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José Luís Carneiro esteve no Comício do PS numa sala de espetáculos em Paris

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Política

 

 

O Partido Socialista organizou este sábado à noite, em Paris, um comício no quadro da campanha eleitoral para a repetição das eleições Legislativas no círculo eleitoral da Europa. Para apoiar os dois candidatos socialistas, Paulo Pisco e Nathalie de Oliveira, estava José Luís Carneiro, Secretário Geral Adjunto do PS, Deputado eleito por Braga e antigo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Na sua intervenção, Paulo Pisco qualificou o pedido de anulação dos votos dos emigrantes como “uma das coisas mais mesquinhas” que um líder político podia fazer, referindo-se a Rui Rio. “Este episódio que se passou, com a anulação dos votos no círculo eleitoral da Europa, é a primeira vez que acontece na história da nossa democracia e acontece por razões que do ponto de vista político são as mais mesquinhas que um líder político alguma vez poderia ter num contexto político”, falando do Presidente do PSD.

O evento, que teve lugar numa sala de espetáculos na capital francesa, começou com uma intervenção musical do artista lusófono Jorge Humberto, seguindo-se um poema, intitulado “Caim” de solidariedade para com o povo ucrâniano, declamado pela médica neurologista do Hôpital de la Salpétrière, Katia Andrade.

António Oliveira, o Secretário Coordenador da Secção do PS português em Paris foi o primeiro a intervir. Elogiou o facto do PS ter conseguido alterar o recenseamento dos Portugueses residentes no estrangeiro, tornando-o automático, constatou que se passou de cerca de 40.000 votantes para mais de 250.000, mas afirmou também que a Lei eleitoral “tem de ser alterada”. Pediu que se mantenha o voto presencial, o voto por correspondência, mas também o voto eletrónico, uniformizando as metodologias de voto em todas as eleições. “Temos de ter mais representatividade na Assembleia da República. Temos de pedir um aumento de Deputados. Quatro Deputados não é suficiente para nos representar. Esta já é uma velha reivindicação da Secção do Partido Socialista de Paris” disse no seu discurso e foi aplaudido.

Num evento orquestrado por Bruno António, foram projetados vídeos de apoio à lista de candidatos socialistas, do realizador Christophe Fonseca, do encenador, Diretor do Théâtre de la Ville e Presidente da Temporada França-Portugal 2022 Emmanuel Demarcy Mota, assim como do Maire de Pontault-Combault, Gilles Bord.

Nathalie de Oliveira começou por agradecer a confiança do Partido, lembrou a história do pai, que saiu há 53 anos de Portugal e que partilha a vida entre os dois países, diz que é uma “filha do salto”, e confessou-se “sortuda” por ser ao mesmo tempo francesa e portuguesa e por ter banhado nas duas culturas.

“Peço muito humildemente a vossa confiança para elegermos dois Deputados. Dois Deputados socialistas não são demais para defender as Comunidades portuguesas na Europa”, pediu a número “dois” da lista do PS.

Paulo Pisco começou por evocar a situação da Ucrânia, chamou “autocrata” e “ditador” a Vladimir Putin. “Um louco” como já lhe tinha chamado anteriormente António Oliveira. “A democracia é sempre o melhor antídoto para as guerras” lembrou Paulo Pisco.

Depois, o cabeça de lista socialista teceu uma demorada e detalhada explicação de como decorreu a contagem dos votos dos emigrantes, porque “a verdade tem de ser desvendada”.

“Os Portugueses na Europa não mereciam isto que lhes fizeram” disse Paulo Pisco. “Nós, no PS, não temos nenhuma responsabilidade nesta situação”. Atacou depois Rui Rio, o Presidente do PSD, acusando-o de “manipular a verdade” e de “tomar as pessoas por parvas”. “Tenha decoro, não diga falsidades. Os Portugueses no estrangeiro não merecem”. Rui Rio esteve no fim de semana passado em Paris e tinha responsabilizado o PS pela anulação dos votos.

Depois, Paulo Pisco apelou “ao sentido patriótico e de cidadania” dos presentes, pedindo-lhes que voltem a votar.

Apresentando José Luís Carneiro, disse que nutria “grande admiração” pelo que fez enquanto Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas “e continua a fazer, defendendo sempre as Comunidades onde quer que esteja”.

José Luís Carveiro deixou boa impressão em França e por isso foi bastante aplaudido. Aliás, no início da sua intervenção, deixou uma mensagem de parabéns ao empresário Diamantino Marto, que foi recentemente condecorado pelo Presidente da República com a comenda da Ordem de Mérito, e que estava na sala.

Na sua intervenção, evocou “a visão da sociedade que nos une à França: a igualdade, a liberdade e a fraternidade”, deixou uma palavra de solidariedade para com o povo ucraniano, lembrou os dois anos de sacrifício por causa da Covid-19 e elogiou a União Europeia “que nos soube proteger”. Referiu-se à crise de 2008-2015 “que penalizou os povos” e “desta vez a União Europeia foi mais solidária, protegeu os trabalhadores, as famílias… e António Costa esteve no núcleo de países que fizeram com que a União Europeia fosse mais protetora”. Acrescentou ainda que entre 2008-2015 em Portugal se apelou os jovens a emigrar, “mas nós defendemos sempre outra visa”.

“Há um partido que tem especiais responsabilidades na anulação dos votos de 157 mil Portugueses. O partido que tem especial responsabilidade foi o partido que pediu para que esses votos fossem anulados”, defendeu José Luís Carneiro respondendo aos jornalistas, mas preferiu falar das prioridades do PS para a Comunidade portuguesa em França: aumentar a rede de ensino de português e melhorar o atendimento consular são dois dos principais pontos, mas também a alteração da lei eleitoral, que deve ser retomada assim que a nova Assembleia da República tome posse. “Todos os Partidos se pronunciaram no sentido que estavam abertos para encetar um diálogo tendo em vista elaborar uma revisão da lei eleitoral. Como se sabe, a lei eleitoral tem exigências distintas, consoante a natureza das matérias que se queiram rever. Para algumas é necessária uma maioria absoluta, para outras uma maioria de dois terços”, indicou José Luís Carneiro, reforçando a “disponibilidade total” do PS para avançar com esta revisão.

José Luís Carneiro disse ainda que o modelo de apoio às associações tem de ser revisto e citou a França como o país que tem a rede associativa mais importante, destacando o trabalho da Misericórdia de Paris que diz ter acompanhado no terreno.

 

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