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O PS assinalou esta quarta-feira o Dia de Portugal com uma conferência digital com representantes das Comunidades portuguesas e durante a qual foi transmitida uma comunicação a cargo do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

A conferência, intitulada “Portugal de hoje pelo olhar das Comunidades portuguesas”, teve coordenação dos dois Deputados eleitos pela emigração, Paulo Pisco (Europa) e Paulo Porto (Fora da Europa) e foi encerrada pelo Secretário-geral adjunto dos socialistas, José Luís Carneiro.

Numa intervenção gravada em que se ouviam cantar os galos em fundo sonoro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros apontou o alargamento do recenseamento automático a todos os Portugueses residentes no estrangeiro como “o momento mais alto” dos últimos anos na valorização da participação política dos emigrantes.

“Isto fortalece a participação política e fortalece a legitimidade política daqueles que representam os nossos concidadãos que vivem no estrangeiro”, afirmou Santos Silva.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, a extensão do recenseamento automático já significou a multiplicação dos votos da emigração nas últimas eleições legislativas e europeias.

Na sua mensagem, Augusto Santos Silva, que nas últimas eleições legislativas foi eleito deputado pelo círculo de fora da Europa, recordou ainda que existem atualmente cerca de 2,3 milhões de emigrantes Portugueses, mas que se juntarem a esses os descendentes de portugueses que se foram estabelecendo no estrangeiro se chegará “facilmente a mais de cinco milhões de pessoas”.

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o Ministro dos Negócios Estrangeiros assinalou igualmente o que o Governo socialista tem feito desde 2015 para valorizar as Comunidades e estar mais próximo das “suas aspirações, das suas necessidades e também dos projetos”, apontando como exemplos a rede de gabinetes de apoio aos emigrantes e o reforço da rede consular.

Paulo Pisco destacou o facto de, desde 2016, as celebrações do Dia de Portugal passaram a ter lugar também nas Comunidades, o que considerou ser “um facto de primeira importância”.

 

Karine da Costa falou de turismo

Participaram nestes diálogos virtuais Karine da Costa (França), João Carlos Durão (Luxemburgo), Paulo Gomes (Suíça), Sofia Pone (África do Sul), António Marcos Pereira (Brasil) e Clementina Santos (Canadá). A ideia era que cada participante desse “a sua visão sobre o Portugal de hoje, bem como a sua visão para o futuro do país”.

Karine da Costa é uma jovem lusodescendente de Paris, empresária na área dos vinhos. Os pais nasceram em Portugal e falou essencialmente de turismo. “Antigamente, Portugal era uma coisa muito longe, geograficamente e economicamente, hoje os Franceses estão cada vez mais informados sobre a cultura portuguesa, e temos agora mais mercado para os produtos portugueses em França” disse Karine da Costa. “Mas isto é só o princípio”.

A lusodescendente considera que Portugal tem crescido com o turismo “e com pessoas que procuram um lugar seguro onde tenham bom acolhimento, isso é a imagem de Portugal hoje”.

Karine da Costa considera que, por enquanto, o turismo ainda está muito concentrado nas grandes cidades, como Lisboa e Porto. “As pessoas têm de ir mais para o interior, necessitam de mais natureza, mais espaço, Portugal ainda tem muitas potencialidades” considera. “As pessoas também estão a mudar com a maneira de trabalhar. Muitas pessoas podem trabalhar à distância e as pessoas hoje querem viver longe das empresas, num sítio onde se sintam bem. Portugal é um destes lugares. Portugal está a atrair jovens à minha volta, jovens empreendedores, que querem ir para Portugal”.

Mas a lusodescendente considera que Portugal “tem de puxar mais” pelos aspetos culturais e identitários. “Antes de trabalhar com Portugal, eu ia só de férias, ia só ver a família, ia sempre às mesmas cidades, isso não abre as portas a conhecer Portugal. A bem dizer, eu ainda não conheço bem Portugal, vou descobrindo. Portugal tem de se focar mais na identidade, na cultura. É por isto que as pessoas gostam de Portugal”.

 

José Luís Carneiro continua fortemente ligado às Comunidades

Para Sofia Pone, da África do Sul, Portugal é visto sobretudo como um país seguro, em oposição à insegurança da África do Sul. Por isso destacou a importância das relações institucionais com as autoridades consulares e lamentou a redução da Comunidade residente naquele país.

João Carlos Durão, do Luxemburgo, afirmou que “Portugal é visto aqui como um paraíso” e evocou “o apreço pela forma como Portugal geriu a crise” e disse mesmo que “o Ministro das Finanças é visto aqui como um CR7”.

O luso-brasileiro António Marcos Pereira disse que para os Brasileiros “Portugal está na moda” e por isso considera-se “um defensor de Portugal”. Paulo Gomes, trabalha no CERN, na Suíça e falou da nova geração de emigrantes qualificados, que quer reforçar os laços com Portugal. Aliás, anunciou a criação de uma associação de graduados portugueses naquele país.

Finalmente Clementina Santos afirmou que “Portugal deixou de ser o pequeno retângulo, mas passou a ser precursor em muitas áreas”, no entanto opôs-se frontalmente ao “turismo de cruzeiros” que diz estar a transformar Lisboa.

Na sua intervenção final, o antigo Secretário de Estado das Comunidades e atual Secretário Geral Adjunto do Partido Socialista disse que “não há melhor forma de conhecermos o modo como os Portugueses representam Portugal no mundo, do que ter o privilégio de conviver com eles, de perceber de que forma se integram nos espaços sociais que os acolheram”.

José Luís Carneiro falou também do acolhimento que Portugal tem dado aos imigrantes e lembrou que “quando se fala da boa integração dos imigrantes em Portugal, temos de nos lembrar dos 5,7 milhões de Portugueses no mundo que esperam o mesmo tratamento nos países que os acolheram”.

O número dois do PS lembrou “o esforço que é feito diariamente para proporcionar aos Portugueses no mundo, as mesmas condições de cidadania que os Portugueses de Portugal” e disse que Portugal “esteve, está e estará de braços abertos para vos acolhermos quando vierem ao país”.

A conclusão coube a Paulo Pisco que disse que a passagem pela Secretaria de Estado das Comunidades deixou “uma marca profunda” em José Luís Carneiro e reforçou que “é uma felicidade nossa que ocupes o lugar que ocupas agora”.

 

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