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A galeria Jeanne Bucher Jaeger, em Paris, que deu a conhecer Maria Helena Vieira da Silva, tem atualmente em exposição obras do pintor Arpad Szenes, o companheiro de Vieira da Silva, até 20 de janeiro.

O objetivo é fazer «descobrir outra vez» a obra do artista húngaro, nomeadamente um autorretrato e um retrato de Vieira da Silva, com quem viveu em Paris, explicou à Lusa Véronique Jaeger, Diretora-geral da galeria que também abriu recentemente um espaço em Lisboa. «Muita gente quer descobrir outra vez a obra dele. Arpad Szenes beneficiou de uma atenção muito forte em França, mas é verdade que temos de mostrar as suas pinturas outra vez», afirmou a responsável da galeria parisiense, que tem promovido o trabalho de Arpad Szenes com várias exposições monográficas e coletivas desde os anos 30.

A exposição, intitulada «Plénitude aux confins de l’existant» junta cerca de 50 obras, «de todas as épocas», no ano do 120° aniversário do nascimento de Arpad Szenes, nomeadamente telas das séries de banquetes e de retratos, assim como várias paisagens, impregnadas de «poesia».

Um «artista bastante atual» que é preciso «mostrar», acrescentou Rui Freire, Diretor da galeria. «Arpad Szenes é um artista que, a meu ver, é bastante atual em termos de escolhas estéticas de cor e de maneira de construir a pintura, também, porque há um certo modo silencioso na sua maneira de trabalhar e no seu trabalho que eu acho que é importante hoje», afirmou.

A galeria francesa, fundada em 1925 por Jeanne Bucher, teve um papel de destaque na carreira de Arpad Szenes e de sua mulher, Vieira da Silva, tendo a «amizade» entre o casal e a galerista começado em 1932. «Vieira da Silva é uma das artistas que ficou mais tempo com a galeria. É uma artista que tem uma ligação muito íntima com a galeria. Sim, era uma amiga, era uma amiga dos meus pais também», contou Véronique Jaeger, a bisneta de Jeanne Bucher.

No tempo da bisavó, «Vieira foi muito mais conhecida que Arpad» e «quando um Comissário de exposição queria ver as pinturas de Arpad», ele queria sempre mostrar as pinturas da mulher.

Nascido em Budapeste, na Hungria, Arpad Szenes entrou, em 1918, na Academia Libre de Budapeste, fez uma primeira exposição em 1922, no Museu Ernst, e depois viajou pela Europa, tendo-se instalado, no final dos anos 20, em Paris, onde casou com Vieira da Silva em 1930. Na capital francesa, conviveram com artistas de vanguarda do século XX, mas com a ameaça da guerra entregaram o seu ateliê e obras a Jeanne Bucher e mudaram-se para Portugal (1939) e, depois, para o Brasil (1940), regressando a Paris em 1947.

Arpad Szenes morreu em janeiro de 1985, no seu atelier em Paris.

 

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