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Quinze anos depois de ter sido quinto classificado na geral final do Tour, o agora ‘team manager’ da Katusha Alpecin recorda com “orgulho” o seu resultado, admitindo, contudo, que “gostava que alguém conseguisse igualar ou fazer melhor”.

“Não sou aquele indivíduo que diz que o gostava de manter como se fosse um recorde. Não, porque o facto de alguém conseguir fazer melhor não vai mudar o meu resultado. Não é nada comigo. Foi algo que fiz de que me orgulho pessoalmente, mas que é uma coisa minha. Para o ciclismo, e para o desporto português, se alguém conseguisse igualar ou superar, eu ficava satisfeito”, garantiu em entrevista à Lusa, em Bruxelas.

Houve uma altura em que José Azevedo acreditava que o Campeão mundial de fundo de 2013, Rui Costa (UAE-Emirates), poderia vir a alcançar “um resultado nos primeiros” numa grande Volta, “fosse o Tour, o Giro ou a Vuelta”. “Acho que o Rui ainda tentou uns anos, não conseguiu, depois centrou-se mais em etapas ou corridas de uma semana, corridas de um dia, que são realmente a sua especialidade. Dos corredores que há atualmente no pelotão, muito sinceramente, não existe nenhum com as características de uma corrida de três semanas. Há corredores jovens que parecem ter potencial, mas, lá está, são jovens, há muito a demonstrar, há um caminho longo a percorrer para se chegar aí”, analisou.

O antigo ciclista, de 45 anos, escusou-se a nomear quem são esses “jovens de grande qualidade” de que fala, por ser “difícil estar a apontar nomes”, e por não querer estar a criar “uma pressão enorme sobre ele”, mas apontou o caminho para que o talento destes venha a ser bem trabalhado. “Logicamente, se o ciclismo em Portugal evoluir, se o nível competitivo melhorar, se a qualidade das provas e do pelotão for superior, isso é que traz a evolução. Competir a um nível mais baixo não traz evolução. Digo sempre que se quisermos evoluir temos de competir com os melhores. Mesmo que inicialmente sejamos dos últimos, isso é que nos vai fazer melhorar, até porque isso obriga a que o trabalho que é feito durante a semana tenha um grande de exigência superior, porque nós treinamos para a competição. Quando sabemos que o grau de exigência é aquele, não precisamos de fazer mais”, concedeu.

Diretor desportivo há quase uma década – começou em 2010 na RadioShack -, Azevedo considera que, a nível interno, o ciclismo português “recuperou uma dimensão que tinha anteriormente”, mas falta-lhe o contacto internacional.

“Faltam provas em Portugal onde as equipas World Tour estejam presentes. Só temos a Volta ao Algarve. Precisamos de mais provas ao longo do ano ou então que as equipas saiam e tenham um calendário internacional com mais dias”, reforçou.

Pela sua parte, o ‘manager’ da Katusha Alpecin tem dado uma ajuda, ao funcionar como ‘olheiro’ das diferentes equipas por onde passou no pelotão nacional, sendo parcialmente responsável pela contratação de nomes como Tiago Machado, Nelson Oliveira, José Gonçalves ou Ruben Guerreiro. “Desde que comecei como Diretor, em 2010, as pessoas responsáveis pelas equipas sempre me deram liberdade para poder dar os meus conselhos. Não era escolher, mas dar os meus conselhos sobre quem eram os corredores em Portugal que tinham potencial. Isso permitiu que alguns começassem a ter oportunidades. Agora, como manager, tenho a possibilidade de poder contratar. Logicamente não posso trazer 10 portugueses, não é possível”, assumiu.

Em declarações à Lusa, Azevedo congratulou-se por ter conseguido, com a sua valorização dos talentos nacionais, que outras equipas estejam atentas ao ciclismo português.

“A mim satisfaz-me ver quantos corredores já existem no World Tour. Lembro-me quando corria e, por exemplo, estava à partida de uma Volta a França e via as nacionalidades dos participantes e Portugal tinha um. Isso deixava-me triste, não me deixava orgulhoso. Agora ver que existem mais deixa-me contente”, confessou.

E, neste Tour, Azevedo tem motivos para o estar já que, além do ‘seu’ José Gonçalves, a 106.ª edição, que parte no sábado de Bruxelas e termina em 28 de julho em Paris, contará ainda com a presença de Rui Costa e Nelson Oliveira (Movistar).

José Azevedo foi quinto classificado na edição 2004 do Tour, como companheiro de equipa, na US Postal, do norte-americano Lance Armstrong, que viu a vitória ser-lhe retirada posteriormente devido a doping.

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