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Cultura

 

Para a 3ª edição do ‘The Fado Show’, Amândio Gasalho e Oceano Pereira convidaram a fadista Adriana Marques para dois jantares/espetáculo esta sexta-feira e sábado, dias 18 e 19 de novembro, no restaurante Mercado Negro, em Roubaix.

Foi uma ocasião para o LusoJornal falar com Adriana Marques.

 

Terminaram mais duas noites de fado aqui no Restaurante Mercado Negro em Roubaix. Como se sente cinco minutos depois de ter terminado a sua segunda atuação?

Estou de coração cheio. Avisaram-me que este publico seria muito especial. Não é a primeira vez que visito a França, mas verdade seja dita que hoje fechamos com a chave de ouro e eu vou daqui com o coração completamente cheio de todo o carinho que me deram. Penso que também passei um bocadinho do nosso Portugal a todos quantos estiveram nas duas noites magníficas aqui no Mercado Negro, portanto só posso estar feliz.

 

Será que cantar em Portugal ou no estrangeiro – e mais propriamente aqui em França – há alguma diferença?

Há. Embora todos os espetáculos tenham o seu valor. Não desprezando todos os outros, é verdade que cantar para quem está longe do nosso país e trazer-lhes a tal saudade – sentimento dificilmente traduzível – ao representarmos a saudade do nosso Portugal junto dos emigrantes que aqui estão, isso não tem valor, é maravilhoso e extremamente gratificante. Nós percebemos que estamos no sítio certo e na hora certa, fazendo o que nos é permitido fazer, valorizando o nosso país.

 

Aqui por detrás de si está um poster com o anúncio e com a foto de Amália Rodrigues. Será que se sentiu de uma certa maneira acompanhada por ela neste espetáculo?

Todos os dias da minha vida sinto-me acompanhada por ela. Ela é a maior inspiração que nós, cantores e cantoras, podemos ter. Verdade seja dita, quando canto, sinto o peso da responsabilidade e espero que ela esteja lá no céu orgulhosa daquilo que eu estou a fazer com todo o meu amor e todo o meu coração.

 

Como chegou ao fado aos 20 anos? Lá em Monchique também se cantava o fado?

Em Monchique, por incrível que pareça, não há por lá muito fado, há por lá mais medronho. A minha mãe era jornalista de uma rádio local, o meu pai era diretor dessa mesma rádio, desde muito pequenina tive contato com o mundo do espetáculo, entretanto fiz amizade com o rapaz que cantava fado, o Sérgio Nunes, que morreu num acidente trágico aos 18 anos. Ai quebra-se a minha barreira para como o fado, começo de um certo modo a culpabilizar o facto do fado ter feito aquilo àquele grande amigo… que me levou aquele amigo para outro lado, privando-nos da sua companhia. Quase por brincadeira num concurso de karaoke comecei a cantar o fado, percebi naquele momento que estava ali o meu destino. O fado é muito especial, é único.

 

Quando e qual foi o seu primeiro fado?

A minha primeira experiência no fado foi cantar a “Chuva” do Jorge Fernando. Eu já cantava “A lenda da fonte” do Sérgio Nunes, mas foi através da canção “Chuva” que se deu o ‘declique’ que me lançou para o fado, que a minha mente se abriu para descobrir este estilo musical, começando a ouvir canções dos mais novos, da geração mais antiga que tanto tem para nos ensinar. Hoje tive a grande sorte de estar acompanhada por estes dois magníficos músicos, Manuel Corgas e Jair Carvalho, estou muito feliz de ter estado aqui com eles para todos vocês.

 

Notou-se uma certa união entre vocês os três neste espetáculo…

Sim, nestes dois espetáculos criou-se uma certa cumplicidade entre nós e temos muito carinho uns pelos outros.

 

Será que o Covid do fado se terminou ou que está a terminar?

Eu não paro, graças a Deus. Tenho a sorte de ter muitas pessoas boas à minha volta, as coisas acontecem quando têm que acontecer. Estamos já com projetos para novas saídas, para mais longe ainda que a França levando o nosso fado novamente além fronteiras, quase todos os dias canto no Algarve e quando me permitem dou uma fugidinha como fiz agora, a próxima fugidinha ainda será longe e espero representar o nosso povo e a nossa nação da melhor forma.

 

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