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Lisboa e São Francisco: três franceses exploram as cidades-gémeas

Mesmo perante o mais desatento dos olhares, as cidades de Lisboa e São Francisco apresentam similitudes difíceis de perder de vista. É partindo desta constatação que um grupo de três Franceses a residir em Lisboa teve a ideia de criar um livro ilustrado que possa explorar essas similitudes. Esse livro – “SF-LX” – todavia ainda não nasceu e está à espera que a iniciativa de crowdfunding (financiamento coletivo) chegue a bom porto de maneira a que possa ver a luz do dia.

A artista gráfica e ilustradora Béatrice Bloomfield, residente no Coletivo de Artistas Arroz estúdios, juntou-se a Marie e Aurélien Chivot-Buhler para levar este projeto a bom porto. A viverem em Lisboa há quase três anos, eles visitam São Francisco com frequência. Aurélien estudou engenharia informática e hoje trabalha com startups californianas como web designer, aproveitando o facto de Lisboa ser “uma super cidade para as startups, cheia de oportunidades”, refere. Dessas viagens nasceu então o desejo de criar um livro que colocasse face a face essas duas cidades que, mesmo sem terem qualquer vínculo histórico a uni-las, parecem cidades-gémeas.

“Ao chegar a Lisboa e ao descobrir a ponte 25 de Abril quem é que nunca pensou na Golden Bridge?”, lançam a pergunta. “Esse assunto tornou-se recorrente nas conversas com os amigos estrangeiros que nos visitam”.

Mas além das pontes vermelhas, o que mais une Lisboa e São Francisco? A editora e tradutora Marie Chivot-Buhler demora um segundo a responder: “temos a arquitetura colorida, a street art (arte de rua), a cultura tech, a abertura ao oceano, o surf, o progressismo social, a abertura aos Outros, o ambiente acolhedor, friendly, podemos encontrar tudo isto nas duas cidades”.

E outra pergunta se impõe: e quais são as diferenças entre elas? Marie prossegue sem hesitar: “as cidades diferem em muitos aspetos e o objetivo do livro é também o de explorar esses contrastes, seja a nível gastronómico, a bifana versus o burger, o pastel versus o donut, seja a nível cultural, o fado versus a música hippie, ou, claro, o custo de vida”.

E perante esta ideia contemporânea de que “Lisboa é a São Francisco europeia”, perguntamos se não fará mais sentido, sendo Lisboa a segunda capital mais antiga da Europa, mais antiga que Roma e apenas com Atenas à sua frente, dizer que São Francisco, fundada pelos espanhóis no século XVIII, é a “Lisboa californiana”? Marie sorri. “Ah, interessante questão! Eu costumo ouvir dizer que Lisboa é a pequena irmã europeia de São Francisco. Porque, por agora, São Francisco tem uma maior fama a nível mundial, mas é perfeitamente legítimo apresentar São Francisco como a Lisboa californiana”.

Prosseguimos a conversa, ainda não inteiramente convencido – este crónico ceticismo de historiador – sobre se São Francisco, uma cidade com trezentos anos de História, bate a “nível de fama mundial” uma cidade que, a acreditar na sempre infalível mitologia, parece ter sido fundada por Ulisses durante os seus périplos homéricos ou, se preferirmos levar a arqueologia a sério, por povos autóctones que comerciavam com os fenícios há quase três mil anos.

Esqueçamos então a distante São Francisco e falemos sobre o que levou estes Franceses a trocar a França por Portugal. Terá ocorrido algum tipo de choque cultural aquando da mudança? “A nossa instalação em Lisboa foi bastante natural”, admite Marie. “É a mesma cultura europeia, Franceses e Portugueses partilham imensas coisas. E os Portugueses são acolhedores, sempre prestes a ajudar. Eu julgo que, enquanto europeus, uma mudança para São Francisco seria um maior choque cultural quando comparado à nossa mudança para Lisboa”. E os elogios em relação à qualidade de vida alfacinha prosseguem. “Nós apreciamos muito a doce vida lisboeta, a atmosfera descontraída, muito menos tensa do que em França, onde existem sempre uns resmungões que, estamos gratos por isso, não encontramos aqui”, brinca Marie. “Mas existem coisas que nos fazem falta: a variedade do queijo e as montanhas para fazer ski”.

Mesmo com tantos Franceses a mudar-se para Lisboa durante os últimos anos, pergunto espantado, ainda há falta de queijo francês? Marie ri e confessa “é verdade que é um pouco estranho ver tantos Franceses em Lisboa, mas nós não nos podemos queixar visto fazermos parte desse lote” e continua salientando que a cada vez maior comunidade francesa em Lisboa enriquece, de facto, o secular “cosmopolitismo português”. De qualquer maneira, o objetivo destes três novos “franco-lisboetas” não é “fecharmo-nos dentro da comunidade francesa. Nós, pelo contrário, procuramos conviver com o máximo de Portugueses possível”.

 

Para contribuir para o nascimento deste livro basta aceder a:

www.kickstarter.com/projects/mariechivotbuhler/sflx-book-san-francisco-lisbon

 

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