Salão em Paris aproxima investidores da diáspora das oportunidades em Cabo Verde

Empresas


A primeira edição do Cabo Verde Business Connect decorre este fim de semana em Paris, uma iniciativa que nasceu da dificuldade de uma empresária franco-cabo-verdiana em investir em Cabo Verde.

“Eu sou empresária em França e em 2014 fui a Cabo Verde como investidora e deparei-me com várias dificuldades, sobretudo como obter informação em tempo real. Foi um desafio, porque é difícil saber onde ir para ter a informação correta. Então pensei, se eu tenho este problema, outras pessoas também teriam e decidi apostar neste salão”, afirmou Dina Mendes, organizadora do Cabo Verde Business Connect, em declarações à Lusa.

Assim, e como a ajuda de Eunice Mascarenhas, Presidente da Associação de Mulheres Empresárias em Cabo Verde, Dina Mendes, que chegou a França com 13 anos e tem hoje uma empresa que agrega viagens e consultoria, lançou mãos à obra e juntou no Espaço Charenton, no 12º bairro de Paris, 80 empresas cabo-verdianas, mas também da diáspora deste arquipélago, de forma a criar uma rede de empresários que permitam facilitar as pontes com Cabo Verde.

Esta foi uma iniciativa apoiada pelo Governo de Cabo Verde, numa altura em que as remessas dos emigrantes em Cabo Verde já atingem, segundo os números de 2022, 340 milhões de euros, e que o investimento global da diáspora representa 34% do PIB do país. Estes são números que guiam a missão de Jorge Santos, Ministro das Comunidades. “Apoiámos esta iniciativa para que tivesse o sucesso que está a ter e não só com a diáspora, mas com empresários franceses. Através da diáspora estamos a conseguir promover o investimento em Cabo Verde. A diáspora é um recurso endógeno para acrescentar valor e para o desenvolvimento do país. Não é possível desenvolver o nosso país sem diáspora”, declarou o governante que veio abrir oficialmente este salão.

Nas primeiras horas de abertura, esta mostra na capital francesa, seduziu centenas de pessoas, com Dina Mendes a apontar para uma participação entre 3.000 a 5.000 pessoas nos dois dias. Durante esta mostra várias conferências vão explicar como investir em Cabo Verde, as vantagens da diáspora e quais as oportunidade no país.

Representadas neste evento estão empresas como a Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), os Correios de Cabo Verde, a Unitel T+, mas também a Bolsa de Valores de Cabo Verde, que vem promover as vantagens de investimento no país.

“Criámos um número de instrumentos que estamos aqui a partilhar com os empresários, em primeiro lugar o estatuto do investidor emigrante e o guia do investidor que resumem o conjunto de benefícios fiscais e de facilidades para quem queira investir. Estamos a criar um conjunto de produtos financeiros para financiar os projetos e ideias de negócios dos potenciais investidores. Trouxemos ainda a Bolsa de Valores, onde, por lei, já isentámos a diáspora do pagamento de impostos sobre os títulos e investimentos”, indicou o Ministro.

Uma das principais motivações da criação deste salão é ter uma rede funcional de empresários da diáspora e empresários de Cabo Verde, de forma a investir no país para que haja um retorno e se crie riqueza no arquipélago.

“O Governo apoiou-nos, mas há certas coisas que temos de ser nós a fazer. Se nós conseguirmos criar uma rede de empresários da diáspora, sabemos que a união faz a força, e aí podemos também apresentar mais projetos às autoridades cabo-verdianas, de forma a mostrar que estamos presentes”, explicou Dina Mendes.

Após esta primeira edição, a organização quer agora alargar este tipo de encontros a outros países e outros continentes, com participantes a terem vindo de Portugal, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Estados Unidos.

Donativos LusoJornal