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A poetisa popular Angélia Pinto – mais conhecida por Dona Angélia – faleceu em Paris com 87 anos, vítima de doença prolongada, segundo uma notícia do jornal Portugal Sempre.

Angélia da Ascensão Viegas Gonçalves Pinto nasceu no 18° bairro de Paris em 29 de maio de 1933. Os pais, algarvios, vieram para França trabalhar logo depois da I Guerra, mas regressaram a Portugal fugindo da II Guerra Mundial, refugiando-se em Loulé.

Foi em Paris que a pequena Angélia aprendeu a ler, mas em Portugal fez o ensino primário em Loulé e em Santa Bárbara de Nexe, no concelho de Faro. Com apenas 11 anos e com a quarta classe, deixa de estudar para começar a trabalhar. Guardou, no entanto, uma grande paixão pelas letras e foi acumulando ao longo da vida uma impressionante cultura geral.

Foi certamente no Algarve, com a idade de 11 anos, que começou a dizer os primeiros versos, muito à imagem do poeta António Aleixo.

Angélia Pinto regressou a França em 1961, já casada com um Milhoto de Fafe, António Pinto. A filha Almerinda nasceu em Lisboa e o filho Gérard já nasceu em Paris. Entretanto já estava viúva há muitos anos.

Dona Angélica frequentava os eventos culturais da Comunidade portuguesa, nomeadamente as noites de Fado, sempre com folhas de papel e um lápis, onde ia notando, em verso, o desenrolar dos eventos. Por vezes era chamada a resumir a noite nos versos que tinha escrito.

Era também uma participante assídua dos programas de poesia das rádios portuguesas de Paris, desde a Rádio Eglantine, o Rádio Clube Português, a Frequência Portugal FM e agora a Rádio Alfa.

Alguns dos seus poemas estão publicados na Antologia do Círculo dos Poetas Lusófonos de Paris, editado pelas Editions Lusophones.

 

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Um sorriso

 

Um sorriso, sim Senhor,

Mas não dado por favor

Tem tanto, tanto valor!…

 

Ele acalma e anima…

Vale mais que a vitamina

Pró coração que se amofina:

Afasta os maus pensamentos;

De uma vida de tormentos,

De um coração isolado

Que passa a nosso lado

E que fica mais consolado

Com esse sinal de simpatia,

Dando um pouco de alegria

A quem triste se sentia!…

 

O sorrir tem fortuna e beleza;

Que até quem está na pobreza

Possui e pode dar essa riqueza!

 

in “Antologia” do Círculo dos Poetas Lusófonos de Paris (Editions Lusophones)

 

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