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O Presidente da Câmara municipal de Viana do Castelo José Maria da Costa, esteve na semana passada em Paris para apresentar, na Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle, o livro “Garrano, le brave cheval des montagnes”, em língua francesa, sobre a raça Garrana, e aproveitou para apresentar também o livro “Percursos do homem e do Garrano” com as atas dos colóquios internacionais realizados sobre esta raça de cavalos.

José Maria da Costa veio a Paris a convite de Carlos Henriques Pereira, Maître de Conférences na Sorbonne Nouvelle, especialista de cavalos, e estava acompanhado por Andreia Pereira e por José Paulo Vieira.

Em 2016, a Câmara Municipal de Viana do Castelo recebeu uma proposta conjunta da Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle e da Universidade de Kioto para um programa de investigação sobre a raça Garrana na Serra d’Arga.

“Este é um velho projeto que eu já tenho há vários anos” explicou Carlos Pereira ao LusoJornal. Depois de ter introduzido quatro fêmeas Garranas em França, em 2004, “fui trabalhando sobre a educação dos Garranos. Pouco a pouco fui descobrindo a história dessa raça muito bonita que está associada também a uma prática equestre que se chama o ‘passo travado’ que é único em Portugal. É uma equitação primitiva no sentido de ser muito antiga”.

Carlos Pereira desenvolveu um projeto de cooperação científica internacional com a Universidade de Kioto, Instituto de Primatologia, no Japão, “e em 2015 decidimos fazer um projeto de estudos de cognição de inteligência dos cavalos e um projeto de estudo em espaço natural e Portugal tinha todas as condições para as equipas científicas estudarem o Garrano em espaço natural e a sua relação com o homem e com o lobo”.

“Achámos muito interessante o projeto” diz o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo. “Era uma forma de conhecermos melhor o nosso território e também o nosso património natural. Não havia praticamente nada escrito nem de observação sobre o Garrano e por isso apoiámos este projeto”.

José Paulo Vieira explicou por exemplo a criação de circuitos pedestres e a cavalo para se aproximar dos Garranos que vivem em liberdade, em ambiente natural, e a criação do Festival do Garrano, um projeto novo imaginado pela autarquia.

O livro “Garrano, le brave cheval des montagnes” em língua francesa é um dos suportes editados para este projeto. “Tem por objetivo comunicar de forma apelativa, o estado do conhecimento atual sobre esta espécie autóctone do território de montanha do noroeste de Portugal e da vizinha Galiza” explica Andreia Pereira. “Havia uma grande falta de suportes de comunicação sobre o valor desta espécie enquanto património genético, mas também enquanto património cultural, devido à sua relação histórica fundamental, com as populações do norte de Portugal e é necessário passar às populações uma compreensão da importância desta espécie equídea uma vez que a partir da segunda metade do século XX, o Garrano foi sofrendo um processo de desvalorização que se traduziu numa grande redução do número de efetivos” contou ao LusoJornal.

“O Garrano estava presente nos modelos económicos tradicionais das populações rurais até à primeira metade do século XX, era um auxiliar dos trabalhos agrícolas, antes da generalização do uso do automóvel era um meio de transporte acessível a todos, o Padre andava de Garrano, mas também as populações mais pobres utilizavam o Garrano como modo de vida, o Garrano era quem transportava as mercadorias, era quem ajudava as populações a ir às feiras, era um meio de entretimento através das corridas de passo travado” explica.

José Maria da Costa destacou “o conjunto de investigações, de seminários, de workshops” que este projeto desenvolveu durante estes últimos três anos, e o desenvolvimento de mais parcerias com outras universidades, nomeadamente na vizinha Espanha.

“Este programa permitiu criar mesmo uma nova disciplina a nível internacional, dedicada aos equídeos que é a equinologia” garante Carlos Henriques Pereira. “A equinologia foi lançada nos dias 1, 2 e 3 de março de 2019 na Universidade de Kioto e em 2021 estamos a preparar um Congresso internacional em Viana sobre esta temática” anunciou.

José Maria da Costa apelou aos estudantes de Paris 3 e aos investigadores para irem para Viana do Castelo, no quadro de projetos de investigação ou de cursos de verão. “A vossa estadia será suportada por nós. Só têm de pagar as viagens” disse o autarca perante um anfiteatro cheio de estudantes. “Neste momento estamos muito interessados em dar uma sequência a este projeto, através do aprofundamento de algumas aprendizagens. Vamos constituir em Viana do Castelo um Centro de acolhimento para investigadores e para estudantes que queiram aprofundar estas temáticas, porque é do nosso interesse também estarmos presentes numa rede de conhecimento a nível internacional” explicou ao LusoJornal o autarca de Viana do Castelo.

 

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