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Desporto

 

Nélia Barbosa trouxe a Medalha de prata dos 200 metros KL3 dos Jogos paraolímpicos de Tóquio em 2020. Agora treina para os Mundiais que vão ter lugar no próximo ano em Portugal e depois para os Jogos paraolímpicos de Paris em 2024 Nada melhor para ligar os seus dois países!

Nélia Barbosa nasceu em Lisboa e vai fazer no dia 8 de outubro 24 anos. O pai é da Guiné-Bissau e a mãe é francesa, mas trabalhou em Portugal. “Eu tenho uma ligação forte com Portugal, onde vivi 8 anos e meio. É o meu país de coração, estou muito ligada a Portugal, é um país muito bonito” confessa ao LusoJornal.

Nélia Barbosa começou a fazer canoagem com apenas 10 anos de idade, durante uma colónia de férias na ilha da Córsega. “Numa colónia de férias, na Córsega, fizemos muitos desportos náuticos, entre os quais a canoagem e eu adorei. Quando regressei, quis integrar um clube e desde então nunca mais deixei” conta a atleta, que pratica em Champigny-sur-Marne (94). “No início não gostava da competição porque tinha receio, mas pouco a pouco comecei a participar em competições regionais, nacionais e depois internacionais”.

Com 15 anos de idade, os médicos diagnosticaram-lhe uma neurofibromatose na canela direita e aos 18 anos decidiram que a solução passava pela amputação da parte inferior da perna.

“Quando me disseram que me iam amputar a perna, eu perguntei logo se podia continuar a fazer canoagem. Responderam-me que sim, então disse ‘vamos lá’” conta com humor.

Nélia Barbosa estudou em Saint Maur-des-Fossés, e tem um BTS em desenho de produtos, também estudou grafismo interativo. Treina intensivamente e os resultados são bem visíveis: Medalha de prata nos Europeus de 2019, Medalha de ouro numa manga dos Mundiais de 2020, Medalha de prata nos Europeus de 2021, Medalha de Prata nos Jogos paraolímpicos de 2021, e este ano já ganhou também uma Medalha de prata nos Europeus de Munique.

Agora espera passar a alcançar Medalhas de ouro. “No próximo ano, aos Campeonatos do mundo terão lugar em Portugal e eu estou com muita esperança de participar, assim como nos Jogos paraolímpicos de Paris, em 2024, para competir em casa” diz Nélia Barbosa na entrevista ao LusoJornal.

De Tóquio não trouxe apenas uma Medalha de prata. O Banque BCP identificou-a na comitiva francesa e passou a patrociná-la. “O Banque BCP viu que Barbosa era um nome português, perguntaram-me se eu tinha uma ligação com Portugal e decidiram apoiar-me” diz contente.

“Por cada temporada nós precisamos de cerca de 35 a 40 mil euros e o Banque BCP ajuda-me muito”. A embarcação é praticamente a mesma para todos os atletas, mas tem uma pequena adaptação à sua própria deficiência. Aliás, Nélia Barbosa treina normalmente com os restantes atletas do clube, em Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris. Uma terra muito ligada a Portugal por aí ter sido implantado o maior bairro de lata da Europa, nos anos 60, acolhendo essencialmente portugueses.

Nélia Barbosa esteve no fim de semana passado no stand do Banque BCP na “La Parisienne” – a corrida feminina de 7 km nas ruas de Paris, para angariação de fundos para o cancro da mama. “Ao mais alto nível eu represento a França, mas também tenho esta ligação com Portugal, quanto mais não seja pelo patrocínio do Banque BCP. Este é um perfeito equilíbrio entre a França e Portugal e eu estou muito feliz por estar aqui” conta.

A atleta falou com as participantes, motivou-as para praticarem desporto e mostrou sobretudo que, quando há vontade, é possível derrubar barreiras.

 

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