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Suzanne Rodrigues nasceu em Paris mas regressou “às origens” no ano passado, quando se mudou para Lisboa. É a candidata cabeça de lista do partido Iniciativa Liberal, pelo círculo eleitoral da Europa nestas legislativas.

Licenciada em gestão e compra de imóveis, tirou um Mestrado em auditoria, consultoria e perícia imobiliária. Atualmente é analista financeira para um promotor imobiliário. “Analiso a viabilidade dos projetos antes de eles serem construídos”.

LusoJornal / Carlos Pereira

A Suzanne é muito nova ainda, mas já militava em algum Partido político?

Nunca aderi a um Partido político, sempre tive umas ideias liberais, mas nunca senti que um Partido… que eu me identificasse a 100% com um Partido. É pois a minha primeira vez.

 

E como surgiu esta adesão ao Iniciativa Liberal?

Numa conversa com colegas de trabalho, estávamos a discutir da economia portuguesa e de repente os meus ideias começaram a fazer sentido com os da Iniciativa Liberal. Houve um colega meu que me disse “Ó Suzanne, tens ideias bem-feitas, vai ver o que se passa na Iniciativa Liberal, vai ler o programa, é um partido jovem, tem um ano e meio, vai participar nos eventos, há eventos por aí, eventos informais, vai participar, vai falar com as pessoas, lê o programa, e faz-te a tua própria ideia”, e assim fui. Em fevereiro fui ao meu primeiro encontro de jovens da Iniciativa Liberal, em Lisboa, e falei com as pessoas, houve debates interessantes sobre os impostos portugueses. E foi assim que aderi à Iniciativa Liberal.

 

Mas como se passa de militante a candidata e cabeça de lista do Iniciativa Liberal?

Aderi antes das eleições europeias e depois das Europeias começaram a pensar nas Legislativas. O Carlos Guimarães Pinto que é o nosso Presidente, andava à procura de cabeças-de-lista para cada círculo, e pensou em mim para o círculo da Europa. Como eu conheço a Comunidade portuguesa em Paris, para ele fazia sentido que fosse eu a representar o Partido para esta aventura.

 

Quais são as linhas diretivas do Iniciativa Liberal?

Digamos que é um Partido do centro, com ideias bastante liberais.

 

Com que Partido se identificam em França?

Não temos ligações oficiais, mas já estivemos a falar com o “Mouvement Radical Social” que se aparenta às nossas ideias. Vamos ver, vamos trocar ideias e impressões.

 

Quais são os principais problemas que identificou nas Comunidades portuguesas?

O problema principal da Comunidade portuguesa é a dificuldade de aceder aos Consulados. Ou seja, uma pessoa quando precisa de algum serviço no Consulado, atrasa-se muito. Por um lado, o tempo de atendimento, por outro, de recolha de documentos e recolha administrativa, é sempre muito longo. Eu já fui ver vários Consulados durante esta campanha. Aquele que funciona muito bem é o Consulado Honorário de Andorra. Por experiência própria, sei que o Consulado de Paris é um bocado complicado, é preciso esperar um mês para obter uma marcação para o Cartão de cidadão. Mesmo com marcação prévia, tem que chegar ao Consulado e esperar um certo tempo, e perde uma manhã só para poder retirar o Cartão de cidadão. É isso mesmo o problema, a falta de rapidez no tratamento administrativo.

 

E quais são as soluções?

Em relação a essa questão, o Iniciativa Liberal propõe modernizar a rede consular, ou seja, fazer umas espécies de parcerias com empresas tecnológicas para privilegiar a parte tecnológica em detrimento da parte manual. Ou seja, haver menos papelada como se diz em Portugal e mais eficácia tecnológica.

 

Nos Consulados já praticamente tudo é informatizado. Por exemplo, para um Cartão de cidadão já nem é necessário levar fotografias. Onde se pode modernizar mais tecnologicamente?

Relativamente ao Cartão de cidadão é verdade que em Portugal está muito bem feito e temos um sistema que funciona muito bem. Eu tenho o exemplo dos casamentos. Um casal que queira casar no Consulado, necessita de assinar muitos documentos e tem de ir primeiro ao Consulado, umas duas vezes, para preencher tudo, e depois é que se podem casar.

 

Em França também ninguém se casa em 5 minutos…

Sim, é verdade. Mas para o Consulado, se fosse o casamento fosse informatizado, permitiria um tratamento mais rápido da informação. Claro que tem de haver uma certa preparação, mas acho que a nível administrativo podemos melhorar essa parte.

LusoJornal / Carlos Pereira

E sobre o número de Consulado, o Iniciativa Liberal promete abrir mais postos?

Não acho que sejam necessários mais Consulados. Eu acho que os que estão agora em atividade devem ser mais eficientes. Sabemos que há alguns anos atrás, fecharam muitos Consulados, mas a crise foi em Portugal inteiro. A Administração cortou muito nos funcionários consulares, e acho que agora temos de ter mais pessoas, senão elas não conseguem dar conta do recado. Na região de Paris havia três Consulados, agora há só um.

 

O Consulado Geral de Portugal em Paris tem antenas consulares em Lille, Nantes, Tours e Orléans. Acha que é uma fórmula interessante?

Sim, acho que é uma solução. Lille e Tours provavelmente não precisavam de um Consulado geral, com uma organização tão grande, então faz sentido haver antenas consulares.

 

Os Portugueses residentes no estrangeiro são conhecidos por não votar. Porque razão acha que os Portugueses não votam?

Há várias razões para que os Portugueses não votem. Para já, acho que há uma falta de informação para com a Comunidade portuguesa. Eu não devia dizer isto, mas eu nunca votei por Portugal quando estive cá. Houve eleições e nunca votei por Portugal. Eu votava em França. Eu tinha a dupla nacionalidade e não sabia, infelizmente, que podia votar por Portugal e pela França. Embora eu visse a televisão portuguesa, em casa, os meus pais falam português, mas não tive acesso a essa informação. Este dever de informação, penso que é da responsabilidade do Consulado, que deveria ter algum papel nisto. Ou seja, a nossa proposta, por exemplo, é que os Consulados façam uma Newsletter informativa sobre as importantes notícias que vão saindo em Portugal e enviar semestralmente ou trimestralmente.

 

Bom, nesse caso, deixaria de haver necessidade de haver o LusoJornal, porque a nossa função é mesmo essa de informar…

É verdade. Eu acho que não seria um custo muito elevado, era só um dever de informação. Antes disso temos de incentivar as pessoas a inscreverem-se no Consulado. Para incentivamos as inscrições consulares, podemos dar-lhes umas vantagens. Por exemplo, a pessoa que forneceu os dados todos, nomeadamente os mails e o número de telefone, vai ter vantagens como prioridade no atendimento, prioridades em certos aspetos…

LusoJornal / Carlos Pereira

Este Governo alterou as regras de recenseamento e tornou-o automático para quem tenha Cartão do cidadão. Acha que foi uma boa ideia?

Acho que foi um muito bom princípio, sim. As pessoas nas eleições anteriores não iam votar porque tinham de se inscrever três meses antes. Por isso, acho que foi um bom princípio. Agora as pessoas, com a experiência própria, não sabem por quem votar, não se sentem dentro da situação. Tenho a impressão de fazer mais pedagogia com as pessoas do que propriamente estar a fazer campanha eleitoral e expor as ideias liberais. Acho que não é uma falta de interesse, porque quando você fala com as pessoas, elas interessam-se em saber como votar. Há mesmo uma falta de informação. Como é que se pode fazer? Acho que o Consulado, já que é o órgão aqui de ligação entre o país de origem e o país de residência, acho que tem um dever em informar a Comunidade. Pelo menos para receber a Newsletter informativa.

 

O Iniciativa Liberal tem núcleos em França?

Não. Vamos criar um núcleo oficial, digamos assim. Temos núcleos em Portugal, mas no estrangeiro para nós é complicado, no entanto estamos a organizar eventos em várias cidades, em vários países e com pessoas locais, pessoas que estão a estudar, pessoas que gostam, são membros do Iniciativa Liberal e vão promovendo as suas ideias. Ainda ontem [ndr: na semana passada] tivemos uma Cervejaria Liberal em Paris e o objetivo é continuar, depois das eleições, com estes eventos informais.

 

O que me tem a dizer do Ensino da língua portuguesa no estrangeiro?

Eu acho que primeiro tem de vir da própria família, dos pais a incentivarem os filhos a irem à escola. Eu própria não queria ir às aulas de português, mas foram os meus pais que me forçaram e estou muito agradecida por isso. O Iniciativa Liberal propõe que as associações promovam o ensino da língua e também tentar fazer com que o português seja a terceira língua no ensino do país de residência. Ou seja, incentivar o país de residência dos Portugueses a terem como opção a língua portuguesa.

 

Então, acha que o ensino da língua portuguesa deve ser feito nas associações ou nas escolas?

O ensino deve ser integrado nas escolas normais, mas acho que as associações e as instituições portuguesas cá em França ou noutros países, têm também dever de incentivar essas pessoas a aprender português. Também queremos incentivar Portugal a pôr mais professores em França e nos outros países. Isso tem custos, mas o dinheiro que é empregue no ensino, acho que é essencial.

 

Vai então fazer ações à volta dos jovens…

Em relação aos jovens, eu gostava que estes núcleos, que estes eventos informais que vamos organizar, se expandissem por vários outros países. A segunda candidata da lista, a Adeline Afonso, que está na Sorbonne, vai começar a promover os nossos eventos nas próprias universidades francesas. É assim que vamos tentar que os jovens portugueses se impliquem mais na política portuguesa e que estejam a par da situação. Ontem fiquei bastante surpreendida porque houve cinco pessoas que não nos conheciam e que vieram para ver o evento que viram anunciado nas redes sociais e disseram “vamos lá ver o que é o Iniciativa Liberal, o que se diz, e as eleições, etc”. Ontem foram cinco, pode ser que amanhã sejam dez.

 

Que mais propostas tem para o círculo eleitoral da Europa?

Queremos criar um centro de apoio para as pessoas que vão para a reforma e que possam juntar a reforma portuguesa e a reforma francesa. A geração dos meus pais está a entrar na reforma. Cinco anos antes da idade, chega muita informação, e têm de chamar advogados, pessoas que as ajudem, e nós propomos um Centro de apoio, em dias específicos ou uma vez por mês ou duas ou três… e devia ser no Consulado.

 

Vi que querem alterar os horários de abertura dos postos consulares…

Sim, o Iniciativa Liberal propõe uma mudança nos horários de abertura do Consulado: por exemplo fechar o Consulado à segunda-feira e abrir no sábado para que as pessoas que trabalham possam deslocar-se mais facilmente ao Consulado no dia marcado. Isto para facilitar o acesso à Comunidade. O que também queremos propor é uma facilidade no recenseamento eleitoral. Por exemplo pessoas que estão num país temporariamente, voluntários, alunos, trabalhadores que estão cá talvez seis meses, ou estagiários, queremos que essas pessoas possam votar.

LusoJornal / Carlos Pereira

Mas esses já podem votar. Chama-se a isso, voto em mobilidade.

Queremos que seja mais fácil para eles.

 

Qual é o seu objetivo em termos de resultado eleitoral?

O meu objetivo é promover o voto junto das pessoas. É um aspeto pedagógico. Quanto ao resultado, espero o melhor resultado possível e ser eleita. Aproveito para promover o Partido no estrangeiro, e isso é um dever do cidadão, temos um dever, temos de o cumprir.

 

Que avaliação faz do atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas?

Eu acho que ele não está muito próximo da Comunidade portuguesa. Se vão perguntar a uma pessoa quem é o Secretário de Estado, não vai saber. Como não sabem quem são os Deputados deles. Então devia ter uma maior proximidade. A medida sobre o recenseamento automático foi uma boa medida. O que falta é, se calhar, ajudas as associações, o mundo associativo. O mundo associativo é o que faz com as pessoas não se sintam fora, que sintam ainda as origens. Um apoio, que seja a nível de formação, não forçosamente financeiro. O Presidente da associação, não é o trabalho dele, se calhar não vai saber fazer planos de atividades, gerir a associação em si. Acho que era importante terem formações para saber gerir melhor as associações. Os recursos podem vir do setor público, mas também do setor privado. Por exemplo, na Cap Magellan, mais de metade do orçamento deles é privado, trabalham os patrocínios, e afinal as ajudas públicas são mínimas. Eu falei com eles, e eles disseram que foram encontrar patrocinadores. Isso é bom. As associações esperam muito do Estado, mas se calhar podiam também, com uma ajuda, fazer esse trabalho junto dos privados.

 

E que avaliação faz dos dois Deputados por este círculo eleitoral da emigração na Europa, Carlos Gonçalves e Paulo Pisco?

Estamos a precisar de um bocado de ar fresco. Têm feito trabalho, mas eu acho que este círculo eleitoral está a precisar de novos candidatos.

 

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