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O Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, esteve ontem em Paris onde presidiu, com o Embaixador Jorge Torres Pereira, a uma reunião da Federação Europeia de Câmaras de Comércio e Indústria Portuguesas que inclui países como França, Luxemburgo, Bélgica, Inglaterra ou Alemanha.

A Federação foi “fortemente impulsionada” pela Câmara de comércio e indústria franco-portuguesa (CCIFP), que assume a presidência, representada por Carlos Vinhas Pereira.

Na reunião participou também o Delegado da AICEP em Paris, Eduardo Henriques, e Eurico Brilhante Dias respondeu às perguntas do LusoJornal.

 

Tem estado em várias atividades de extensão da Câmara de comércio franco-portuguesa e agora está no lançamento desta Federação europeia de Câmaras de comércio. Qual a sua estratégia de organização do movimento empresarial português no estrangeiro?

É uma estratégia de envolvimento de uma enorme rede de investidores, de empresários, de comerciantes, de gente que faz da sua vida a atividade económica, que está espalhada pelo mundo, que tem condições e capacidade de – agregando-se, tornando as suas Câmaras de comércio, as suas associações empresariais, as suas associações comerciais – se transformarem num ativo para que o país possa, ele próprio, ser um país também mais rico, que proporcione oportunidades a esses empresários e que ligue o território nacional a essa dimensão global que tem a diáspora portuguesa e que, ao mesmo tempo, os use – de uma forma muito positiva entenda-se – para ter melhor informação sobre os mercados, para ficar mais próximo dos canais de distribuição locais onde esses empresários estão e residem e têm atividade profissional, para conhecer também potenciais investidores estrangeiros que podem não ser da nossa Comunidade, mas estando nesses países, podem olhar para Portugal de uma forma diferente.

 

No fundo trata-se de reforçar a rede…

A nossa estratégia é construir cada vez mais uma rede de redes. Nós temos evidentemente um conjunto de associações de natureza muito diferente em França, são associações que têm dimensões recreativas, culturais, desportivas, mas também há associações empresariais. O que nós queremos é trabalhar esta rede para a tornarmos vigorosa, para que seja um ativo importante que permita fazer melhor diplomacia económica, levar mais investimento para Portugal, vender mais e melhor os produtos portugueses no estrangeiro, ao mesmo tempo que providenciamos uma janela aos empresários portugueses espalhados pelo mundo para olharem para as oportunidades de negócio que têm em Portugal. Todos nós sabemos que por todo o território nacional há muitos investimentos com origem na diáspora, no pequeno comércio, no imobiliário, mas também nos investimentos de natureza industrial. Aliás nós temos investimento em Portugal com origem em França e na diáspora, que têm tido ótimos resultados, como é o caso dos setores das ambulâncias e dos mármores, com empresários com origem em Portugal, mas com a sua vida económica aqui em França.

 

É possível medir o impacto do investimento da diáspora em Portugal?

Não só é possível, como é necessário fazê-lo. No ano passado, nós angariámos 35 novos investimentos para Portugal a partir da rede da AICEP. Dos 35, três dos maiores investimentos eram diretamente a partir da interconexão entre a AICEP e as Comunidades. Tivemos um investimento no Algarve a partir de um investidor alemão, mas com ligações a Portugal e com a família portuguesa, e tivemos os dois casos que já sublinhei aqui de França. Mas sabemos que, espalhados pelo território nacional, temos todos os anos pequenos, médios e grandes investimentos, com origem na diáspora. É tornar vigorosa essa rede, ter uma rede das redes ativa de representação do país, de aproximação do país aos mercados externos… é a nossa estratégia.

 

Voltando à ideia de medir esse investimento, está em curso algum processo de medição desse impacto da diáspora?

Nós procuramos, em cada investimento captado para Portugal, saber se tem origem na diáspora. Isso é o que o meu Gabinete acompanha. Dos 35 maiores investimentos em Portugal, três têm essa marca da diáspora. Nós queremos valorizar o investidor da diáspora porque ele é um grande ativo para o país, é alguém que partiu do país para procurar uma vida melhor, mas que nunca esqueceu o seu território, a sua terra de origem. É um investimento do coração, mas também tem de ser um investimento racional. Nós continuamos apostados nesta estratégia entre internacionalização da economia portuguesa e Comunidades. Estimulamos este casamento virtuoso. O caso de França é muito particular, não só pela quantidade, mas também pela qualidade em geral, muitos já são lusodescendentes que nasceram cá, mas que apostam em Portugal, ajudando aqueles que lá estão a terem novos postos de trabalho.

 

O modelo da Câmara de comércio franco-portuguesa, com delegações regionais, pode servir de exemplo para outros países?

As Câmaras de comércio valem muito pela sua proximidade ao território, aos locais. Eu e a minha colega Secretária de Estado das Comunidades estamos a partilhar essa expansão. Eu estive em Bordeaux e agora em Nantes, e a Dra. Berta Nunes esteve em Toulouse e vai estar em Lille muito proximamente e continuaremos em 2022. A ideia de estar mais próximo é de encontrar empresários que queiram fazer este caminho connosco. Gostávamos de fazer isto noutros territórios, como é o caso da Alemanha, onde pensamos que vai ser possível retomar a ideia de expansão da Câmara de comércio luso-alemã para um contexto mais regional. E depois queremos ter uma cúpula federativa, e é isto que estamos a fazer aqui. Já temos uma Federação no Brasil com 18 Câmaras de comércio, na Europa esta lógica de Federação é uma ideia nova, muito apadrinhada pela Câmara franco-portuguesa, mas que implicou outras para que se possa não só partilhar ideias, mas também terem mais representatividade. Nós precisamos evidentemente de Câmaras mais robustas.

 

Li na nota de imprensa que querem ter um estatuto de associação europeia de utilidade pública…

Isto faz parte de um trajeto que nós estamos a fazer. Temos uma estratégia de reforço das Câmaras de comércio portuguesas no estrangeiro e o primeiro passo foi o estatuto de utilidade pública em Portugal. Agora temos uma Federação na Europa e a seguir queremos criar um quadro de boas práticas das Câmaras de comércio que permita que todas as Câmaras de comércio possam estabelecer o seu caminho de melhoria e o seu caminho de robustecimento. Então, o passo seguinte será, estando nós no espaço económico europeu, a Federação Europeia poder requerer esse estatuto junto das autoridades da União Europeia. É este projeto que nós vamos acompanhar.

 

E quais são as vantagens?

Isso permite-nos ter acesso a mercados terceiros, ter também o chapéu europeu, abrir portas para o Japão, a China ou a Índia. Passo a passo, é um caminho que nós temos vindo a fazer, pensado na valorização da rede dos Portugueses no exterior. O senhor Presidente da República costuma dizer que Portugal está onde estão portugueses e Portugal tem essa riqueza, nós somos um país pequeno – à dimensão da França entenda-se – mas somos um país que depois tem essa dimensão global e pluricontinental pelo facto de termos Portugueses espalhados pelo mundo. Esses Portugueses são um ativo muito precioso no país, que deve ser valorizado pelo esforço, dedicação, proximidade, mas também pela enorme utilidade que tem para Portugal.

 

Eurico Brilhante Dias continua em França, estando esta quarta-feira em Nantes onde vai marcar presença na cerimónia de inauguração da Delegação do Grand Ouest da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP), tendo ainda encontros com empresas e a Comunidade de empresários de origem portuguesa na cidade.

 

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