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Estamos de tal maneira imersos no uso da língua em que nos pronunciamos que nem sequer questionamos a sua riqueza e os universos que nela estão contidos. No caso da língua portuguesa, trata-se de uma língua de muitos povos, identidades, culturas, histórias, memórias, que remete para os universos da lusofonia com os seus mais de 260 milhões de falantes em todos os continentes.

Além disso, não pode ser ignorado o peso e a força das diásporas nos países fora da CPLP, expandindo ainda mais a presença da língua e das suas culturas em dezenas de outros países onde os cidadãos lusófonos estão emigrados. Daí que seja da maior relevância que as diplomacias lusófonas e o movimento associativo procurem formas de convergência em iniciativas conjuntas, mais concertação e cooperação, até porque muitos cidadãos participam em eventos em representação do seu país, muitas vezes sem o enquadramento das respetivas embaixadas.

Há muito trabalho para fazer e muita inércia para ultrapassar para que as potencialidades da língua e das culturas possam manifestar toda a sua riqueza e diversidade como instrumento de afirmação coletiva. Com efeito, quando os lusófonos se juntam para celebrar as suas culturas, através da literatura, das artes, da música, do património ou da gastronomia, estão a consolidar a capacidade de afirmação de todos e de cada um dos povos de que é construída a lusofonia.

Por ser a quinta língua mais falada no mundo e com grandes perspetivas de crescimento devido ao aumento demográfico nos países africanos de expressão portuguesa, por ser falada em cerca de três dezenas de organizações internacionais, a sua projeção em todos os continentes é inquestionável, o que se confirma também pela extraordinária atração que tem suscitado a muitos países que se tornaram ou pretendem tornar-se observadores associados da CPLP.

Mesmo apesar das limitações impostas pela pandemia, na recente segunda celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa com o reconhecimento da Unesco, houve iniciativas culturais que se realizaram em 44 países, mobilizando muitos artistas, escritores e músicos lusófonos, muitos deles a viver noutros países que não o seu de origem, num espírito de fraternidade que ainda pode ser mais aprofundado para utilidade de todos.

E é neste contexto que não se pode dissociar a força da língua portuguesa da sua dimensão diaspórica. Por mais complexo que seja abordar este tema politicamente, a CPLP e cada Governo que a compõe deviam olhar com a maior atenção para esta expressão central da presença da lusofonia no mundo, que acrescenta muito à influência dos seus membros nos países onde se instalaram.

Entre os argumentos utilizados por muitos países para justificar a adesão à CPLP como observadores associados, como é agora também o caso dos Estados Unidos, está precisamente a importância das diásporas presentes nos seus países, como acontece com a França, o Luxemburgo ou Andorra e que são, indiscutivelmente, um trunfo político, diplomático e cultural, sobretudo quando são mais expressivas. Só é necessário que cada Estado-membro da CPLP faça mais pelas suas diásporas e se concertem entre si e ajam em conjunto para amplificar a voz da lusofonia dos países de acolhimento não lusófonos.

Tem, assim, plena justificação que os Estados-membros da CPLP incluam nas agendas das cimeiras e dos seus trabalhos a nível ministerial a questão das diásporas, para valorizar este coletivo e cada um dos seus cidadãos, potenciando ainda mais a sua influência global.

 

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