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Opinião

 

O Consulado Honorário de Portugal em Orléans entrou em funcionamento há 14 anos, após o encerramento do Consulado-Geral anteriormente existente, exatamente em 18 de janeiro de 2008, no início como uma Permanência consular, com uma só funcionária administrativa.

Tive a honra de ser nomeado como Cônsul Honorário para este posto, função que ocupei durante 11 anos. Apresentei a minha demissão há três anos em virtude de deixar de ter residência em França, situação naturalmente incompatível para a continuidade dessa missão. Ao longo dos anos em que ocupei as funções, até final de 2018, foi exercida uma atividade permanente de acompanhamento, de informação e de assistência aos lusodescendentes dos departamentos do Loiret (45) e do Yonne (89). Foram estabelecidos e prosseguidos contactos com as associações, com as empresas e de representação junto das entidades públicas locais e regionais.

Ao deixar o cargo, não me foi possível, por razões diversas, agradecer em tempo útil todos os que me apoiaram da forma que desejaria. Era suposto guardar uma certa reserva até à eventual nomeação de um substituto.

Mas as efemérides servem para qualquer coisa. É a razão pela qual, a pretexto desta data, eu pretenda aproveitar a ocasião para tecer um enorme e público agradecimento às duas funcionárias que exercem no Consulado Honorário em Orléans, as técnicas superiores Goretti de Carvalho e Ana Maria da Cunha, pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Se o trabalho efetuado é gratificante, melhor que um trabalho gratificante é poder fazê-lo ao lado de pessoas competentes por quem nutro um enorme carinho e admiração. O resultado nunca é alcançado sem a ajuda de uma boa equipe. Por isso, reitero publicamente, e nunca é tarde, a preciosa colaboração. Estou-lhes infinitamente grato pelas suas competências, pelo ótimo desempenho, pelo trabalho bem feito e disponibilidades sempre manifestadas.

Estas palavras poderão ser mal interpretadas ou compreendidas, por alguns, mas têm a sua justificação no reconhecimento que se deve a quem tão bem cumpre.

Com efeito, ao abrigo dos nos 2 e 3 do artigo 1º do Decreto-Lei nº 75/98, de 27 de março de 2008, ficou o Consulado Honorário autorizado a praticar atos de registo civil, de notariado e de recenseamento eleitoral e a emitir documentos de viagem. Era uma situação de trabalho intenso, se se pensar que era executado por uma só pessoa. A procura continuava a ser a do mesmo potencial de utentes do tempo do Consulado-Geral que acabava de ser extinto, na altura com a Chanceler Aldina de Morais como responsável, e mesmo superior porque se entrou numa fase de aumento da emigração para França, com a enorme diferença de que se dispunha de uma única funcionária, onde dantes havia cinco, que se devia multiplicar para acolhimento, telefone, realização de atos, procurações, bilhetes de identidade, documentos de viagem, assistência social, traduções, balancete diário de caixa, etc. Apenas os Passaportes implicavam, na altura, a deslocação dos interessados a Paris. Mas nunca houve a preocupação dos horários, apenas a preocupação de bem servir e ultrapassar as dificuldades.

E foi só a partir de 2015 que, de forma permanente, o Consulado Honorário em Orléans passou a dispor de duas funcionárias administrativas em regime fixo, Goretti de Carvalho e Ana Maria da Cunha, e a estar equipado com um aparelho de recolha de dados biométricos, o que, necessariamente, contribuiu de forma notória para a rentabilidade na execução de atos consulares, quer em número, quer no complemento de receitas produzidas.

Ao lembrar a data de 18 de janeiro de 2008, sinto como um dever de memória afirmar que nada acontece por acaso e me sinto devedor das pessoas que me ajudaram, que mantêm intacto o sentimento do dever público porque nunca baixaram os braços, não se poupando a esforços, e continuam a fazê-lo neste momento trágico de pandemia, com o mesmo sentimento notável do valor trabalho.

 

Na foto: José de Paiva, Goretti de Carvalho, Aldina de Morais e Ana Maria da Cunha

 

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