O regresso ao crime do ator Jean-Claude Pautot ao largo dos Açores

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O ator francês Jean-Claude Pautot foi detido ao largo do arquipélago dos Açores, com mais 9 companheiros, num veleiro matriculado na Venezuela, que transportava 740 kg de cocaína proveniente da América latina, embarcados na Martinique, em direção da França, e mais precisamente da região parisiense.

A detenção ocorreu a 27 de dezembro, sendo na altura apenas divulgadas as nacionalidades dos detidos – franceses, espanhóis e marroquinos – nas foi ontem tornado público que se trata do ator francês que ainda no verão passado subia as escadas de Cannes, por ser um dos atores do filme “L’innocent” de Louis Garrel.

Tendo sido detido pelas autoridades marítimas espanholas, no quadro de uma operação internacional, os presumíveis traficantes de droga foram levados para Cádis, onde permanecem presos.

No mesmo momento em que a embarcação foi intercetada em águas territoriais portuguesa, também em França foram detidas mais pessoas supostamente da mesma rede de traficantes, tendo sido apreendidas mais 390 kg de cocaína.

Antes de ser ator, autor de banda desenhada e pintor, Jean-Claude Pautot, agora com 66 anos, passou 28 anos na cadeia, condenado várias vezes por roubos e ataques a bancos. Foi mesmo considerado pela Administração penitenciária como DPS – detido potencialmente perigoso. Por isso, passou uma boa parte dos anos de cadeia no isolamento.

Antes, tinha estado cerca de 15 anos em fuga, vivendo com documentos falsos. Conseguiu mesmo abrir um hotel na Alemanha.

Em “L’Innocent”, o realizador Louis Garrel escolheu Jean-Claude Pautot para desempenhar o papel de um bandido. Mas em todas as entrevistas dizia ter-se desligado completamente do banditismo. “Tenho dois filhos, não vi crescer o primeiro, mas ocupo-me do segundo” disse ainda recentemente aos jornalistas.

Tinha publicado a sua própria história num livro de banda desenhada, intitulado “Face au Mur”, participou em oficinas de pintura quando ainda estava na prisão, e expunha agora nas mais reputadas galerias de Paris, como por exemplo a Gallerie Revel, onde expôs, em 2017, “De l’ombre à la lumière”.

Para além disso, ocupava-se de si próprio, fazendo um jogging todas as manhãs e praticando paddle.

Agora, regressou à cadeia.

 

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