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Manuel da Silva acaba de editar o seu 14° livro intitulado “La Maison au Portugal” (Editions Mers du Sud), que mais não é do que a continuação lógica do primeiro livro que editou intitulado “Le Gaiteiro – le joueur de cornemuse”, na mesma editora, em 2002.

O autor mora em Angoulême e criou a sua própria editora – Les Editions Mers du Sud – para publicar “O Gaiteiro” um livro sobre a impressionante história do pai que fazia contrabando na fronteira de Chaves – cuja alcunha era precisamente o Gaiteiro – e que teve de fugir para França a salto, nos anos 40, para não ser preso pela Guarda Republicana. Em França acabou por entrar na Resistência, durante a II Guerra Mundial.

O livro teve uma segunda edição em 2009, em língua portuguesa, traduzido por Aurélio Pinto.

Desde a criação da editora, Manuel da Silva continuou a editar os seus próprios livros: “Hôtel Burgette”, “Ils ont brûlé ma terre”, “Musiciens”, “J’ai fait sauter la banque”, “Mon long chemin vers Compostelle”, “Il a neigé au moulin”, “La nuit des sorcières”, “Cigares et Panama”, “L’incroyable enlèvement”, “Fosses Rouges” e “L’île aux perroquets”.

Em “La Maison au Portugal”, Manuel da Silva, que já nasceu em França, conta a sua primeira viagem a Portugal, com a mãe, nos anos 60, de comboio, e como guardou sempre uma ligação forte com o país, mesmo sem falar português.

A segunda viagem a Portugal foi aquando da lua-de-mel, sempre com a mãe e já depois de ter falecido o pai.

Em jeito de memórias, escrito em francês e na primeira pessoa, o autor descreve a aldeia de Outeiro de Juzão, no concelho de Chaves, a família da mãe e do pai, conta as relações com o tio Guarda, com a avó paterna, com os primos…

Depois de passar regularmente as férias em Portugal, em casa dos familiares, na aldeia, ou a fazer campismo para descobrir o país com a mulher e os filhos, Manuel da Silva decidiu comprar uma casa no país dos pais.

Por razões que o leitor acabará por descobrir com a leitura do livro, acaba por comprar uma casa rústica numa outra aldeia do concelho de Chaves e conta como foi acolhido pelos habitantes da aldeia quando viram chegar um casal de “franceses”, sem relações com a terra, mas que comprou uma das casas mais antigas da aldeia.

Finalmente, Manuel da Silva e a mulher acabaram por ser adotados pelas gentes de Sesmil e acabam mesmo por comprar uma segunda casa, na mesma rua, que agora partilham com os filhos, noras, genros e netos.

“Pai, mãe, a missão está concluída. Trouxe-lhes a família de volta ao país” termina o livro, que é dedicado a todos os amigos e familiares que ajudaram Manuel da Silva a renovar completamente a casa pela qual se apaixonou à primeira vista.

Um livro para ler e para guardar, porque é um contributo importante para a memória da emigração portuguesa para França e para a forma como Portugal vê aqueles que saíram. Mas é também o olhar pessoal de um lusodescendente sobre aqueles que “ont un jour quitté leur pays pour s’en aller gagner leur vie” como cantava Jean Ferrat.

O livro apenas pode ser comprado via internet, na página do editor em:

editionsmersdusud.fr

 

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