Uma senha ser-lhe-á enviada por correio electrónico.
Ensino

 

Por ocasião da celebração do 20° aniversário da Cátedra de português Lindley Cintra na Universidade de Paris Nanterre, foi organizado, na quarta-feira desta semana, dia 23 de março, à tarde, o primeiro Encontro das Cátedras de Português em França. Foi moderado pela Coordenadora do ensino português em França, Adelaide Cristóvão.

Participaram José Manuel Esteves da Cátedra Lindley Cintra da Universidade de Paris Nanterre, Daniel Rodrigues da Cátedra Sá de Miranda da Universidade Clermont-Auvergne, Fernando Curopos da Cátedra Solange Parvaux da Universidade Sorbonne Nouvelle, Ernestine Carreira da Cátedra Eduardo Lourenço da Universidade Aix-Marseille, Maria Araújo da Silva da Cátedra Paul Teyssier da Sorbonne Université, Ana Martins e Marie de Abreu da recentemente criada Cátedra Mário Soares da Universidade Rennes 2.

No dia anterior, o Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, convidou, para um encontro na Embaixada de Portugal, os Diretores dos Departamentos de português nas universidades francesas. “Não consegui o pleno, como eu gostaria, mas mesmo assim, para além de Paris, tive outras 4 cidades francesas em que os respetivos Diretores de Departamentos de português puderam juntar-se a nós” diz Jorge Torres Pereira ao LusoJornal. O objetivo era “que em conjunto percebêssemos quais eram os próximos passos a dar para aumentar a nossa interlocução com as autoridades francesas e contribuir para que esta dinâmica continue a crescer”.

Jorge Torres Pereira tem vindo a trabalhar para a criação de mais Cátedras de português nas universidades francesas. “Há uma Cátedra que nós temos estado a pensar já há algum tempo e que tem caraterísticas muito particulares por estar ligada essencialmente à história da arte e ao ensino artístico: é a Cátedra Helena Vieira da Silva” explica ao LusoJornal. “Também está no ar, como nós dissemos na altura do falecimento do professor José Augusto França, que seria de toda a justiça nós pensarmos como poderíamos imortalizar a figura desse grande intelectual português que dedicou à França praticamente metade da sua vida. E também é uma das Cátedras que nós gostaríamos de ver implementada, mas por enquanto ainda não tem universidade”.

O Presidente do Instituto Camões, também participou no evento e disse ao LusoJornal que “mesmo se todas as Cátedras estão em rede, estes encontros são importantes para que as pessoas regularmente, ciclicamente, possam encontrar-se”. João Ribeiro de Almeida felicitou a iniciativa de José Manuel Esteves, o responsável pela Cátedra Lindley Cintra, por ter realizado este “primeiro encontro mais formal das Cátedras em França”.

José Manuel Esteves explicou que ainda recentemente, quando foi inaugurada a Cátedra Mário Soares na Universidade de Rennes, no fim do ano passado, foi organizado “um pequeno encontro de Cátedras a partir de um tema científico. Aqui nós damos-lhe uma outra forma porque é um ato comemorativo, tem uma certa visibilidade”.

“Nós temos a consciência que devemos trabalhar todos em rede para a promoção dos estudos portugueses em França e isolados pouco podemos fazer. Se pudermos colocar em rede as nossas experiências, os nossos recursos humanos, a nossa rede de convidados, os recursos financeiros, seria muito importante, sobretudo num contexto que não é assim tão favorável para as línguas em França”.

Ernestina Carreira, da Cátedra Eduardo Lourenço em Aix-en-Provence, confirma que “a disciplina de português está relativamente isolada em cada universidade, são sempre pequenos Departamentos, pequenos núcleos e a visibilidade permite trocar e fazer evoluir os nossos modos de funcionar” disse ao LusoJornal. “Eu penso que o primeiro interesse é também esse, de compreender como é que a disciplina evolui a nível nacional e depois podermos repercutir sobre a nossa reflexão, uma evolução a nível regional. Porque nós estamos em fase de mutação, visivelmente, em termos de línguas em França, com o avanço do inglês, então temos que ter propostas inovadoras em relação à língua portuguesa, e para isso temos que ver o local, o nacional e até o global”.

As Cátedras já colaboram entre elas e Ernestina Carreira explica que “o facto de não haver encontros regionais e nacionais, não impede que não haja trabalho entre Cátedras, isso já está enraizado. Aliás, o facto de hoje a maioria das nossos eventos, conferências e seminários serem online, permite, com orçamentos limitados, uma extraordinária abertura” diz a professora da Universidade de Aix-Marseille. “Ainda este mês, tivemos um seminário da Cátedra Eduardo Lourenço com um interveniente que está no Brasil e um outro em Goa. Este é um dos efeitos positivos da Covid”.

Segundo o Presidente do Instituto Camões, no mundo há cerca de 60 Cátedras de Português financiadas pelo Instituto Camões.

 

Donativos LusoJornal

 

X