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Opinião

 

Esperança é a palavra que insistentemente me ocorre quando penso naquilo que mais queria para o ano que agora começa. Mais do que qualquer outra, das que habitualmente se utilizam para desejar um bom ano, como paz, amor ou saúde. Mais do que “um ano muito positivo”, mais do que prosperidade. E apesar de os outros desejos também serem importantes, estou convencido que aquilo que hoje a humanidade mais precisa é de ter esperança que o Covid deixe as nossas vidas em 2022.

Esperança, portanto, que termine o pesadelo sanitário que o vírus disseminou por cada lar, em cada país, em cada continente, porque já estamos todos fartos das sucessivas vagas de variantes, sejam delta, ómicron ou qualquer outra, e dos riscos que trazem consigo. E que nas Comunidades também foi sentido duramente pela impossibilidade de os Portugueses virem a Portugal nas férias, no Natal ou na Páscoa.

No início da pandemia a minha filha vivia em Barcelona e ligou-me um dia assustadíssima a perguntar o que se estava a passar quando o aumento de casos começou a disparar descontroladamente. E eu para a tranquilizar disse, convictamente, para não se preocupar, porque mais três ou quatro semanas e o vírus desaparecia. Enganei-me redondamente. Passados dois anos ainda cá está a infernizar as nossas vidas. Podemos ter a certeza, porém, que não vai durar para sempre, pois se a chamada gripe espanhola passou e o mundo era bem mais atrasado a nível médico e científico, também o Covid-19 irá passar.

Foram dois anos de medo, ansiedade e desconfiança, com familiares e amigos à nossa volta a serem infetados, muitos a passar mal, muitos a morrerem precocemente. Foram dois anos de exaustão para médicos, enfermeiros e pessoal de saúde; de um esforço ingente de Governos, e do nosso Governo, para darem o melhor para salvar vidas; de uma repetição interminável de manchetes na imprensa sobre o Covid, de um desfilar sem fim de virologistas, pneumologistas, médicos, cientistas e especialistas de toda a espécie a darem opiniões, quantos vezes alarmantes, quantas vezes contraditórias, como se estivessem a cravar pregos na nossa alegria.

Por isso, a esperança de que o vírus saia de cena de uma vez por todas é o sentimento mais forte que hoje tenho, para que todos possamos recuperar a liberdade que tínhamos antes de 2020, para que a ternura dos afetos possa voltar à nossa vida social, e possamos dar beijos e abraços sem receios, falar normalmente com as pessoas sem ser à distância de dois metros.

Para que a atividade económica regresse ao normal, mas mais sustentável, e que o teletrabalho não nos isole dos colegas, para que possamos ir a um restaurante sem ser obrigatório apresentar um certificado de vacinas ou um teste negativo, para que não sejamos inspecionados nos aeroportos como se tivéssemos a peste, para que quem gosta de discotecas e festivais possa voltar a divertir-se à vontade.

Apesar da surpreendente capacidade de adaptação dos humanos àquilo que mais parece um interminável filme negro de ficção científica, que jamais acreditaríamos que pudesse acontecer, a verdade é que este vírus veio mudar o mundo, as nossas vidas, a geopolítica, atrair populismos e demagogias, aperfeiçoar as tecnologias de controlo social, cavar desigualdades sociais. E, embora tenhamos transformado a pandemia numa coisa que até parece normal, na realidade não é, e está muito longe de o ser. É absolutamente insuportável e não haverá ninguém que não tenha a esperança, depois de dois anos de vida em suspenso, que 2022 seja o ano em que o maldito vírus desapareça de uma vez por todas das nossas vidas. A vacina já chegou. Só falta o Covid ir-se embora.

 

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