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A coreógrafa e bailarina Marlene Monteiro Freitas e a artista visual Leonor Antunes participam no Festival d’Automne em Paris, que decorre até 18 fevereiro de 2022, em 50ª edição, em dezenas de espaços culturais da capital francesa.

“Mal – Embriaguez Divina”, de Marlene Monteiro Freitas, estreado no ano passado, a nível nacional, em Lisboa e Porto, e no estrangeiro, em Hamburgo, será apresentado entre 03 e 13 de novembro, no Centre Georges Pompidou, e no Théâtre de Montreuil – Centro Dramático Nacional.

O título desta criação da coreógrafa cabo-verdiana – baseado na obra “La littérature et le mal”, de George Bataille – faz múltiplas referências à ambivalência do mal, que pode significar mal-estar, desconforto, dor, sofrimento, agonia, tristeza, tormento, carência, horror, mas também o mal em si mesmo.

A coreógrafa – que tem sido considerada pela crítica de dança como uma das vozes mais originais da atualidade, galardoada com o Leão de Prata da Bienal de Veneza, em 2018 – cria mundos poéticos e inspira-se em motivos mitológicos, ao mesmo tempo que brinca com referências da alta cultura e da cultura pop.

Leonor Antunes tem, por sua vez, desde 18 de setembro, uma exposição patente na capela da Escola de Belas Artes de Paris e na Maison André Bloc de Meudon, no âmbito da programação do festival, onde exibe um conjunto inédito de esculturas em cerâmica, inspiradas noutras mulheres criadoras, nomeadamente ‘designers’, arquitetas e artistas plásticas que marcaram a história do século XX.

Na capela, as peças da artista portuguesa, suspensas e em diálogo com as peças do templo, remetem para os trabalhos de diversas destas figuras, desde a japonesa Michiko Yamawaki, que estudou na Bauhaus, escola de arte vanguardista da Alemanha (1930-1932), e Charlotte Perriand, a propósito das criadas durante o tempo que passou no Japão.

Intitulada “The homemaker and her domain”, a exposição da artista, que representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 2019, estará patente até 28 de novembro, no quadro da secção de artes plásticas do festival.

Além destas duas criadoras lusófonas, também o dramaturgo e encenador Tiago Rodrigues passou pelo festival, na última semana, para levar ao palco a performance “Échelle Humaine – By Heart”, na qual o criador convida dez espetadores a subir ao palco para tentar memorizar com ele excertos de textos e citações de William Shakespeare, Ray Bradbury, George Steiner e Joseph Brodsky.

De caráter multidisciplinar e internacional, o Festival de Outono de Paris, lançado em 1972, procura acompanhar a produção das obras dos artistas, além de as exibir, dando lugar a espetáculos de performance, música, cinema, artes plásticas, e nesta edição dos 50 anos foca-se sobretudo no teatro e na dança.

Ainda do mundo lusófono, estarão presentes vários artistas brasileiros: Gabriela Carneiro da Cunha, com a performance “Altamira”, e, na dança, Marcela Levi e Lucia Russo, com “Let it burn”, Lia Rodrigues com “Encantado” e “Exercice M, de mouvement et Maré”, Thiago Granato levará “The Sound They Make When No One Listens”, Renata Carvalho apresenta “Manifesto Transpofágico”, Cristina Moura leva “Ägô”, Marcelo Evelin, “AI, AI, AI”, Luiz de Abreu e Calixto Neto apresentam “O Samba do Crioulo Doido”, e Volmir Cordeiro mostra “Métropole”.

No certame, vão marcar ainda presença nomes conceituados da dança, como Anne Teresa de Keersmaeker, através da coreografia “Drumming Live”, e Jerôme Bel, para a estreia de “Xiao Ke”, com espetáculos entre outubro e dezembro.

 

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