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O vírus do futebol foi detetado pela primeira vez em Inglaterra nos meados do século XIX, e propagou-se pelo mundo, sem nenhuma vacina para o contrariar.

Contaminado pela variante inglesa, Portugal não escapou à regra, e há mais de um século que o futebol acompanha diariamente a vivência e as rivalidades lusitanas.

A poucas horas de um clássico português, quando os futebolistas do Futebol Clube do Porto e do Sporting Clube de Portugal pisarem o relvado do Estádio do Dragão, com as bancadas confinadas e sem o colorido dos adeptos, o “fiquem em casa” encontra aqui a sua maior expressão, longe de ser uma alternativa para canalizar as emoções.

De um lado um clube oriundo da capital, que é a maior potência desportiva nacional, todas as disciplinas confundidas, e do outro um clube mais identificado com uma a região especifica.

Uma oposição de estilos, norte/sul, entre o Porto Campeão Nacional em título e o Sporting, que não ganha nenhum Campeonato desde 2002.

Para contrariar as apostas, o clube Lisboeta, ao fim da vigésima jornada, tem 10 pontos de vantagem na tabela classificativa sobre os Portuenses.

Mas quando se fala de clubes em Portugal, também é necessário evocar as Sociedades Anónimas Desportivas, neles incluídas.

Introduzidas no início dos anos 1990 para melhorar a gestão financeira e a transparência nos clubes desportivos, as SAD, tornaram opacas as cartas desportivas, que viraram em ações na bolsas de valores, ao mesmo tempo que a alma clubista foi desvalorizada.

E aí a vantagem inverte-se quando se faz referência aos respetivos orçamentos, 90 milhões de euros para o FC Porto, contra 70 milhões de euros para o Sporting CP.

Entretanto, o blogue “Planète Sporting” (planete-sporting.blogspot.com), que dá notícias do Sporting na língua de Molière – sem ser racialista – e que festejou neste mês de fevereiro o seu décimo quarto aniversário, não deixou de realçar num artigo que antecedeu a apresentação do clássico lusitano, que o Sporting é atípico.

“Un Lion ‘Made in Portugal’ leader de la Liga”, intitula o blogue Planète Sporting.

Á beira do rio Tejo, vivem os verdes e brancos com um efetivo de 25 jogadores, dos quais 16 deles nasceram em Portugal, e mais de metade da equipa titular foi formada na Academia Sporting.

Á beira do rio Douro, habitam os azuis e branco, com um efetivo superior, mas apenas 10 futebolistas do plantel nasceram em Portugal, sendo que a maioria dos jogadores que compõem a equipa titular é cosmopolita. Um clube nortenho em perfeita harmonia com a globalização das emoções.

Que seja por escolha ou por obrigação, por boa ou por má ação na bolsa dos valores, o Sporting Clube é mesmo de Portugal, surpreende e afirma o seu favoritismo.

Os adeptos portistas e sportinguistas reunidos, representam mais de metade da população portuguesa, que mesmo fechada em casa, vai viver a jogada.

 

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