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Lusodescendente convidou o artista Mário André Luz a homenagear casas antigas do Outeiro do Louriçal, Pombal

Pintura de Mário André Luz Pintura de Mário André Luz Pintura de Mário André Luz
Cultura

 

A pedido do luso-francês Mickaël Cordeiro, residente Eaubonne (95), a norte de Paris e com raízes nas aldeias do Outeiro do Louriçal e dos Vascos, em Pombal, no distrito de Leiria, o urban sketcher, ilustrador e arquiteto Mário André Luz pintou sete casas antigas da aldeia do Outeiro do Louriçal.

“Sou administrador do grupo privado da aldeia no Facebook há vários anos, e senti nalgumas pessoas uma vontade muito forte, que também era a minha, de homenagear a nossa aldeia, as suas gentes, as suas casas, as suas tradições” explica Mickaël Cordeiro. “Comecei por organizar passatempos à volta das estórias contadas pelos mais velhos da nossa aldeia, recolhi muitas fotografias, das festas, da vida no campo… e no ano passado organizei o ‘jogo das ruas’, convidei uma fotógrafa de Pombal, a Ana Formigo, e ela andou a tirar fotografias em todas as ruas e as pessoas tinham de adivinhar onde é que tinham sido tiradas… Este ano, convidei o Mário, ele pintou sete casas antigas, e as pessoas tinham de adivinhar em que rua se situava a casa que o tinha inspirado…”

A escolha do artista surgiu depois da leitura no jornal Público de um artigo sobre o trabalho que ele tinha feito no Algarve. “A estética dele seduziu-me. Ele pinta sem embelezar a realidade, era isso que eu queria para a minha aldeia, alguém que pinte as casas como elas estão, umas a ruir, outras com vidros ou telhas partidas, cores atípicas, e tudo o que à volta: postes elétricos, ervas daninhas…” explica o lusodescendente.

Depois de umas primeiras mensagens trocadas na rede social Instagram em maio, o projeto começou e as primeiras obras retratando as casas foram partilhadas no Facebook. “As pessoas ficam muito felizes por verem as casas dos pais ou dos avós serem pintadas por um artista português” explica Mickaël Cordeiro. “O Mário aceitou logo – o que me surpreendeu – achou o conceito engraçado, disse que gostava das cores e da simplicidade das casas, que eram bonitas e que tinham potencial. Fiquei muito feliz”.

Um projeto 100% independente que provavelmente nunca teria chegado ao fim sem o confinamento. “O confinamento fez-me pensar de outra forma. Estava um pouco frustrado por ter ideias e não as concretizar. Desde então já realizei muitas e vou continuar nessa via”.

Já no final de julho, Mafalda Salgueiro, uma arquiteta e artista portuguesa de Portalegre vai andar pelas ruas da aldeia e fortalecer as bases do próximo jogo das ruas. “São artistas que aceitam o desafio por terem um carinho especial pelas aldeias e as suas gentes. A nossa aldeia só pode ganhar com a visita destes artistas”.

No início de agosto, Mickaël Cordeiro vai expor as sete obras nas ruas da aldeia e gostava de as expor em bares, restaurantes ou museus do Louriçal, do Carriço, da Guia, de Pombal, de Leiria, e da Figueira da Foz.

 

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