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O Governo está a preparar uma rede digital de Museus da Emigração, a lançar antes do fim da legislatura. O projeto é da Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, e está a ser coordenado pelo antigo Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

Este é um projeto que já data de há longos anos. A então Secretária de Estado da Emigração Manuela Aguiar começou a refletir neste projeto e mais tarde, José Lello conseguiu transformar uma réplica de uma caravela quinhentista em Pavilhão das Comunidades, durante a Expo’98. O então Secretário de Estado das Comunidades António Braga queria fazer o Museu num armazém das docas de Lisboa, mas nenhum deles conseguiu levar a termo esta ideia.

Como nenhum destes projetos nacionais viu o dia, foram entretanto nascendo alguns polos museológicos: em Fafe, em Melgaço, nos Açores… e vai ser criado um Museu em Matosinhos.

Tal como no caso de Fafe, também “Matosinhos é uma iniciativa da Câmara municipal, uma iniciativa muito importante, não é uma iniciativa do Ministério da Cultura”, confirmou ao LusoJornal o Embaixador Luís Filipe Castro Mendes. “A ideia era fazer o Museu da língua portuguesa, mas o projeto, tal como eu o conheço, vai ter 60% para Comunidades e 40% para a língua, porque não se pode desligar a projeção da língua portuguesa da projeção das nossas Comunidades no mundo”.

Em vez de fazer um grande Museu central da emigração, “onde haveria redundâncias ou sobreposições com as várias iniciativas em curso, vamos ligar os polos que existem e os núcleos que estão a ser construídos, vamos ligá-los numa rede interativa digital, com a qual poderemos, com as atuais tecnologias, partilhar conteúdos entre os vários polos, entre Matosinhos e Fafe, mas também entre Matosinhos e Paris, entre Matosinhos e New Bedford ou São José na Califórnia” explica o Coordenador do projeto. “Nós queremos uma rede que tenha os núcleos museológicos em rede, em articulação, em permanente cooperação com o que existe fora de Portugal”.

Luís Filipe Castro Mendes foi Embaixador de Portugal junto da Unesco, em Paris, e Embaixador de Portugal junto do Conselho da Europa, em Strasbourg, para além de outros postos diplomáticos.

Depois de ter sido Ministro da Cultura, já no Governo de António Costa, é agora Consultor da Secretária de Estado Berta Nunes para as questões culturais. No Grupo que coordena sobre a rede de Museus das Comunidades, trabalha com a socióloga Maria Beatriz Rocha Trindade, com o Presidente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Fernando Baptista Pereira e com a fundadora do Observatório dos Lusodescendentes Emmanuelle Afonso.

Numa primeira fase foram identificados os polos museológicos existentes e contactadas todas as Câmaras municipais em Portugal e os postos diplomáticos no estrangeiro.

“Há várias manifestações de intenções. Nós temos isso repertoriado num estudo feito pela professora Maria Beatriz Rocha Trindade” disse o Embaixador Castro Mendes, referindo-se a Fundão, Sabugal e a várias outras Câmaras municipais que queriam trabalhar sobre a Memória da emigração portuguesa.

Matosinhos já está a avançar e Luís Filipe Castro Mendes fala na possibilidade de abertura de um Museu em Vilar Formoso, mais relacionado com a emigração para a Europa.

“Este terá mais que ver com a história da emigração para França. É uma história extraordinária. Nós temos muitos livros, muitos documentos, as fotografias do Gérald Bloncourt, várias teses, nomeadamente da Cristina Clímaco ou da Marie-Christine Volovitch-Tavares. Nós conhecemos o trabalho que está feito e o nosso trabalho agora é articular e ligar todos, é estabelecer estas pontes” disse ao LusoJornal.

Para já, para além deste Grupo coordenador, Luís Filipe Castro Mendes diz que a próxima fase é a criação de um Conselho científico. Outra prioridade é a da captação de fundos para a realização do projeto. “Estamos a trabalhar com a Secretária de Estado da valorização do interior porque este projeto vai efetivamente valorizar o interior”.

“Sabemos que foi do interior do país que grande parte da nossa emigração saiu e portanto queremos ir aos locais de onde eles partiram, ajudar a estruturar e a constituir núcleos museológicos sobre essa história da emigração, de maneira a que eles possam ser conhecidos em todo o mundo, por todos os outros núcleos museológicos ou arquivos que se dediquem a este trabalho”.

O antigo Ministro da Cultura não quer que o Museu esteja unicamente aberto ao público, mas também aos historiadores e aos estudiosos, para que tenham um acesso fácil, por esta via digital, às memórias das nossas Comunidades no estrangeiro”.

A plataforma talvez esteja pronta até ao fim do ano, mas o objetivo é deixar o Museu em atividade no fim da legislatura.

 

Ver a entrevista AQUI.

 

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