Lusa | António Cotrim

Tiago Rodrigues venceu prémio de melhor peça de teatro estrangeira em França

Cultura


A peça de teatro de Tiago Rodrigues “Catarina e a beleza de matar fascistas”, acaba de ganhar, na segunda-feira à noite, em Paris, o Prémio Syndicat de la Critique de Melhor espetáculo de teatro estrangeiro em França. A peça foi escrita e encenada pelo encenador português que agora dirige o Festival de Teatro de Avignon.

Nas redes sociais, Tiago Rodrigues escreveu: “Sinto-me honrado por receber este prémio e lamento não poder estar em Paris para o receber, porque tenho de ficar com as equipas a preparar a próxima edição do Festival d’Avignon”.

O dramaturgo agradeceu não só ao júri da premiação e ao Sindicato Crítico Profissional, mas também ao Teatro Nacional D. Maria II e à sua equipa, que produziu este espetáculo, agora transmitido pelo Festival d’Avignon.

A peça “Catarina e a beleza de matar fascistas”, que no final deste mês encerra a Bienal de Teatro de Veneza, teve estreia em setembro de 2020, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e está atualmente em digressão pela Europa.

A história centra-se numa família que tem por tradição matar fascistas, ritual que a mais nova de todos, Catarina, se recusa a cumprir. Catarina argumenta que todas as vidas devem ser defendidas, sendo necessário falar e entender aqueles que acabam por votar na extrema-direita, não sendo fascistas.

O espetáculo culmina com um longo monólogo do dirigente de extrema-direita, que entretanto alcança maioria absoluta e conquista o poder.

A peça já venceu em 2022 o Prémio Ubu de melhor espetáculo estrangeiro de teatro em Itália. Mas em Roma, a sua estreia foi acompanhada de protestos de forças de extrema-direita, com um Deputado do partido Irmãos de Itália (Fratelli d’Italia, agora no Governo), Federico Mollicone, a pedir que o espetáculo fosse retirado do cartaz.

“O discurso é tão insuportável, tão provocatório que o público não pode senão reagir”, explicou Tiago Rodrigues, recordando reações diversas, em diferentes palcos: “Em Portugal, têm cantado a ‘Grândola’, em Itália, a ‘Bella Ciao’, em Viena, o público levantou-se. Ver esses públicos reagir é algo que me devolve confiança, mas ao mesmo tempo preocupa-me que o público tão facilmente se revolte contra um ator”.

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