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As tradicionais férias dos emigrantes em França que vão para Portugal estão a mudar, com cada vez mais portugueses e lusodescendentes a manterem laços profissionais nos dois países, sem nunca deixar a família de lado.

“O nosso público alvo é o francês e o francês vai-se embora, portanto é época baixa em Paris e época alta em Portugal. Usamos o verão para estar mais em Portugal nas lojas. Óbvio que temos as nossas vinhas e passamos o verão a seguir a parte mais importante da vinha que é a vindima que vai começar já para a semana”, disse Julien dos Santos, proprietário das lojas Portologia e produtor do seu próprio vinho do Porto, em declarações à Agência Lusa.

O jovem empresário português conta já com três lojas em Paris, Porto e Lisboa dedicadas não só ao vinho do Porto, mas também a outros produtos gourmet como queijos e charcutaria e, durante a época estival, com o êxodo dos parisienses, Julien e as suas equipas seguem-lhes as pisadas, concentrando o seu trabalho em Portugal.

“Temos também a parte turística com as nossas equipas a fazerem a visitas guiadas na nossa vinha em Portugal. É um misto entre família, amigos e trabalho”, afirmou o empresário lusodescendente, que recebe frequentemente visitas dos seus clientes franceses na quinta no Douro onde produz o seu vinho Heritage.

Este verão, também o ator José Cruz partiu para Portugal num mês a que chamou “férias culturais”. O ator lusodescendente que percorre a França com os seus espetáculos de “one man show” em que explica com humor o que significa viver entre duas culturas, lançou-se na aventura de percorrer o caminho que fazia com os pais, de carro, e ir parando para fazer apresentações pontuais em casa de particulares que se ofereceram para o acolher nas redes sociais.

“O meu pai é de Bragança, a minha mãe de Loulé e conheceram-se em Paris, eu conheço bem essas zonas e Lisboa, também adoro o Porto, mas de resto conheço pouco. O que quero também é conhecer mais o país, descobrindo Portugal com os portugueses que lá vivem e com os que voltam”, indicou José Cruz antes de partir.

Mas o objetivo do ator é também manter uma carreira nos dois países. “Cada vez mais as pessoas me pedem para fazer atuações [em Portugal] e já tenho uma certa projeção artística. Quero trabalhar tanto em Portugal como em França e desenvolver as duas culturas”, sublinhou o ator que em novembro vai fazer a primeira parte do espetáculo de Herman José no teatro La Cigale, em Paris.

Tal como Julien dos Santos, a família não ficou de lado. “Tenho uma família grande e não dá para ver toda a gente, mas vou aproveitar uns dias de folga porque Portugal significa também ver a família e celebrar as nossas festas”, indicou José Cruz.

Com o estreitamento das relações entre Portugal e França e também com o interesse crescente da nova geração de lusodescendentes pela redescoberta do país dos pais ou dos avós, as associações fazem um trabalho que atravessa fronteiras no verão como é o caso da Cap Magellan.

Esta associação de jovens lusodescendentes com sede em Paris, promove há alguns anos iniciativas no verão que percorrem os 2.000 quilómetros de distância entre os países, nomeadamente com encontros de jovens – que este ano decorreu em Bragança juntando portugueses e lusodescendentes à volta da cultura nacional – e uma campanha de prevenção rodoviária chamada Secur’été.

Lurdes Abreu tem 23 anos, veio viver para França com um ano e é voluntária da Cap Magellan, passando as férias em Portugal entre a família e ações da associação. “Para mim é essencial participar no objetivo da associação que é promover a cultura portuguesa sem os preconceitos que rodeiam a nossa cultura”, afirmou a jovem estudante de Direito.

As férias de verão em Portugal, numa aldeia no concelho de Gouveia, são “obrigatórias” desde a infância, mas agora a família tem de dividir o seu tempo com as ações voluntárias que acontecem um pouco por todo o país.

“Para os meus pais é estranho porque saio mais de casa e não estou tanto tempo com eles na aldeia. Para mim é uma hipótese de sair desse quotidiano, espairecer, sinto-me útil”, afirmou a jovem.

Desde distribuir testes de alcoolemia em festivais e discotecas, assim como receber os emigrantes na fronteira alertando para as regras de segurança rodoviárias, Lurdes Abreu disse também que esta é uma forma de “descobrir” o seu país tendo já passado por cidades que desconhecia como Leiria ou Cascais.

“Embora seja cansativo, estamos sempre orgulhosos e felizes do que fizemos”, concluiu.

 

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