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João Rodrigues, o candidato cabeça de lista do PURP pelo círculo eleitoral da Europa, veio em campanha eleitoral a Paris. Trabalha nos Comboios de Portugal e ainda está no ativo, embora milite ativamente no PURP, o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas.

Numa entrevista ao LusoJornal fala de participação cívica, da rede consular e do ensino da língua portuguesa no estrangeiro. Mas garante que a sua total preocupação vai para a descredibilidade dos políticos.

LusoJornal / Mário Cantarinha

Como aderiu ao PURP?

Alguém do PURP me chamou para a política e eu concordei com as ideias do partido. O partido não é de esquerda, nem de direita, nem do centro, é um partido de causas, tem gente de vários quadrantes, lutamos por uma maior justiça social, somos contra a corrupção, que é um assunto complicado em Portugal, e queremos transparência na política.

 

E não encontrava em mais nenhum outro Partido, resposta a estas suas causas?

Não. Os grandes partidos estão instalados, fazem leis só para eles no Parlamento, quem tem assento parlamentar tem tudo, tem a comunicação social em cima, passa na televisão, os outros partidos quase que não existem. A corrida às eleições é uma luta desigual e contra a Constituição. Todos os partidos deviam ter condições idênticas para concorrer, o que não acontece, infelizmente.

 

Já aderiu há muito tempo ao PURP?

Há dois anos. Concorri às eleições autárquicas pela Junta de Freguesia do Lumiar. Sem conhecer ninguém, sem meios nenhuns, ainda fiquei em penúltimo lugar.

 

Esta é a primeira vez que é candidato a uma eleição legislativa. Mas porquê este círculo eleitoral?

Tenho família emigrada, viajo muito na Europa, e acharam que eu seria um bom candidato. Aceitei com agrado. Sei que os Emigrantes têm muitos problemas. Não só aqui, mas em Portugal também, as pessoas dizem mal dos políticos, dizem que só querem tachos, estão revoltados contra os políticos. Mas têm de se lembrar que há políticos bons. Podemos ser poucos, mas eu acho que ainda somos alguns. Eu não preciso da política para nada, tenho o meu emprego, aliás esta campanha é feita com os meus meios, com o meu dinheiro, e com o dinheiro dos meus companheiros de partido, não temos subsídio estatal, não atingimos o número de votos suficiente para termos esse subsídio. Por exemplo, todos os meses é uma aflição para pagar a renda da sede, são trezentos e tal euros e temos de nos cotizar para pagar a renda.

LusoJornal / Mário Cantarinha

Quais os assuntos relacionados com as Comunidades o preocupam mais e que trouxe para esta campanha?

Ainda bem que as coisas mudaram e quem tem o Cartão do Cidadão recebe o voto em casa, isso é muito importante e positivo, mas não chega. Eu sou a favor do voto eletrónico, que seria mais fácil para todos, também em Portugal, não só para os emigrantes. Seria muito mais fácil. Se eu, na minha conta bancária tenho a solução total para movimentar dinheiro online e não acontece nada, com a segurança que pode existir, o voto eletrónico também é um voto seguro. E haveria mais pessoas a votar.

 

Em sua opinião, o que está a bloquear? Porque razão os maiores partidos ainda não instituíram o voto eletrónico?

Porque, se calhar, altera muito os resultados que esperam. Havendo muito abstencionismo, os votos serão mais ou menos seguros para eles, não sei. Têm medo da participação popular.

 

Acha que o voto eletrónico leva efetivamente mais gente a votar?

Sim, mas não é só isso. Facilita a votação, mas o que provoca a abstenção é a desconfiança dos políticos. As pessoas julgam que ao votar dão dinheiro aos partidos, que os políticos querem tacho, querem poleiro, e não querem saber do povo quando são eleitos. Há pois uma grande desconfiança da classe política, e com razões para isso.

 

Este Governo mudou a Lei de recenseamento e recenseou todos os Portugueses residentes no estrangeiro com Cartão do Cidadão. Esta foi uma medida boa?

Foi uma medida positiva, sem dúvida, as pessoas recebem o voto em sua casa e isso é bom porque aumenta a participação das pessoas. Agora o que eu critico é que se a pessoa recebe uma carta registada, ainda tem de enviar uma fotocópia do Cartão do Cidadão. Isto acho que é burocratizar o processo. E as pessoas podem desconfiar dos dados que estão a dar.

 

Na emigração, o número de Deputados não depende do número de eleitores, como acontece em Portugal. Qual a proposta do PURP em relação a esta questão?

Claro que devia ser proporcional em relação ao número de eleitores. É lógico que se aplique a mesma regra que em Portugal. Faz todo o sentido os Emigrantes terem uma palavra a dizer, sem dúvida. Temos dois Deputados e é raríssimo para o círculo da Europa. Era bom que as pessoas votassem, que fizessem a sua escolha para os Partidos terem mais força para alterar essa lei para se sentirem melhor representados. Há 40 anos que só ganham os partidos grandes, o PSD e o PS, assim, é uma missão praticamente impossível.

LusoJornal / Mário Cantarinha

Para si, a regra atual favorece estes dois partidos?

Acho que sim, são os dois maiores. Sem dúvida.

 

Qual é a sua opinião sobre a rede consular?

Acho muito bem que tenham criado Antenas Consulares, acho que devia haver uma maior desburocratização dos processos, fazer o máximo possível de coisas através da internet, e já houve passos positivos em relação a isso, mas o nosso partido quer mais, quer que os processos sejam mais facilitados e simplificados. Claro que também temos de melhorar o acesso das pessoas aos Consulados, por exemplo, abrindo aos sábados, fechando um dia da semana, por exemplo, para facilitar já que as pessoas que trabalham têm de tirar um dia de trabalho para aceder ao Consulado…

 

Em Portugal e em França também é assim…

Mas nós achamos que devia estar aberto ao sábado, pelo menos de manhã.

 

A fórmula das Antenas Consulares parece-lhe boa?

Sim, acho que os Consulados devem estar onde há maior número de cidadãos emigrantes.

LusoJornal / Mário Cantarinha

A informática já está presente hoje em todos os atos consulares. O que é possível fazer mais?

É sempre possível fazer muito mais. Por exemplo, para tirar certidões, podia ser feito a partir da internet.

 

Mas isso já existe hoje.

Devia ser explicado às pessoas que existe uma chave eletrónica no Cartão do Cidadão e devia ser explicado aos cidadãos a maneira de facilitar o uso do Cartão do Cidadão através da internet. Oferecer mesmo descodificadores – o aparelhozinho que lê o Cartão – às pessoas para usarem em casa. Esta é uma medida que simplifica os processos.

 

Este Governo alterou o prazo de validade do Cartão do Cidadão de 5 para 10 anos, para que as pessoas vão menos aos Consulados…

É uma medida positiva tendo em conta o grande número de pessoas que recorrem às Lojas do Cidadão, e aqui é a mesma coisa, mas nos serviços públicos tem de haver maior investimento porque há pouca gente, há poucos postos de atendimento e nós assistimos a filas intermináveis, por exemplo na Loja do Cidadão de Odivelas, ainda há uns dias atrás, logo de manhã, às 9h00, esgotaram as senhas de atendimento. Isto é inacreditável. Eu cortava nos Mercedes, nos BMW e nos Audis, e investia mais nos serviços públicos. O partido PURP é contra as mordomias do Estado, eu acho que cada Ministro, cada Governante, cada Diretor da Função Pública, tem de ter o seu ordenado, mas não tem de ter benesses por causa disso. O dinheiro público é muito escasso e deve ser distribuído por pessoas que têm menores rendimentos.

 

E sobre o ensino da língua portuguesa no estrangeiro, que propostas tem o PURP?

Deve ser melhorado e devemos apostar muito no e-learning, pode haver lições, como nas escolas de línguas através da internet, e também com presença na sala de aula. Todos os filhos de Portugueses devem ter acesso à língua portuguesa. Temos de investir em mais professores, uma vez que há tantos professores desempregados em Portugal, devia haver incentivos para que os professores se desloquem para outros países a ensinar a língua portuguesa, não só para filhos de emigrantes, mas também para promover a língua portuguesa perante cidadãos estrangeiros. Era muito importante. A Constituição tem de ser cumprida na totalidade.

 

Isso tem custos…

Como disse, devem ser utilizados os meios informáticos para dar aulas. Pode haver aí bastante redução nos orçamentos. Mas, em Portugal há muito dinheiro, está é muito mal distribuído. Por exemplo, o caso da PPP público-privadas em que certas empresas obtiveram concessões de autoestradas em que recebem uma renda de 15% ao ano. É bastante bom, não é? Acho que deviam rever esses contratos, por exemplo. Daí podiam tirar alguns milhões para o ensino da língua portuguesa.

 

Que outros assuntos o PURP trouxe para a campanha eleitoral?

O grande assunto é dar meios para lutar contra a corrupção, melhorar a vida dos reformados,…

 

Isso é em Portugal, e em particular no círculo eleitoral da Europa?

Não sei se ouviu falar na Carta de Londres, feita por Emigrantes residentes em Londres, nós aderimos aos 10 pontos que eles propõem, e que tem a ver com o ensino da língua portuguesa, com a melhoria da rede consular, com a redução de impostos para emigrantes que queiram voltar para Portugal,… Dão aos reformados estrangeiros dez anos de isenção de IRS em Portugal, devia também haver alguma benesse fiscal aos Emigrantes que regressem a Portugal.

 

Está a falar do estatuto de Residente não habitual, mas este estatuto aplica-se a estrangeiros, mas também a Portugueses que já não tenham residência fiscal há pelo menos 5 anos em Portugal.

Então ainda é pior, não podemos comparar cidadãos estrangeiros com cidadãos portugueses, que foram obrigados a encontrar trabalho no estrangeiro e que deviam ter algumas benesses fiscais maiores.

LusoJornal / Mário Cantarinha

Também tem o programa Regressar para ajudar quem queira regressar a Portugal…

Mas é curto. Poucas pessoas aderiram a esse programa.

 

Sim, mas é recente, ainda foi lançado há pouco tempo…

É um passo, um passo importante, para ser alargado. Esse programa pode ser alargado e mais divulgado de modo a que mais pessoas adiram a esse programa.

 

Que outras questões lhe têm sido levantadas durante a campanha?

Tenho sobretudo ouvido muitas críticas contra os políticos. Ouço isso todos os dias na campanha.

 

Mesmo assim, aceitou ser candidato…

Sim, sem dúvida. Já há dois anos, para a Freguesia do Lumiar, ouvi uma grande desilusão, uma grande desesperança contra os políticos.

 

Quais são os seus objetivos para esta campanha?

Os objetivos do partido, em geral, é eleger um Deputado. O meu objetivo é ter a melhor votação possível, porque é praticamente impossível ser eleito.

 

Como tem feito campanha?

Com meios próprios, através das redes sociais, essencialmente, e sempre contactando com os Emigrantes. Estive em Londres, estive na Holanda, na Bélgica, no Luxemburgo e agora estou em Paris, mas regresso já para Lisboa, para o final da campanha em Portugal porque nesta altura a maior parte das pessoas já recebeu o voto em casa, e quem quisesse votar já o teria enviado pelo correio. Esperamos que tudo corra bem e que haja, sobretudo, uma boa participação, é o que eu desejo.

 

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