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Corentin Martins, agora Treinador da Seleção da Mauritânia, nasceu em Brest a 11 de julho de 1969. O lusodescendente começou por praticar futebol tendo passado por vários clubes como o Brest, o Auxerre com o qual foi Campeão de França em 1996, o Strasbourg, o Bordeaux ou ainda o Deportivo de La Coruña em Espanha. No que diz respeito às Seleções, enquanto jogador optou por representar a França com a qual participou no Euro 1996 onde os Franceses foram eliminados nas meias-finais pela República Checa.

Após a carreira de futebolista e de internacional francês, com 14 jogos realizados, Corentin Martins decidiu optar pela carreira de Treinador. No Brest começou por ser Diretor técnico, mas depois teve de assumir a equipa em três ocasiões. O lusodescendente acabou por deixar o Brest em 2013, e eis que surgiu a oportunidade de treinar a Seleção da Mauritânia, desafio que aceitou em 2014.

Corentin Martins marcou a história do país ao qualificar a Mauritânia pela primeira vez para a fase final do CAN – Campeonato Africano das Nações – que decorre até 19 de julho no Egipto.

Na fase de grupos, a Mauritânia perdeu por 4-1 frente ao Mali, empatou sem golos frente a Angola, e também empatou sem golos frente à Tunísia. Com apenas dois pontos a Mauritânia terminou no último lugar com 2 pontos.

Na hora da despedida, Corentin Martins falou com o LusoJornal.

 

Com um triunfo a Mauritânia teria alcançado os oitavos de final… Com o empate sem golos frente aos Tunisinos, o sonho acabou…

Fica-se com um sabor um pouco especial, um pouco amargo, mas é assim o futebol. O futebol é: quando temos ocasiões, temos de marcar golos, e não conseguimos, sobretudo na primeira parte onde tivemos várias oportunidades. Quero agradecer os jogadores que fizeram um grande jogo. Fizeram grandes jogos sobretudo o segundo e o terceiro, respetivamente frente a Angola (0-0) e frente à Tunísia (0-0). Agora vamos recuperar e pensar no futuro. Espero que a Mauritânia esteja presente regularmente no CAN.

 

O que faltou à sua equipa?

Faltou um pouco de calma no último passe, nos remates à baliza. Os meus jogadores não jogam em grandes clubes, não jogam em grandes Campeonatos, e não é fácil chegar ao CAN e pedir aos meus jogadores que vençam a Tunísia que participou no último Mundial de 2018, sobretudo que para nós era a primeira participação no CAN.

 

No entanto sai com boas ilações do Torneio?

Há muitas coisas boas para o futuro sobretudo com as exibições frente a Angola e à Tunísia. Os jogadores fizeram dois grandes jogos e mereciam melhor, mas o futebol é assim. Há que saber bem defender, como fizemos durante o 2° e o 3° jogo, e marcar os golos nas oportunidades que tivemos, mas não conseguimos.

 

Como avalia esta experiência?

Eu queria ultrapassar a fase de grupos, mas não conseguimos. Temos de aprender rápido no futebol para poder derrotar as nações contra as quais jogámos.

 

Com que sentimento pessoal sai da prova?

Foi uma grande alegria estar presente no CAN porque foi a primeira vez que a Mauritânia se apurou para a fase final da prova. Admito que não pensei chegar ao CAN quando cheguei ao comando técnico desta Seleção, mas conseguimos.

 

Qual é a força da Mauritânia?

A força é o grupo porque não temos jogadores que são capazes de fazer a diferença e vencer um jogo quase sozinhos. É uma equipa unida.

 

Pensou em algum momento que poderia ser Treinador depois da sua carreira como futebolista?

Antes, o que queria era jogar ao futebol, quando era futebolista, depois não tinha a certeza de ser Treinador, mas o certo é que a minha paixão é o futebol. Quando era Diretor técnico do Brest acabei por assumir algumas vezes o comando técnico da equipa, e depois surgiu esta oportunidade com a Mauritânia. É uma alegria estar aqui.

 

Não participou a um Mundial enquanto jogador, mas já participou no CAN enquanto Treinador, compensa por não ter estado em outras provas internacionais?

Compensa sim. Quando és jogador e és treinador, é muito diferente. Quando és jogador, apenas pensas em jogar e em treinar, só pensas em ti, quando és treinador tens de pensar em tudo e em todos.

 

A língua portuguesa tem sido útil em África?

Sempre falei português em casa com os meus pais, e até tem ajudado quando vou a países lusófonos. Durante a fase de apuramento fomos a Angola e eu traduzi tudo e para todos (risos). É útil nas deslocações para países lusófonos: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. A língua portuguesa é importante.

 

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