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Mélissa da Silva, a aposta luso-francesa do CDS-PP

Mélissa da Silva, franco-portuguesa, vai ser cabeça de lista do CDS-PP pelo círculo eleitoral da Europa às próximas eleições legislativas.

Nascida em Paris, Mélissa da Silva foi a escolhida pelo Partido dirigido pela líder, Assunção Cristas, e quer ser a voz de todos os Portugueses residentes nos diversos países da Europa.

O LusoJornal falou com Mélissa da Silva para conhecer os objetivos da jovem lusodescendente que se lança na sua primeira aventura política.

 

Como surgiu esta oportunidade de representar o CDS-PP nas Legislativas?

Fui convidada pelo CDS-PP. Houve propostas de ambas as partes. Eu queria defender os direitos dos emigrantes e dos lusodescendentes. Eu e a Dra. Assunção Cristas chegámos a acordo de que juntas poderíamos defender os mesmos objetivos por isso juntei-me ao CDS-PP.

 

É a sua primeira experiência política?

Sim. Pela primeira vez entro na vida política. Eu tenho um Mestrado de comunicação, relações públicas e publicidade. Trabalhei também como jornalista. No entanto tenho ideias para defender os emigrantes e achei que era o bom momento para isso. Os emigrantes e os lusodescendentes têm uma voz e os representantes que temos neste momento não nos correspondem ou muito pouco. Estamos sempre com uma certa falta de reconhecimento. Temos uma identidade portuguesa a defender e no entanto somos sempre considerados como estrangeiros. Não é porque estamos fora que não contribuímos para Portugal. Por exemplo quando vamos de férias a Portugal. Então se contribuímos, temos de ter uma voz também em Portugal.

 

O CDS-PP é uma oportunidade para a Mélissa se lançar na política?

É uma oportunidade sim, mas porque corresponde aos valores que pretendo defender. O CDS-PP achou que eu era a candidata certa. Além de ser jovem, tenho ideias e quero que os emigrantes e lusodescendentes tenham a representação que merecem. Sou a pessoa ideal para defender os interesses dos Portugueses no círculo europeu. Eu acredito naquilo que juntos podemos fazer com o CDS-PP.

 

Ainda podemos acreditar nesta Europa?

Sim. Podemos acreditar na Europa e temos de continuar. A Europa é importante. Queremos ser a voz dos Portugueses numa Europa humanista e solidária entre as várias gerações e que olha para a coesão social como prioritária. Uma Europa social e responsável.

 

Quais são as ideias que defende?

Temos de continuar a defender a livre circulação das pessoas e dos bens, defender o ensino da língua portuguesa, como parte da nossa cultura onde não há professores suficientes para isso. Defendo também um estatuto fiscal mais leve para os emigrantes e um portal único para os residentes fora de Portugal, bem como impostos justos sobre automóveis, propriedades e rendimentos. São as principais preocupações que quero defender.

 

Acha que os atuais representantes podiam fazer mais?

Eles podiam fazer mais e melhor. Pois eles estão dentro da Comunidade há muito tempo, participam nos seus eventos e conhecem bem os problemas e as dificuldades que reivindicamos. Podiam ter feito muita coisa, mas não fizeram. As pessoas que estão em França estão fartas de verem as mesmas pessoas que não fazem nada ou pouco para elas. Essas pessoas já não acreditam naqueles que nos representam e é por isso que não votam. Eu vou trabalhar para ser eleita, para mudar as coisas com o apoio do CDS-PP, porque acredito no que posso melhorar. Quero também defender os emigrantes e os lusodescendentes no Parlamento português.

 

Há uma falta de reconhecimento dos jovens por Portugal?

Os jovens lusodescendentes não se sentem reconhecidos por Portugal. Eu sou lusodescendente e admito que não me sinto reconhecida em Portugal. Somos considerados como estrangeiros quando estamos em Portugal. Admito que os lusodescendentes não se interessam pela política portuguesa porque nunca foram solicitados. Os nossos representantes não se interessam pelos problemas dos jovens aqui, mas os jovens são o futuro. No entanto os lusodescendentes têm de recuperar essa identidade portuguesa e interessar-se pela política que se faz em Portugal. Somos Portugueses e temos direitos. Não é porque estamos no estrangeiro ou porque não nascemos em Portugal que não somos Portugueses. A nossa cultura, a nossa língua, é a portuguesa. Temos uma dupla cultura e isso é uma riqueza. Temos de a defender.

 

Os Portugueses em França, sentem-se mais portugueses em França e menos em Portugal?

Os jovens têm de ter orgulho em ser Portugueses em França mas também têm de se considerar Portugueses em Portugal. Tem de haver essa ligação. Por isso eles têm de entrar neste processo político. Os jovens vivem ‘Portugal’ a 200% aqui com festas, associações, etc. Mas quando chegam a Portugal, têm receio de se exprimirem, têm receio de serem criticados. Eu penso que mesmo não falando corretamente o português, é uma parte nossa. Temos de ser Portugueses também em Portugal. Temos direitos como todos os Portugueses.

 

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