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Rui Costa, que venceu três etapas na Volta em França em 2013 e 2011, terminou a Volta a França 2021 no 77° lugar, mas sobretudo ajudou o líder da equipa UAE-Team Emirates, Tadej Pogačar, a vencer o Tour.

Em entrevista, o português de 34 anos, que participou pela 10ª vez, mostrou-se feliz por esta nova experiência, ele que nem estava previsto para o Tour, tendo sido chamado à última hora.

 

O que podemos dizer desta experiência, deste triunfo com a UAE e com o Pogačar?

É uma experiência incrível. Foi o momento mais interessante desta última etapa, poder gozar, desfrutar deste momento, porque até agora não podíamos, tínhamos de apoiar o Pogačar. Um líder, um corredor incrível que nos dava a segurança de poder fazer um bom lugar, até mesmo de ganhar. Tivemos a sorte que isso aconteça. Este dia em Paris foi para gozar, para aproveitar. É algo inesquecível. Eu já ganhei muitas corridas, mas poder estar hoje ao lado de um Campeão como o Tadej Pogačar, é mesmo inesquecível!

 

Há um pouco de amarelo na camisola da UAE na última etapa, é um pouco da amarela que ganhou?

Foi um detalhe especial da equipa para nós, para todos aqueles que apoiaram o Tadej até ao final. Acho que poder levar um bocado do amarelo, também é um pouco nosso, e é algo muito gratificante.

 

Houve dúvidas ou não que o Tadej ia vencer este Tour?

Desde o início que o Tadej arrancou muito bem neste Tour de France. Claro que depois… o Tour tem a particularidade dos ritmos serem muito elevados e às vezes a falta de sorte provoca quedas e não se pode ter um final feliz, ao contrário do que estamos a viver hoje, um final feliz. Tivemos a sorte que os percalços que tivemos nunca foram com o Tadej. Isso faz com que, ao longo deste Tour de France, houve dias em que uns certos colegas ajudaram o Tadej, outros dias eram outros, havia alternância nesse aspeto. Depois também é verdade que a equipa não tinha uma equipa traçada para a primeira semana, com muitas etapas planas. A nossa equipa era uma equipa traçada para a média e a alta montanha. É certo que houve etapas em que faltou um ou outro colega em certos momentos, mas as pessoas não têm a noção, por exemplo os telespetadores, daquilo que é o Tour de France e o ritmo. Claro que há dias em que uns sentem-se melhor do que em outros dias. Em geral acho que estivemos todos bem. A equipa esteve fantástica e estamos todos de parabéns.

 

Como se sentiu durante este Tour?

Senti-me bem. A primeira semana foi uma semana muito desgastante, onde fui um dos atletas que mais tive de estar ao lado do Tadej para o apoiar e que não ficasse numa situação menos boa. E depois, na segunda semana, fizemos – e fiz – uma semana espetacular. Na última semana tive alguns problemas de estômago e não me encontrei muito bem nas primeiras etapas de montanha. Mas o ciclismo é mesmo assim, nem sempre estamos bem ou como queremos. O importante é que todo o grupo esteve envolvido nesta vitória e isso é o que conta.

 

Havia uma grande cumplicidade entre o Tadej e o Rui…

A ideia de me trazerem ao Tour foi pela minha condição física, por aquilo que eu já vivi, pela minha experiência e passar um pouco da minha experiência ao Tadej, principalmente nas primeiras etapas com a saída da Bretanha, onde a experiência foi importante. Houve momentos que eram mais táticos, em que se tinha de ler a corrida, e eu ajudei nesses aspetos.

 

Este triunfo atenuou a não convocatória para os JO2020 em Tóquio?

Fechou-se uma porta, abriu-se uma janela. Tive a oportunidade de cá estar no Tour, de mostrar e ajudar a equipa. É algo que para mim acaba por ser prestigiante, porque eu nunca tinha vivido isto. O facto de não ir aos Jogos, fez com que eu possa estar no Tour, ajudar o Tadej e vencer o Tour de France.

 

O que pode deixar com mensagem ao público português?

Quero agradecer imensamente a todos os Portugueses, que foram fantásticos desde o início do Tour até ao final. Sempre muitas bandeiras, muito apoio na berma das estradas. Eu, por mim, daria um bidão ou um abraço a todos eles. Daqui quero agradecer imenso aquilo que me apoiaram.

 

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