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Voltamos ao tempo de antes? Às crónicas em que tínhamos dificuldade em selecionar os eventos, tantos eles eram e se sobrepunham nos tempos e nos espaços curtos desta crónica? Assim parece! Esta semana, nota para quatro exposições portuguesas e para um livro recentemente traduzido.

Três das exposições, fotografia de Daniel Blaufuks e pintura de Jorge Queiroz, passam-se em galerias privadas, todas elas em Paris, na galeria Jean-Kenta Gauthier e na galeria Obadia; também Jorge Molder mostrará fotografia na galeria Bernard Bouche.

Todos eles são artistas conhecidos e reconhecidos em França onde integram muitas coleções privadas e algumas públicas. A outra exposição, tem lugar na Embaixada, intitula-se “Arte Portuguesa Contemporânea na Embaixada de Portugal em França” e dela falaremos também para a semana dando-vos indicação de como a poderão visitar.

Hoje concentremo-nos, então, na Nuit de la Littérature, uma das mais importantes iniciativas do FICEP (que reúne os Centros culturais estrangeiros de Paris) e onde sempre participou o Camões-Centro Cultural Português em Paris. Realiza-se, infelizmente, e pelo segundo ano consecutivo, online e em streaming, podendo ser seguida no site da organização.

Dia 29, sábado, Anny Romain, que rodou com Manoel de Oliveira, lerá extratos da obra Eliete, de Dulce Maria Cardoso (na foto), recentemente publicada pela editora Chandeigne. No jornal Le Monde, a crítica literária Gladys Marivat, celebrou esta quarta obra traduzida e publicada em França pela autora, pelo retrato que dá do sentir feminino e comparando a sua forma e o seu modo de monologar com o de Lobo Antunes e Saramago.

Dulce Maria Cardoso dá-nos a ver como a vida normal de uma mulher normal, casada com um homem que não lhe presta atenção, mãe de duas filhas que fogem ao seu controlo, com uma avó demente e uma mãe amarga, se pode transformar, aos 42 anos e seguir um caminho inesperado. Ao perceber que a sua vida é um vazio, talvez o vazio de uma geração inteira da classe média portuguesa mergulhada na facilidade e na cegueira acrítica proporcionada pelo enriquecimento e pela democratização do país, mas que a inesperada crise mundial se encarregou de destruir, Eliete resolve recuperar tudo o que lhe tinha sido interdito. E a sua vida segue então rumos inesperados.

Boas escolhas culturais e até para a semana.

 

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