LusoJornal / Carlos Pereira

Mortos Portugueses da I Guerra foram homenageados em Pessac

A associação O Sol de Portugal, organizou uma homenagem aos soldados portugueses mortos durante a I Guerra Mundial. A cerimónia realizou-se em Pessac (33), nos arredores de Bordeaux, no quadro do evento «Portugal d’Avril» e teve três momentos: uma homenagem pública em frente do monumento aos mortos na Grande Guerra, a inauguração de uma exposição no hall de entrada da Mairie da cidade e uma conferência sobre este tema na sala do Conseil Municipal.

«Este ano comemora-se o Centenário da Batalha de La Lys e nós achamos que tínhamos de organizar este evento que é desconhecido tanto pelos Portugueses que pelos Franceses. Era uma oportunidade para evocar esta efeméride» explicou ao LusoJornal Isabel Pereira Vincent, Vice Presidente da associação e Responsável pelas relações com Portugal. «Para nós era importante homenagear os Portugueses mortos, para nós são soldados esquecidos».

«Eu não sou portuguesa e não conhecia esta batalha. Na história de França não nos ensinam isso» confessou ao LusoJornal Marie Claude Valdin, a Presidente da associação O Sol de Portugal.

O monumento aos mortos está na praça mesmo em frente da Mairie de Pessac. As associações de antigos combatentes responderam ao apelo da associação franco-portuguesa e, pela primeira vez, desfilou a bandeira do recentemente criado Núcleo de Bordeaux da Liga dos Combatentes.

«Por ocasião do Centenário da Batalha de La Lys, o Sol de Portugal quis prestar homenagem hoje a estes esquecidos da história, mortos pela liberdade da França» disse Isabel Vincent no seu discurso, antes de passar a palavra ao Cônsul Geral de Portugal em Bordeaux, Marcelo Mathias.

«Estamos aqui reunidos para evocar o Corpo Expedicionário Português e prestar homenagem a estes soldados que se bateram neste conflito tão cruel e mortífero que foi a Batalha de La Lys» disse Marcelo Mathias no seu discurso. «Hoje, 100 anos depois desses eventos dramáticos, para Portugal, para a França e para a Europa, temos de lembrar a coragem dos soldados portugueses que lutaram incansavelmente para defender uma outra pátria em condições particularmente severas».

Em frente estava o Presidente do Conselho Regional, alguns autarcas de origem portuguesa – Ana Maria Torres de Bordeaux e Fernanda Alves de Cenon, assim como outros autarcas de Biscarosse e de Pessac. Ausente estava o Maire de Pessac.

«100 anos depois, mais de um milhão de Portugueses e seus descendentes estão integrados em França, constituindo uma Comunidade portuguesa que é fator essencial da união entre os nossos dois povos e das relações priviligiadas que mantêm os nossos dois países» disse Marcelo Mathias. «A melhor homenagem que podemos prestar a todos estes soldados mortos na Batalha de La Lys é o de lhes dizer que têm a nossa gratidão e a nossa memória».

Já dentro do hall de entrada da Mairie foi inaugurada a exposição sobre a participação do CEP na I Guerra Mundial.

Manuel Dias, do Coletivo Aristides de Sousa Mendes e da Liga dos Combatentes, que realizou a exposição com fotografias de Alnaldo Garcez, em colaboração com o LusoJornal, lembrou o «dever de memória» e apelou para que todos possam falar da participação dos Portugueses na I Guerra Mundial.

Seguiu-se uma conferência sobre a participação dos Portugueses na I Guerra Mundial, pelo jornalista Carlos Pereira, Diretor do LusoJornal. A conferência, que juntou várias dezenas de pessoas, teve lugar na sala do Conseil Municipal.

A associação Sol de Portugal foi criada em 1981 por jovens da segunda geração e o evento «Portugal d’Avril» realiza-se há 25 anos em Pessac. Começou no dia 6 de abril com uma sessão de Contos em casa de pessoas particulares, que transformam a sala de jantar em sala de espetáculo, inclui uma noite de cinema com os filmes «Soleil battant» e «Cartas de guerra» e vai acabar com um concurso de cozinha. «Todas as equipas têm os mesmos ingredientes e têm de encontrar uma receita. Em função das origens dos participantes, os mesmos ingredientes dão pratos diferentes, que depois são provados durante um jantar» explica Isabel Pereira Vincent ao LusoJornal.