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Miguel Magalhães vai deixar esta semana a Direção da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e já assumiu, desde 1 de janeiro, a Direção do Programa Gulbenkian Cultura em substituição de Rui Vieira Nery. Para dirigir a Delegação da Gulbenkian em Paris vem, a partir de 1 de março, Nuno Vassallo e Silva.

Miguel Magalhães chegou a Paris há quase 10 anos, em 2011, quando a Fundação saiu da avenue d’Iéna para se instalar na avenue de la Tour Maubourg, junto aos Invalides, e depois no edifício da Fondation Maison des Sciences de l’Homme, no boulevard Raspail, onde está atualmente. Quando chegou a Paris foi Adjunto do então Diretor João Caraça, tendo assumido em 2017 a Direção da Delegação da instituição. Com 55 anos de presença em França, a Delegação da Gulbenkian em Paris já teve Diretores como José-Augusto França, Maria de Lourdes Belchior, António Coimbra Martins, Francisco Bettencourt ou João Pedro Garcia.

A Fundação Calouste Gulbenkian tem em França uma biblioteca que se encontra agora nas instalações da Residência André de Gouveia – Casa de Portugal, na Cidade Universitária de Paris, tem um programa de apoio a exposições de artistas portugueses em França e mantém um conjunto de parcerias com instituições culturais francesas. “Deixo uma casa arrumada” diz Miguel Magalhães ao LusoJornal.

Apesar da pandemia de Covid-19, a biblioteca praticamente não fechou, embora com atendimento restrito ao público. Para instalar a biblioteca na Casa de Portugal, foi alienado cerca de 30% do fundo bibliotecário. “Foram identificadas três áreas que são essencialmente consultadas em França: a literatura e a história da literatura; arte e arquitetura; ciências sociais ligadas à história de Portugal. Foram estas as áreas que guardámos” explicou o Diretor cessante da Delegação. “Alienámos por exemplo uma coleção sobre a história da Faculdade de Direito de Coimbra e publicações que praticamente não eram procuradas”. Este fundo bibliotecário foi cedido a outras bibliotecas, em França e em Portugal.

Miguel Magalhães lembra as exposições que organizou nas instalações da Fundação, na avenue de la Tour Maubourg, de Paula Rego, de Rui Chaffes e a exposição “Pliure” sobre arte e livros. Mas também recorda a exposição “hors murs” sobre Amadeo de Sousa Cardoso no Grand Palais que teve cerca de 80.000 visitantes.

Agora a Fundação não organiza exposições diretamente, mas apoia instituições francesas, museus e centros culturais que organizem exposições com artistas portugueses. No concurso de 2020 concorreram 22 instituições implicando cerca de 50 artistas portuguesas. “A Fundação apoiou 8, mas há um grande interesse” garante Miguel Magalhães. “Não apoiamos diretamente os artistas, mas apoiamos instituições que queiram expor os artistas contemporâneos portugueses em França. Esta é uma forma de apoiar a promoção da cultura portuguesa em França”.

“Saio com o sentimento de dever cumprido” diz Miguel Magalhães ao LusoJornal. “Quando cheguei, não esperava que fosse para ficar 10 anos, mas vou com grandes e boas recordações”. E acrescenta que “como sabe eu sou de uma geração que é mais de cultura anglófona, mas durante estes quase 10 anos ganhei um gosto muito grante pela cultura e pela língua francesa. Saio daqui um pouco francês”.

Miguel Magalhães diz que se integrou “bem e rapidamente” e diz que regressa a Lisboa depois de 10 anos “cheios de acontecimentos, mas também de greves e de atentados terroristas,… Mas levo boas recordações e deixo aqui muitas amizades”.

A Fundação tem em Paris uma equipa de 10 colaboradores e o grande desafio, segundo Miguel Magalhães, é o de “continuar a seduzir as instituições culturais e universitárias francesas para a cultura portuguesa”, assim como estar preparada para a Temporada cultural França-Portugal que vai ter lugar no primeiro semestre de 2022 e na qual a Fundação Calouste Gulbenkian está muito ativa.

“Paris continua a ser uma capital europeia culturalmente muito dinâmica. É uma placa cultural giratória com responsabilidades acrescidas no seguimento do Brexit. Por outro lado, Portugal continua afastado dos centros de difusão. Por isso, ter esta Delegação da Fundação em Paris é muito importante, até para assegurar o diálogo com outras fundações europeias”.

Miguel Magalhães regressa a Lisboa para dirigir um dos três pilares da atividade cultural da Gulbenkian, a par do Museu e da Música.

Nuno Vassallo e Silva que assume as funções de Diretor da Delegação no dia 1 de março, era até aqui Diretor Adjunto do Museu da Fundação Calouste Gulbenkian e foi, em 2015, durante cerca de um mês, Secretário de Estado da Cultura no Governo de Pedro Passos Coelho, no seguimento das eleições legislativas de 4 de outubro de 2015 – o mais curto executivo, em 40 anos, da democracia constitucional em Portugal.

 

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