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Manuel Dias diz que Aristides de Sousa Mendes entrou no Panteão francês pelas mãos de Simone Veil

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O Vice-Presidente do Comité nacional francês de homenagem a Aristides de Sousa Mendes evocou ontem Simone Veil, “por ter convencido o Presidente Jaques Chirac e prestar homenagem aos Justos de França” no Panteão francês, entre os quais está Aristides de Sousa Mendes.

Manuel Dias discursou junto ao busto do antigo Cônsul de Portugal em Bordeaux que em 1940 salvou milhares de refugiados da perseguição nazi, praticamente na mesma altura em que estava a decorrer a cerimónia de homenagem a Aristides de Sousa Mendes no Panteão português.

Na cerimónia de Bordeaux, na esplanada Charles-de-Gaulle, Jardins de Mériadeck, participou a Ministra francesa delegada à Memória e aos Antigos Combatentes, Geneviève Darrieussecq, mas também do atual Cônsul Geral de Portugal, Mário Gomes, para além dos cerca de 30 militares e dos 50 alunos de vários colégios e Liceus de Bordeaux, assim como representantes dos antigos combatentes e do movimento associativo.

Manuel Dias evocou o percurso de Aristides de Sousa Mendes, “um homem do regime, que apoiou Salazar, que foi um funcionário leal, até ao dia em que, em consciência, desobedeceu” e acrescentou ao LusoJornal que “foi muito mais longe, porque depois apoiou o General Humberto Delgado”.

Para Manuel Dias, faz todo o sentido ter evocado também Simone Veil “porque é a ela que se deve o reconhecimento francês pelos Justos de França” evocando a cerimónia de 18 de janeiro de 2007, quando o Presidente Jacques Chirac homenageou, no Panteão francês, os “Justos de França”, a não confundir com “Justos franceses”, “porque nem todos eram franceses” explicou Manuel Dias ao LusoJornal.

No Panteão francês está pois a fotografia de Aristides de Sousa Mendes, assim como está inscrito o seu nome nas placas que estão na Allée des Justes-parmi-les-Nations (ou allée des Justes-de-France), junto ao Memorial da Shoah em Paris. Cerca de 3.900 nomes constam desta lista, entre os quais o antigo Cônsul português.

Mas Manuel Dias lembrou também que Aristides de Sousa Mendes passou vistos a artistas, como por exemplo ao escritor francês Charles Oulmont, da Sorbonne, ou a Oficiais do exército francês. “Alguns foram alistar-se nos exércitos de resistência no Norte de África, outros seguiram para Londres, como foi o caso do General Leclerc, que foi salvo por Aristides de Sousa Mendes e pode assim juntar-se ao General De Gaule e desembarcar, mais tarde, na Normandie”.

A Ministra Geneviève Darrieussecq foi sensível a esta intervenção de Manuel Dias ao ponto de ter deixado o discurso que tinha preparado, para agradecer o Vice-Presidente do Comité Sousa Mendes por ter evocado Simone Veil e o General Leclerc. Geneviève Darrieussecq estava visivelmente emocionada com a homenagem ai diplomata português.

Foram depostas coroas de flores em frente do busto de Aristides de Sousa Mendes, ouviram-se os hinos dos dois países e no final da cerimónia, foi entregue a Geneviève Darrieussecq a Medalha dos 80 anos do Comité Sousa Mendes, o catálogo da exposição “Exil” atualmente no Rocher de Palmer, em Cenon, e o livro “Aristides de Sousa Mendes, Héros ‘Rebelle’, Juin 1940” coordenado por Manuel Dias. A entrega foi feita pelo próprio Manuel Dias e pelo Cônsul Geral de Portugal em Bordeaux, Mário Gomes.

 

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