), que acabou por parar o país com três dias de greve, porque as estações de serviço ficaram a seco.

O obreiro desta ação – e criador do Sindicato – foi o advogado Pedro Pardal Henriques. Um advogado que também é Vice-Presidente do Sindicato dos motoristas – sem alegadamente nunca ter sido motorista – e que, segundo a empresa, anda de Maserati.

Na semana passada, a imprensa portuguesa veio a público dar a conhecer o homem que fez parar o país. Pedro Pardal Henriques foi nomeado “Português de Valor” pelos nossos colegas da Lusopress, há poucos meses, em 2018, e foi identificado como Administrador da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP).

Na verdade, Pedro Pardal Henriques não foi Administrador da CCIFP, mas membro da Direção da Delegação PACA da Câmara de comércio. “Ele chegou de Portugal, onde sempre viveu e trabalhou, nunca morou cá, pela rede da Delegação PACA da Câmara de comércio. Pagou a primeira cota em 2016, foi o ano em que se estruturou a delegação. Foi a única cota que ele pagou, nunca mais pagou nenhuma cota e por isso não é membro da Câmara desde essa data. Mas ficou a frequentar os membros desta estrutura. Fez amizades e fez clientes, não só aqui, mas também em Paris” disse ao LusoJornal o advogado Jorge Mendes Constante, Presidente da Delegação PACA da CCIFP.

Em 2016, Pedro Pardal Henriques ainda não era advogado, mas em França, ninguém sabia. “Ficámos agora a saber que só é advogado desde 2017” diz Jorge Mendes Constante.

Mas o maior problema é que surgiram agora queixas contra Pedro Pardal Henriques. A imprensa portuguesa diz que tem, pelo menos, um processo por burla em Portugal, levantado por um cliente francês. “Ele começou a vender as suas prestações de serviços a membros e a não membros desta Delegação, junto de pessoas que necessitavam de uma ação jurídica em Portugal” diz Jorge Mendes Constante que também é advogado em Marseille. “Em 2017 e 2018 ninguém me veio dizer que houve problemas. Só agora fiquei a saber pela imprensa” conta o Presidente da Delegação da CCIFP no sul da França. Um cliente teria transferido 85.000 euros para que o advogado comprasse um terreno, outro cliente pagou serviços que nunca foram executados. “Para nós é uma situação grave. É um perigo. Nós temos de ter cautela. Pôr gente em contacto para fazer negócio é a nossa vocação. Mas temos de ter uma total confiança neste relacionamento. Ora, neste caso há uma dúvida”.

Jorge Mendes Constante diz que a Delegação da Câmara de comércio está “em estado de choque”. “Reunimos logo, falamos muito entre nós. A Delegação também é vítima. É a primeira vez que isto acontece e nem acredito no que leio”.

O LusoJornal sabe que Pedro Pardal Henriques trabalha para vários empresários portugueses de França, não apenas no sul da França, mas também na região parisiense e noutras regiões francesas. O advogado é do Porto, mas vive agora em Lisboa, e tem escritórios em Faro e no Funchal.

Os órgãos de comunicação social portugueses tentaram falar com Pedro Pardal Henriques sobre estas queixas, mas até agora sem sucesso. Sabem apenas que afinal o Maserati era alugado a um empresário que também trabalha entre o Porto e o sul da França, mas que o advogado não tem pago, há vários meses, os 2.500 euros de aluguer mensal.

 

 

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