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Esta semana estreou em França o filme brasileiro “Domingo” realizado por Fellipe Barbosa e Clara Linhart.

A ação do filme passa-se durante um almoço na casa de campo de uma família burguesa, no dia 1 de janeiro de 2003, quando Lula da Silva se torna Presidente do Brasil. Como um eco ao sismo político, tudo parece desregular-se na propriedade: uma revolta doméstica, a decadência da casa e as neuroses e os segredos de três gerações ameaçam tudo fazer ruir. O filme retrata também a visão de uma burguesia, que com a eleição do novo Presidente, teme pela perda dos seus privilégios.

“Domingo” é o primeiro filme corealizado por Fellipe Barbosa e Clara Linhart. Nos filmes anteriores realizados por Barbosa, Linhart era assistente de realização em “Casa Grande” (2014) e produtora em “Gabriel e a Montanha” (2017). Neste filme são ambos também produtores.

O filme é inspirado na infância do argumentista e amigo do realizador Lucas Paraizo e é aliás rodado na casa onde viveu quando era criança e onde várias situações da intriga do argumento se desenrolaram de forma mais ou menos semelhante. A propriedade situa-se numa pequena cidade do Estado do Rio Grande do Sul, a última que faz fronteira com o Uruguai.

Para Fellipe Barbosa e Clara Linhart, o lugar onde se desenrola a intriga foi fundamental para evocar a hipocrisia desta burguesia que não quer aceitar aquela mudança social.

Em tournée de promoção pelo filme em França, os realizadores foram questionados pelo site regards.fr sobre a situação atual no Brasil e a vitória na primeira volta de Jair Bolsonaro e defendem que “a ascensão do fascismo provem das mesmas razões históricas. É a crise económica, o desemprego e a violência”. Temem que não haja nenhum espaço para a reconciliação e a paz visto “ser uma eleição muito polarizada”. Mostram alguma esperança na eleição do candidato Haddad apostando na redução da abstenção, mas pensam que por uma lado já se perdeu porque muitos Deputados de Extrema-Direita foram eleitos e que entretanto “as pessoas já não têm medo de dizer coisas que já não se ouviam, como matar gays ou pagar menos as mulheres”.

Em entrevista à revista de cinema Première, Clara Linhart, que viveu alguns anos em França, compara a eleição de Lula da Silva com a eleição de François Miterrand em 1981, um momento de esperança para os mais pobres, mas de medo para os mais ricos que os seus privilégios de classe desapareçam.

“Domingo” é, portanto, um filme de atualidade porque reflete uma luta de classes ainda presente no Brasil, segundo os realizadores.

O filme é uma coprodução com o Arte France Cinéma e já foi nomeado para dois prémios, um dos quais de melhor filme no Venice Film Festival.

 

 

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