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Máximo histórico em 2017

Portugal sofre de um défice crónico da sua balança comercial de produtos agroalimentares, importando mais de 40% das suas necessidades nesta matéria. A balança comercial do setor é largamente deficitária (-4.086.766 de euros em 2017). Todavia a taxa de cobertura tem vindo a melhorar, de forma sustentada, nos últimos anos, tendo passado de 47,7%, em 2009, para 60,8% em 2017.

A produção nacional e exportação no sector agroalimentar são essenciais ao controlo da dívida externa do país. A sua importância é grande, quer para fazer diminuir o peso das importações, quer de forma a contribuir para uma progressão marginal das exportações, com criação de maiores valores acrescentados, contribuindo assim para uma diminuição da dependência do exterior. Em 2017, os agroalimentares concorreram em 11,5% no total exportado, atingindo um máximo histórico de 6.331 milhões de euros de exportações.

O setor apresenta uma grande dispersão e pulverização subsetorial e empresarial. Na sua larga maioria, a indústria agroalimentar nacional é bastante diversificada e composta por pequenas e médias empresas, abrangendo um total estimado pela FIPA de 11 322 unidades que, no final de 2017, terão dado emprego a perto de 112 mil trabalhadores, ou seja, 16% do emprego na indústria transformadora. É assim um dos setores com mais peso na economia nacional, com um volume de negócios acima dos 15 mil milhões de euros, o que representa 15,4% da indústria transformadora.

A excessiva atomização do sector dificulta a obtenção de efeitos de escala e também a capacidade de negociação numa área cada vez mais dominada pelas grandes cadeias de distribuição. A reduzida dimensão do mercado interno e o fraco peso negocial no mercado internacional, têm conduzido algumas empresas para estratégias mais focadas em nichos de mercado específicos, num processo de valorização e diferenciação dos produtos nacionais, nomeadamente nos hortícolas, nas frutas, no vinho e no azeite, adaptando produtos ao gosto dos consumidores e apresentando características inovadoras de modo a torná-los mais competitivos.

Neste contexto, a Espanha posiciona-se como 1º cliente dos produtos agroalimentares portugueses, absorvendo 33,6% das nossas vendas, mas a França, não obstante se tratar de uma enorme potência mundial no sector agroalimentar, constitui o nosso segundo cliente, absorvendo 9% das nossas exportações nesta área. A apetência pelos produtos nacionais ultrapassa o mercado dito da saudade, graças a uma ativa rede de distribuidores instalada que promove e divulga os produtos, de forma crescente, na grande distribuição.

A participação nacional de 117 empresas portuguesas no SIAL – Salão Internacional da Alimentação -, um dos certames mundiais mais antigos, contemplando este ano 7.020 empresas de 109 países distribuídos por 21 setores de exposição, é um passo essencial e um bom sinal na estratégia de consolidação, onde a inovação constitui o mais fiável, o mais precioso dos sinais prospetivos.

 

Comércio internacional português no ramo agroalimentar

Ligeiro aumento do défice da balança comercial

 

Balança Comercial Portuguesa da Fileira Agroalimentar (milhões de euros)

2013 2014 2015 2016 2017 Var %b 17/16
Exportações 5 126,4 5 435,2 5 508,7 5 716,0 6 331,5 10,8
Importações 8 842,2 8 654,2 9 042,4 9 443,1 10 418,2 10,3
Saldo -3 715,8 -3 218,9 -3 533,7 -3 727,0 -4 086,7
Coef. Cob. % 58% 62,8% 60,9% 60,5% 60,8%


Fonte: INE

 

Em 2017, o setor agroalimentar de Portugal registou um volume de exportações superior a 6,3 mil milhões de euros, um aumento de 10,8% relativamente ao ano precedente, enquanto que as respetivas importações ultrapassaram os 10,4 mil milhões de euros em igual período, mais 10,3% que no ano anterior.

Não obstante a forte progressão das exportações, o défice comercial na balança portuguesa de agroalimentares registou um ligeiro agravamento, situando-se em cerca de -4,1 mil milhões de euros, em virtude da maior progressão marginal das importações. A taxa de cobertura situa-se em 60,8%.

O principal grupo de produtos agroalimentares exportados por Portugal a 2 dígitos da Nomenclatura Combinada-NC, é o das Bebidas. O grupo dos Peixes, Crustáceos e Moluscos ocupa a 2ª posição. Seguem-se os grupos das Gorduras e Óleos animais ou vegetais, Frutas frescas, e Preparações de Produtos Hortícolas, Frutas, etc.

Numa análise mais apurada, a 4 dígitos da Nomenclatura Combinada-NC, o Vinho é o principal produto do setor agroalimentar exportado por Portugal. Em 2017, foi responsável por 12,3% das exportações do setor (779,6 milhões), atingindo o valor mais elevado de sempre. Por seu turno, assumiram também particular relevância nas exportações do setor agroalimentar os seguintes produtos: azeite (501,4 milhões), conservas de peixe (219,6 milhões), produtos da padaria/pastelaria e indústria da bolacha e biscoitos (216,7 milhões), conservas de tomate (211,9 milhões), moluscos (208 milhões), os peixes congelados (219,6 milhões).

As principais importações portuguesas da fileira agroalimentar foram Peixes congelados (480,9 milhões de euros), Carnes de animais bovinos, frescas ou refrigeradas (420,7 milhões), Milho (365 milhões), Azeite de (352,3 milhões), Peixes secos, salgados ou em salmoura (350,472 milhões), Moluscos (336,9 milhões) Peixes frescos ou refrigerados (336,2 milhões), Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos (328,4 milhões), Soja, mesmo triturada (306,6 milhões), Carnes espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas (288,9 milhões), Trigo e mistura de trigo com centeio (274,5 milhões).

 

França segundo cliente e segundo fornecedor de Portugal de PAA

Principais clientes 2017 Quota % Principais fornecedores 2017 Quota %
Espanha 2 127,4 33,6 Espanha 4 833,5 0,5
França 571,1 9,0 França 743,6 0,1
Angola 478,1 7,6 Holanda 653,9 0,1
Brasil 389,8 6,2 Alemanha 580,2 0,1
Reino Unido 340,8 5,4 Brasil 316,7 0,0
Outros 1 853,2 38,2 Outros 3 290,3 0,3
Total 6 331,5 100,0 Total 10 418,3 1,0
INE – Em Milhões de Euros INE – Em Milhões de Euros

 

A Espanha é, com larga vantagem, o primeiro cliente de Portugal de produtos agroalimentares, absorvendo 33,6% das nossas vendas. A França ocupa o segundo lugar no ranking dos clientes de Portugal, com uma quota de mercado de 9% e Angola, na terceira posição, com uma quota de mercado de 7,6%, num cenário em que cinco países preenchem 61,8% das exportações nacionais (Espanha, França, Angola, Brasil e Reino Unido).

Em matéria de importações de PAA, 46,4%, ou seja, quase metade do total, provêm da vizinha Espanha. Neste contexto, a posição da França é também de assinalar pois que ocupa a segunda posição, representando 7,1% das nossas compras ao estrangeiro. Tal como para as exportações, idêntico número de países (Espanha, França, Holanda, Brasil e Alemanha) contribuem com 68,4% no total importado por Portugal.

As vendas de produtos agroalimentares para França ultrapassaram os 571,1 milhões em 2017 de euros, um aumento de 6,4% relativamente ao ano precedente, enquanto que as nossas compras a este país ultrapassaram os 743,6 milhões de euros, um aumento de 5,7%, o que se traduziu por um ligeiro agravamento do saldo da balança agroalimentar entre Portugal e França que se estabeleceu em 172,6 milhões, no último ano.

Na nomenclatura a 4 dígitos, os Vinhos de uvas frescas constituem o capítulo mais importante das vendas de Portugal para França, com 19,2% do total exportado, o equivalente a 109,8 milhões de euros. Em segundo lugar no ranking, são as Conservas de peixes (58,5 milhões de euros), na terceira posição Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos com 28,2 milhões de euros. As “Conservas de frutos e hortícolas” vêm em quarta posição, seguindo-se-lhes Frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparadas ou conservadas 24,2 milhões de euros, Outras frutas frescas, 20,1 milhões de euros, Citrinos, frescos ou secos e Outras frutas de casca rija, frescas ou secas, mesmo sem casca ou peladas, Cervejas de malte, Peixes secos, salgados ou em salmoura, peixe fumados

 

 

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