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Leandra Freitas abandonou a carreira de desportista para se dedicar às tarefas no seio da Federação Internacional de Judo.

Antiga internacional portuguesa, foi várias vezes Campeã de Portugal em menos de 48 kg e menos de 52 kg. A Portuguesa de 31 anos, que estava radicada em França e que representava o Sainte Geneviève Sports Judo, decidiu pôr fim à sua carreira, por não entrar nos principais compromissos da Seleção.

Foi então que apareceu a oportunidade de integrar a Federação Internacional de Judo para participar em vários projetos como estar presente nas provas do circuito mundial, ou ainda levar a cabo o projeto ‘Judo para Crianças’.

O LusoJornal falou com a antiga atleta que teve de se mudar para Budapeste, onde está a sede da FIJ.

 

O que faz agora a Leandra?

Eu estou a trabalhar na equipa do Protocolo na IJF World Tour e também estou no escritório oficial da FIJ em Budapeste. Faço parte da equipa do projeto ‘Judo para Crianças’, sou membro da Comissão e estamos a desenvolver vários projetos. Ou seja estou a trabalhar nas provas da IJF, tudo o que é Grand Slam, Grand Prix, Campeonato do Mundo e Masters, enquanto no projeto ‘Judo para Crianças’ estamos a fazer vários seminários em vários países para desenvolver o judo, ajudando professores e escolas, bem como as Federações para desenvolver o judo para crianças.

 

Continua a percorrer o mundo…

A vida não mudou muito porque quando era atleta já viajava muito, mas agora estou do outro lado da cena, então acaba por ser prestigiante e estou muito feliz. Esta transição foi boa para mim porque não saí do universo do judo. Estou muito satisfeita.

 

Como surgiu essa oportunidade?

Em julho do ano passado, em 2018, decidi encerrar a minha carreira. Em França já estava a trabalhar há cinco anos, desenvolvendo alguns projetos, a dar aulas e depois surgiu esta oportunidade. Tive uma entrevista e fui aceite. Estou muito feliz e este trabalho é muito gratificante. Os projetos que estamos a desenvolver são espetaculares, são interessantes, e nem tenho tempo de pensar em mais nada. Mas admito que, quando estou presente nas provas, olho para o tapete e sinto saudades de competir nas provas. Mas a vida é assim. O último ano no ativo, em 2018, não foi fácil e tive de tomar a decisão de encerrar a carreira. Acho que foi o bom momento.

 

Que balanço podemos fazer da sua carreira?

Eu só tenho uma mágoa, é de não ter participado nos Jogos Olímpicos. Sei o que é não ter sido atleta olímpica, isso nunca vou esquecer. É a única mágoa que tenho, o resto fez parte do meu percurso. As coisas boas foram boas, as coisas más foram más. Houve erros, mas também aprendi e evolui. Acho que isto tudo guiou-me para chegar onde estou agora e fez parte da lição da minha vida, e vai continuar a ser assim. Tenho muito orgulho no percurso que eu fiz. Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram ao longo da minha carreira, em especial ao Celso Martins porque foi muito importante na minha carreira e na pós-carreira. Só tenho orgulho de mim, da minha família e de todos aqueles que me acompanharam. E apesar de não ter sido atleta olímpica, acho que trouxe algumas felicidades a Portugal.

 

Agora está radicada em Budapeste, uma cidade fria…

Não sinto muita diferença com Paris (risos). Há sete anos que estava na capital francesa e acho que não há assim tanta diferença (risos). Budapeste é espetacular, estou a aprender uma nova língua, já vou em cinco. Estou a gostar muito e espero que continue assim.

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