José António Rodrigues

Pedro Rupio defende nova visão para o ensino de português no estrangeiro na Comissão Nacional do PS


Pedro Rupio, membro da Comissão Nacional do Partido Socialista, residente na Bélgica e antigo Conselheiro das Comunidades Portuguesas, participou no Conselho Nacional do PS no passado sábado, 10 de outubro, onde apresentou uma intervenção dedicada ao ensino de português no estrangeiro. A sua intervenção, à qual o LusoJornal teve acesso, centrou‑se na necessidade de repensar o modelo atual e de assumir “uma visão estratégica para a diáspora portuguesa”.

Pedro Rupio começou por recordar o seu próprio percurso: “nasci fora de Portugal. Vivi toda a minha vida fora do país. E foi através da rede oficial do ensino de português no estrangeiro que aprendi a nossa língua e mantive, desde cedo, uma ligação forte com Portugal”. Sublinhou que esta rede foi “brutalmente atacada pelo atual Governo no mês de maio”, levando professores e leitores a lançar “uma petição inédita que, felizmente, conseguiu limitar os danos”.

Para o socialista, preservar a rede é essencial, mas insuficiente. “Precisamos agora de transformar essa defesa numa visão de futuro para o país. Precisamos de uma mudança de paradigma: deixar de olhar para esta realidade apenas como uma obrigação constitucional e passar a vê‑la como uma oportunidade única para Portugal”. Pedro Rupio defende que é necessário “repensar profundamente esta rede, exatamente como foi feito há 20 anos, para que o atual modelo não fique irremediavelmente obsoleto”.

A intervenção avançou depois para uma reflexão sobre o papel da diáspora. “A Diáspora é Portugal no mundo. É a família que fala português em casa. É o jovem que cresce entre duas culturas. É o investigador que trabalha numa universidade internacional. É o empresário que abre mercados. É o profissional que representa Portugal onde quer que esteja”. Por isso, argumenta, “não podemos olhar para os filhos dos portugueses no estrangeiro apenas como destinatários de uma política cultural. Eles são também um ativo estratégico de Portugal”.

Pedro Rupio insistiu que “ensinar português à Diáspora não é apenas ensinar uma língua. É construir uma ligação a Portugal”. E acrescentou: “Muitas vezes é numa sala de aula que tudo começa. Cada aluno pode ser o primeiro elo de uma ligação com Portugal que dura uma vida inteira. Amanhã, esse aluno pode ser investigador, empreendedor, investidor ou diplomata – alguém que cria conhecimento, abre mercados, atrai investimento ou projeta Portugal no mundo”.

Para o socialista, esta visão permite “passar da fuga de cérebros para a circulação de cérebros. Um português que parte não tem de ser um português que perdemos. Pode levar Portugal consigo e, onde quer que esteja, continuar a contribuir para o seu futuro”.

Pedro Rupio defendeu que a rede de ensino de português no estrangeiro deve ser pensada como “uma rede que aproxima pessoas, conhecimento e oportunidades, e que torna Portugal mais presente no mundo”. E concluiu com um apelo ao próprio partido: “O Partido Socialista deve assumir esta ambição: uma Diáspora mais ligada, uma língua mais forte e um Portugal mais influente. Não queremos apenas portugueses que tenham saudades de Portugal. Queremos portugueses que tenham projetos para Portugal. Porque onde está um português, está Portugal”.

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