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Comunidade

 

Pedro Afonso, Delegado sindical da Confederação Geral de Trabalhadores (CGT) na refinaria da Total em Feyzin que mantém a greve dos combustíveis que paralisou a França, diz que o salário mínimo em Portugal é “chocante” e que a luta dos trabalhadores das refinarias terá impacto em toda a Europa.

O sindicalismo corre nas veias de Pedro Afonso, com o pai, que se instalou há várias décadas em França, na região de Lyon, a fazer já parte da CGT, uma das maiores centrais sindicais em França. Na altura, como recorda este franco-português, foram os sindicatos que ajudaram a Comunidade portuguesa. “O meu pai já era sindicalista da CGT e na Comunidade portuguesa em Lyon, muita gente integrava a CGT. Quem ajudava quem chegava a França a salto? Quem é que lhes deu a mão? Eram os sindicatos e hoje continuamos”, afirmou Pedro Afonso em declarações à Lusa.

Há mais de um mês que a refinaria de Feyzin, na região de Lyon, onde Pedro Afonso é delegado sindical entrou em greve unindo-se a outras refinarias, levando 30% das estações de serviço em França a não terem combustíveis e paralisando durante alguns dias o país. As reivindicações iniciais eram o aumento dos salários em 10% devido ao aumento extraordinário dos lucros da Total devido à guerra na Ucrânia. “Lembro que a Total teve lucros recorde e mirabulantes, com 16 mil milhões de euros de lucros no primeiro semestre e com 36 mil milhões anunciados pela empresa em 2022, portanto acho que, como é óbvio, este gigante do petróleo tem todos os meios para responder às reinvindicações legítimas dos seus trabalhadores e tem um papel a desemprenhar na sociedade francesa e nos outros países onde está implementada”, declarou.

A meio de outubro, foi encontrado um acordo com outras centrais sindicais com um aumento de 7% e um bónus a atribuir aos trabalhadores com tarefas mais pesadas, mas a refinaria de Feyzin decidiu continuar para pedir a integração de colegas que trabalham há anos em regime de trabalho temporário.

Com um impasse nas negociações com a Direção, os trabalhadores de Feyzin pedem agora um mediador da República para ajudar a avançar no braço de ferro, mas o Governo respondeu esta semana com novas requisições. Para Pedro Afonso, que representa a vontade expressa pelos trabalhadores nas suas assembleias diárias, esta é uma luta que já se estendeu a outros setores em França.

“É uma luta dos trabalhadores de Feyzin, mas é uma luta queremos partilhar com todos os setores, vimos junto da EDF, junto das empresas de transportes, temos os nossos camaradas destes dois setores que nos ligam e nos agradecem porque tiveram avanços significativos com um dia de greve. O nosso movimento precursor teve um impacto”, declarou.

Pertencendo ao Comité europeu de trabalhadores da Total, Pedro Afonso espera que os aumentos de salários se generalizem nos países onde esta empresa está presente e especialmente em Portugal. Este sindicalista disse ter ficado “chocado” com o valor do salário mínimo em terra lusas. “Pedimos um aumento de todos os salários em função do nível de vida de cada país onde a Total está presente. Quando vemos os salários mínimos em Portugal, eu como francês de origem portuguesa, fiquei chocado. É igual aos países de Leste e quando comparamos com as rendas e os preços nos supermercados mesmo aqui em França, não sei como os portugueses vivem”, lamentou.

Com as suas raízes no norte de Portugal, junto a Chaves, Pedro Afonso agradece ainda hoje as aulas de sábado para aprender português que lhe permitem compreender e falar a língua, dizendo querer fazer a mesma coisa com os seus filhos. “É uma riqueza muito grande e quero continuar a passar esta cultura aos meus filhos”, concluiu o sindicalista.

 

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