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A atleta portuguesa Bárbara Timo estreou-se na categoria de menos de 63 kg com a medalha de ouro no Grand Slam de Paris, o mais prestigioso torneio do circuito mundial.

A judoca, que passou de -70 kg para -63 kg, bateu na final a britânica Lucy Renshall, naquela que foi a 15ª Medalha de Portugal no historial da competição da capital francesa.

Telma Monteiro, em 2012 e 2015, e Pedro Soares em 1998 também tinham vencido a prova parisiense.

Foi a segunda Medalha conquistada por Bárbara Timo em Paris, visto que a judoca portuguesa com origens brasileiras também tinha conquistado a Medalha de Bronze em 2019.

Em entrevista ao LusoJornal, Bárbara Timo mostrou-se feliz pelo triunfo parisiense, ela que também fez um balanço do seu ano desportivo.

 

Qual foi a sensação de vencer este torneio?

Ainda não consegui perceber o que aconteceu. Ainda não caiu a ficha como se costuma dizer. Eu curti muito o momento e nem fui para a competição para buscar o ouro. Fui para a competição para aproveitar, para poder ter esta experiência nesta primeira prova internacional [ndr: em -63kg]. Queria saber como eu seria. Eu lembro-me da sensação antes da final, era muito de aproveitar o momento e de estar feliz. Dentro do tapete, eu estava muito calma e isso ajudou bastante. Não tinha tanto nervosismo. Agora olhando para a Medalha, vejo uma sensação de realização, o quanto eu sou capaz de superar desafios, de conquistar as coisas, sobretudo quando se tem uma equipa boa por trás.

 

O que foi mais difícil em Paris? Estar numa nova categoria? Ter pela frente atletas diferentes?

Nenhum dos dois eu encarei como uma dificuldade, mas sim como desafios. A partir do momento em que escolhi descer (ndr: de categoria), eu sabia que teria novos desafios pela frente. Um seria a dieta e o controlo do peso. E o outro seriam novas adversárias. Mas estou a ver isso de uma forma positiva. Estou muito motivada. A perda de peso foi tranquila, fiz tudo muito certo. Correu tudo bem. Quanto às adversárias, eu estudei um pouco antes, mas realmente confesso que não conhecia todas, mas isso também fez com que eu me concentrasse mais em mim, com a minha tática. Eu tinha de fazer o que eu sei, o meu judo. Foi bom pensar mais no que fazer, e não no que defender.

 

Com um triunfo neste torneio, presumo que já é uma aposta ganha ter descido para os -63 kg?

Na verdade, não foi uma aposta. Para mim foi para me manter viva dentro do judo. Eu preciso de grandes desafios para me manter motivada. Eu sou responsável, sou profissional, vou aos treinos todos os dias, isso não é um problema. Mas acho que para conquistar grandes feitos, para conquistar grandes medalhas, o atleta precisa daquela motivação maior. Daquele sangue quente como se diz. Descer de categoria foi mais para esse desafio. Eu esperava que fosse bom, mas fiquei surpreendida por ter sido tão bom. Eu vou manter e vamos ver os próximos torneios.

 

Se fizermos um balanço deste ano, qual seria?

O balanço seria uma grande balança com altos e baixos. Foi um ano muito complicado, aliás 2020 já foi um ano muito difícil. Eu esperava que 2021 poderia ter sido um ano mais fácil, mas o ano começou com muita dificuldade. Desde janeiro eu já tinha lesões. Em fevereiro eu fiz uma cirurgia no cotovelo, isto quatro meses antes dos Jogos Olímpicos, então não me sentia segura mentalmente. Estive fora de grandes Campeonatos. Isso foi a parte baixa. Mas eu sempre consegui superar. Sete semanas após a cirurgia do cotovelo, eu fui Bronze no Europeu de Lisboa. Depois o Mundial não correu bem. Os Jogos Olímpicos foram o ponto alto da emoção da minha carreira. Pós-Jogos, eu parei um pouco, tentei afastar-me para ver com outra perspetiva, o que é que eu queria, o que eu quero na minha vida, se eu queria o judo. E então comecei a dar-me conselhos: se eu quero o judo, tenho de fazer prevalecer porque eu treino para tentar ser a melhor, então vamos fazer de um jeito diferente e vamos buscar novos desafios, e ver o que acontece. Então estou preparada para novos desafios, estou muito animada para isso. Sei que não vai ser fácil. A medalha já passou, agora já é outro dia. Vou continuar o trabalho. Sei que agora também vai ser mais difícil porque já não sou surpresa na categoria, mas acho que isso faz parte. Estou pronta para isso. Quero só ter uma equipa que me apoie, que acredite em mim e vamos conseguir. Acho que é isso. Mas se falar ainda de balanço, eu diria que agora, em outubro, quase final de ano, com tantos altos e baixos que eu tive, talvez mais baixos do que altos, eu posso dizer que quase sempre tem um arco-íris depois da tempestade. Faz parte passar por momentos difíceis, faz parte ter momentos duvidosos, mas é importante acreditar e buscar o arco-íris porque ele vai aparecer. De alguma forma vai aparecer o tesouro e o arco-íris depois da tempestade. Esta medalha é o que significa para mim.

 

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