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A Comunidade portuguesa em França queixa-se de falta de informação e desleixo das autoridades portuguesas face às eleições presidenciais num momento em que a rede associativa está parada há mais de 10 meses devido ao vírus.

“As pessoas continuam completamente perdidas, sem saber como votar e onde devem votar […] Nós continuamos esquecidos e sentimos que o nosso país tem um certo desleixo para com os Portugueses residentes no estrangeiro que é inaceitável”, disse Rui Ribeiro Barata, Conselheiro das Comunidades Portuguesas em Strasbourg, em declarações à Lusa.

Sem a possibilidade do voto por correspondência, as eleições presidenciais portuguesas decorrem em França não só em clima de pandemia, mas com menos informação do que é normal já que não houve campanha por parte dos candidatos e as associações onde normalmente se difundem os aspetos principais da eleição estão fechadas.

“Estas eleições foram muito particulares porque sentimos a falta do associativismo. As associações são um veículo importante de informação que auxilia os Consulados na partilha de informação e nós percebemos que houve falta de informação e partiu muito da ausência da rede associativa na diáspora”, considerou Rui Ribeiro Barata.

Sem as associações abertas fisicamente, é através das redes sociais e do passa a palavra que a Comunidade se tem tentado organizar para votar nos dias 23 e 24 de janeiro em 11 Consulados distribuídos pelo território francês.

No entanto, um ponto difícil de ultrapassar são os Portugueses que não estão registados em França apesar de aí residirem, mas em Portugal. “Pensei mesmo criar um coletivo de boleias para irmos todos votar em conjunto e assim motivamo-nos mutuamente, mas há muitos Portugueses que não estão inscritos aqui em França. É preciso alertar as pessoas para a importância de estar recenseado em França, de se inscrever e a importância do voto”, alertou Marie-Hélène Euvrard, Presidente da Coordenação das Coletividades Portuguesas em França (CCPF).

Guardando apenas a possibilidade do voto presencial, Hermano Sanches Ruivo, Maire Adjoint de Paris, considera que é importante Portugal investir em mais meios de participação, nomeadamente o voto eletrónico, para guardar a ligação dos emigrantes ao país. “É absolutamente fundamental que essa ligação entre os Portugueses que estão fora de Portugal há décadas continue forte, inclusive através das eleições, porque, em sentido contrário, essa ligação é soft power para Portugal”, afirmou o vereador.

Este é também um argumento do Conselho das Comunidades para defender o voto eletrónico. “O voto eletrónico foi testado em 2005 e, no contexto atual, seria uma das soluções para aproximar os Portugueses da democracia e do sentimento de pertença”, concluiu Rui Ribeiro Barata.

 

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