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Luís Rocha, que até aqui assumiu a Direção do Escritório de Representação do Banco Santander Totta em Paris, cessou as suas funções esta sexta-feira e repressou a Portugal, onde vai continuar a trabalhar no banco, enquanto Gestor de promotores e mediadores imobiliários.

Antes de vir para Paris, Luís Rocha foi vice-Gerente da agência do Totta em Santarém e depois foi formador interno. O Escritório de representação de Paris gere a metade norte da França, desde a Alsace a Bregagne, da Charente para cima. A parte sul da França depende do Escritório de representação de Lyon.

Luís Rocha chegou a Paris a 19 de novembro de 2001, sem conhecer o país e deixa agora a representação do banco entregue a Bruno Belo, recentemente chegado à capital francesa. Diz que regressa a Portugal com o sentimento de missão cumprida.

 

Que balanço faz destes 16 anos à frente do Escritório de representação do banco Santander Totta em Paris?

Em termos pessoais foi extraordinário. Foi muito enriquecedor ter estado aqui este tempo todo. Eu nunca tinha vindo a Paris, não conhecia antes, mas creio ter assistido a uma transformação profunda, para melhor, da Comunidade portuguesa que aqui reside.

 

De que forma se nota essa transformação?

A Comunidade está mais unida porque existem elementos que aproximam as pessoas. Desde logo vi surgir o LusoJornal, vi surgir a Câmara de comércio, vi surgir associações como a Academia do Bacalhau que ganharam influência que não tinham. A Comunidade está bem mais visível.

 

Como foi a sua integração nesta Comunidade que não conhecia?

Eu vinha com espírito de querer pertencer, de querer fazer parte da Comunidade. E evidente que não foi fácil, mas fui aproveitando todas as oportunidades que me foram dadas para me ir integrando, passo a passo. Quem não aparece, esquece. Temos de ir aparecendo, temos de ir participando, temos de estar presentes. Claro que há associações que se adaptam mais ou menos à nossa vida pessoal e à nossa vida profissional.

 

Hoje sinto-o integradissimo…

Esta Comunidade apaixonou-me. Evolui muito enquanto pessoa, enriqueci em termos pessoais e em termos profissionais também. Por exemplo, aqui vemos pessoas que se destacaram, que têm uma vida muito melhor do que quando cá chegaram, mas que se envolvem em ações sociais e de caridade, mas que não pedem aos colaboradores para telefonarem, são eles próprios que fazem as chamadas telefónicas, toda a gente sabe que isso os compromete. Assisti a ações de angariação de roupas em que eles próprios fazem a triagem, carregam com os cartões, no fim fazem um lanche e convivem. Isso não se vê em Portugal.

 

E em termos profissionais, como iniciou a sua missão em França?

Quando tomei posse, a equipa era completamente nova, foi um período de grande transformação a nível interno, que foi necessário ultrapassar, mas conseguimos. No fundo, tínhamos clientes de três marcas diferentes: o Totta & Açores, o Crédito Predial Português e o Santander. A maior parte dos nossos clientes nem sabiam que este Escritório existia. Fizemos este trabalho em articulação com a rede de balcões em Portugal, vieram cá muitos gerentes de balcão, sobretudo aos fins de semana, fazer trabalho de prospeção, o que nos permitiu, ao longo dos anos, que os clientes soubessem o que Escritorio exista, o que pode fazer e o que não pode fazer. De 2004 a 2007 foram os anos mais fortes nesse aspeto. Depois houve uma continuação, uma consolidação da nossa presença. Foi o desenvolvimento normal da atividade.

 

Como tem evoluído a atividade bancária em França?

São as conjunturas que ditam muito daquilo que os bancos podem oferecer. Se por um lado o banco está condicionado às condições de mercado, em termos financeiros puros, por outro lado o mercado é uma realidade dinâmica que também vai evoluindo. Até ao início deste século, a atividade bancária portuguesa em França era praticamente reduzida à captação de remessas para Portugal e pouco mais. Ao longo dos tempos, as necessidades dos clientes também foram mudando e abriu-se também a possibilidade dos emigrantes pedirem crédito em Portugal para poderem investir. Já tinha havido, deixou de haver e depois voltou a existir essa possibilidade. Depois vieram os tempos de crise e durante esses anos, houve uma acalmia em tudo o que fosse crédito, e houve muita perturbação no mercado. Mais recentemente temos tido esta vaga de Franceses que querem instalar-se em Portugal. Necessitam de uma relação bancária e necessitam de crédito. O banco foi acompanhando estas fases com as condições da conjuntura económica. Nesta altura, captar poupanças com taxas de mercado negativas, é difícil ser atrativo. Pagar taxas atrativas com o mercado a pagar abaixo de zero… o banco não pode entrar em loucuras.

 

Este despertar dos Franceses por Portugal veio para durar?

Pode haver uma atenuação, mas isto não é questão de moda, acho que não. Isto veio para ficar. O que não vai é continuar a crescer a este ritmo. Até porque em termos imobiliários, sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve, espera-se a abertura a outros mercados, como o dos Estados Unidos da América. Mas em relação a França, acho que vai continuar a haver este movimento.

 

Um Escritório de representação responde às espetativas dos vossos clientes?

Um escritório tem vantagens e desvantagens. São operações com custos muito inferiores a uma sucursal. Não pode realizar operações, claro, mas pode acompanhar os clientes que residem cá, com movimento bancário lá. Faz todo o sentido. É importante as pessoas terem uma porta onde bater. Todos nós temos experiências com empresas que só podemos contactar por telefone e por vezes não atendem ou não conseguimos explicar casos particulares. Se houver uma porta onde as pessoas podem ir bater, é um elemento de mais valia, neste período em que tudo é feito à distância. E os clientes valorizam muito isso, acredite. No entanto, nós não queremos estar aqui unicamente à espera que os clientes venham bater à porta, evidentemente que temos sido mais proativos.

 

Os vossos clientes têm mais contas em bancos portugeses ou franceses?

Há de tudo. Nós não somos, em regra geral, o banco principal do cliente, embora os clientes possam ter mais envolvimento connosco do que com o banco principal. Temos clientes que estão em bancos franceses e outros em bancos portugureses, isso não é relevante, é até irrelevante para os clientes, estão com o banco com que melhor trabalham e já não é a questão étnica que define a escolha do banco com o qual os clientes trabalham.

 

Considera que atingiu os seus objetivos em França?

Parto com o sentimento de missão cumprida, mas também com a certeza que ainda há muita coisa para fazer. É a vida!

 

Qual vai ser exatamente a sua nova função no banco?

Vou continuar a trabalhar no banco, é uma situação normal na vida da empresa, este refrescar das equipas. Vou trabalhar num serviço que faz a ligação do banco com as agências imobiliárias e com os promotores externos. As agências que encaminham negócio para o banco têm de ser remuneradas e eu vou trabalhar nesse serviço.

 

 

 

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