Fundação Calouste Gulbenkian França

Morreu a atriz e encenadora Teresa Mota

Cultura

 

Morreu este fim de semana, vítima de um cancro, com 81 anos de idade, a atriz Teresa Mota, mãe de Emmanuel Demarcy-Mota, o atual Diretor do Théâtre de la Ville, em Paris.

Teresa Mota nasceu em Tomar em julho de 1940 e foi atriz do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, antes de vir para Paris, nos anos 60, embora guardando sempre uma ligação estreita com Portugal, onde vive aliás o irmão, João Mota, Diretor da Comuna – Teatro de Pesquisa.

Antes de vir para Paris, Teresa Mota já era conhecida em Portugal, nomeadamente pela sua participação na televisão, ainda adolescente no programa infantil “As cartas do tio João (e da sua sobrinha Teresinha)” com Gustavo Fontoura.

Também se destacou nos filmes “O Improviso do Barba-Azul” (1959), “O Pobre Mentiroso” (1959), “Raça” (1961), “Histórias Simples da Gente Cá do Meu Bairro” (1961), “Madame Sans-Gêne” (1962), “Sete Pecados Mortais” (1966) ou “Meus Amigos” (1974).

Entrou em vários filmes franceses, como “Le règlement intérieur” (1980) de Michel Vuillermet, contracenando com Patrick Chesnais; “La vie à l’envers” (2011), “La fin de la pellicule” (2014), “Florida” (2015), “Embrasse-moi” (2017) e em 2018 em “La monnaie de leur pièce” com Miou-Miou, Julia Piaton, Yannik Landrein, Baptiste Lecaplain, Margot Bancilhon, Anémone e François Morel.

No teatro, a sua interpretação em “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, quando ainda tinha 20 anos de idade, em 1961; pela mão de Amélia Rey-Colaço, fez com que obtivesse o prémio da crítica e tivesse o reconhecimento do público.

Em França casou com o encenador francês Richard Demarcy, que faleceu há três anos, e com ele fundou o Théâtre Naïf. Foi nesta companhia, que codirigiu durante mais de 25 anos, todos os espetáculos.

Enquanto atriz de teatro, participou pela última vez na peça “Ode Marítima” de Fernando Pessoa, encenada em 1989 por Richard Demarcy, e encenou uma dúzia de peças, quase todas escritas por Richard Demarcy, a última das quais “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett, em 1995, apresentada no Lavoir Moderne, em Paris.

Desde que Emmanuel Demarcy-Mota, o filho que teve com Richard Demarcy, começou a brilhar no teatro, Teresa Mota foi-se apagando, admirada que estava com o percurso do filho, primeiro no Théâtre de la Commune, em Aubervilliers, depois como mais jovem diretor de uma “Scène Nationale” em Reims, até assumir a Direção do Théâtre de la Ville, do Festival d’Automne e da Temporada Cruzada França-Portugal que vai começar dentro de poucas semanas.

Teresa Mota limitou-se então às aulas de Língua e Teatro na Universidade de Paris 3 Sorbonne Nouvelle, deixando boas recordações em centenas de alunos. Na década de 90 ajudou os alunos a prepararem várias peças para o Festival de Teatro Português em França e foi aliás membro do júri do Festival organizado pela Coordenação das Coletividades Portuguesas de França, logo no início do projeto.

 

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