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O Natal é sempre um momento de enorme significado para o mundo das Comunidades portuguesas sendo um tempo de reencontro com a família, com os amigos e uma oportunidade, para muitos, de regressarem ao nosso país e passarem alguns dias nas suas terras de origem.

O facto de passarem a estar longe das suas terras levou todos estes Portugueses a construírem a sua vida com base na família, nos amigos e no apego, sempre presente, a Portugal. Esta ligação forte das Comunidades portuguesas ao nosso país é um dos traços distintivos da nossa Diáspora e algo que deve merecer das autoridades nacionais um justo reconhecimento.

Este é também um tempo de balanços daquilo que aconteceu no plano político na área das Comunidades portuguesas, nomeadamente, na sua relação com o país e, muito especialmente, naquilo que foi, ou não, feito para resolver efetivamente os problemas de todos os nossos compatriotas que residem no estrangeiro indo ao encontro dos seus anseios e das suas necessidades.

Este foi um ano que conheceu dois atos eleitorais e que, por isso mesmo, foi profícuo em anúncios, em promessas e na criação de muitas expetativas entre os Portugueses que residem fora de Portugal. Mas foram apenas isso: anúncios. Promessas que não foram concretizadas e que deixaram por resolver os graves problemas porque que passam algumas das nossas estruturas de atendimento consular.

Infelizmente, este também foi o ano em que as nossas Comunidades viveram momentos de enorme dificuldade, como foi o caso da Venezuela, da África do Sul e, por razões diferentes, da nossa Comunidade no Reino Unido. Essas dificuldades irão certamente manter-se em 2020 e, como tal, merecem uma atenção muito especial por parte do Governo.

Na verdade, 2019 fica na história como um ano em que a degradação dos serviços consulares atingiu níveis sem paralelo no sec. XXI, um ano em que o apoio social atingiu, também ele, níveis muito baixos e onde a política de língua e cultura se traduziu apenas na manutenção da situação existente sem qualquer perspetiva de futuro.

Assim, entre o discurso político de alguns e a realidade, vai uma distância que supera, em muito, a própria distância geográfica a que os Portugueses residentes no estrangeiro estão sujeitos.

Perante esta situação, é imperioso que o Governo tenha uma política responsável que vá para além dos anúncios, através da aplicação de políticas concretas para responder às necessidades, sejam elas sociais ou administrativas das nossas Comunidades que mesmo assim continuaram a acreditar e a investir em Portugal.

Num momento em que se discute e se opina sobre o Orçamento de Estado para 2020 seria bom que todos tivessem em conta na análise que fazem o contributo concreto para a nossa economia das remessas dos nossos emigrantes, o valor do investimento das nossas Comunidades portuguesas e o papel que as empresas dos Portugueses que residem no estrangeiro podem desempenhar na afirmação do nosso país externamente.

A todos desejo um Bom Natal e um excelente Ano de 2020.

 

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