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Política

 

 

O social-democrata Luís Montenegro foi eleito este fim de semana 19º Presidente do PSD com 72,5% dos votos, vencendo as eleições diretas a Jorge Moreira de Silva, que alcançou apenas 27,5%. Em França, Luís Montenegro ganhou com 90,9% dos votos dos militantes do partido, sendo que ganhou com 100% dos votos na Secção de Strasbourg e com 90,24% na Secção de Paris.

“Declara-se neste momento Luís Montenegro Presidente eleito do PSD e que assumirá funções no próximo Congresso”, anunciou o Presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do partido, Paulo Colaço, numa declaração na sede do PSD, em Lisboa, no sábado à noite.

“Os números da abstenção são substancialmente mais elevados do que nas últimas diretas”, respondeu aos jornalistas Paulo Colaço. Estavam 44.628 militantes inscritos, tendo votado 29.272. A abstenção ficou pois por 39,5%.

No total, registaram-se 307 votos brancos e 129 nulos, com Luís Montenegro a garantir 19.246 votos e Jorge Moreira da Silva 7.304, segundo os resultados oficiais.

O PSD tem duas Secções em França. Na de Paris há 47 inscritos, votaram 41, 37 dos quais por Luís Montenegro e apenas 4 votos por Jorge Moreira da Silva.

Na Secção de Strasbourg, votaram os 3 inscritos no partido e todos votaram por Luís Montenegro.

 

Grande adversário de Rui Rio

O antigo líder parlamentar do PSD, sucede a Rui Rio, de quem foi o principal desafiador ao longo do mandato, com tréguas em vésperas de eleições legislativas.

Esta foi a segunda vez que Luís Montenegro concorreu à presidência do PSD: em janeiro de 2020, nas primeiras eleições diretas a que se candidatou, o antigo líder parlamentar do PSD obrigou Rui Rio a uma inédita segunda volta no partido (Miguel Pinto Luz foi o terceiro candidato que ficou pela primeira volta, com cerca de 9,5% dos votos) e conseguiu 47% do partido.

Na noite da derrota, em 18 de janeiro de 2020, o antigo Deputado avisou logo que não valia a pena anunciarem a sua morte política, considerando que essa notícia seria “manifestamente exagerada”, mas manteve-se discreto na sua intervenção política nos dois anos seguintes.

Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, 49 anos, nasceu no Porto, mas viveu sempre em Espinho (Aveiro) e é advogado de profissão.

Estreou-se no Parlamento aos 29 anos, em 2002, quando Durão Barroso era Presidente do PSD e Primeiro-Ministro, depois de ter iniciado uma carreira política que começou na JSD e passou pela Câmara Municipal de Espinho, onde foi Vereador. Nas autárquicas de 2005, candidatou-se a Presidente do município, mas foi derrotado por José Mota, do PS.

Depois de ter sido ‘vice’ da bancada na direção de Miguel Macedo, foi eleito líder parlamentar após a vitória de Pedro Passos Coelho nas legislativas, em junho de 2011.

Mantém-se no cargo até 2017, tornando-se o Líder parlamentar com maior longevidade no PSD, e foi no período da ‘Troika’ – em janeiro de 2014 – que disse que “a vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor”, frase que lhe viria a merecer muitas críticas.

 

Fiel a Passos Coelho

Nas disputas internas no PSD, Luís Montenegro foi tendo opções diferentes: nas diretas de 2007, entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, foi mandatário distrital do ex-autarca de Gaia; um ano depois, assumiu o lugar de porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho; já em 2010 apoiou Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco; em 2018, apoiou Santana Lopes contra Rui Rio já na reta final da campanha interna, e em 2021, no próprio dia das diretas, escusou-se a revelar publicamente em quem votaria, na disputa entre Rui Rio e Paulo Rangel.

No final de 2017, chegou a ponderar uma candidatura à liderança do partido, quando Pedro Passos Coelho anunciou que não se recandidataria, mas acabou por concluir que não estavam reunidas as condições para avançar “por razões pessoais e políticas”.

Mas, logo em fevereiro de 2018, no Congresso de aclamação de Rui Rio, Luís Montenegro deixou o aviso de que poderia vir a disputar-lhe o lugar: “Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem que não vou pedir licença a ninguém”.

Tal como anunciou nesse Congresso, Luís Montenegro deixaria o Parlamento em abril de 2018, 16 anos depois de tomar posse como Deputado, e foi expressando pontualmente as suas divergências com a direção de Rui Rio.

 

Rumo à Presidência do PSD

Em janeiro de 2019, desafiou Rui Rio a convocar eleições antecipadas no partido, dizendo que não se resignava “a um PSD pequeno, perdedor, irrelevante, sem importância política e relevância estratégica”.

O Presidente do PSD não aceitou o repto para marcar diretas um ano antes do previsto, mas levou a votos uma moção de confiança à Direção, que foi aprovada em Conselho Nacional com 60% dos votos.

Depois dessa derrota interna, terminou as colaborações regulares com órgãos de comunicação social e, segundo noticiou o Expresso, frequentou no verão um programa de gestão avançada para executivos e líderes do Instituto Europeu para Administração de Empresas em França, mantendo-se praticamente em silêncio na vida política.

Nas autárquicas de setembro de 2021 teve participações pontuais, mas longe do Presidente do PSD, e não quis entrar na corrida à liderança nas eleições diretas que se seguiram, e que acabaram por ser disputadas entre Rui Rio e o Eurodeputado Paulo Rangel e ganhas pelo antigo Presidente da Câmara do Porto.

Na campanha para as legislativas de 30 de janeiro, apareceu ao lado de Rui Rio em iniciativas no distrito de Aveiro, manifestando-se confiante de que a vitória do PSD era possível e recusando falar, na altura, em sucessão.

Casado e com dois filhos, o desporto foi uma paixão de juventude, tendo jogado futebol e voleibol de praia – também foi nadador-salvador -, e atualmente pratica golfe.

Na campanha interna de 2020, foi, tal como o seu adversário Rui Rio, ao programa das manhãs da SIC, onde contou à apresentadora Cristina Ferreira que a sua alcunha de infância era ‘Ervilha’ – por ser “redondinho” e ter olhos verdes – e no qual fez um dueto com Tony Carreira a cantar o “Sonhos de Menino”, garantindo que liderar o PSD não estava entre eles.

A sua alegada pertença à mesma loja maçónica do ex-Diretor dos serviços de informação Jorge Silva Carvalho – na anterior campanha interna negou alguma vez ter pertencido à maçonaria – e as faltas parlamentares para assistir a jogos do FC Porto, clube do qual é adepto, e da Seleção nacional foram algumas das polémicas que viveu na Assembleia da República.

Em junho de 2019, Luís Montenegro foi constituído arguido – a par dos então Deputados Hugo Soares e Luís Campos Ferreira – por alegado recebimento indevido de vantagem no caso das viagens do Euro 2016, tendo negado então a prática de qualquer crime e garantido que as viagens foram pagas a expensas próprias, num processo entretanto arquivado.

 

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