Universidade Jean Monnet de Saint Etienne promove os Vinhos do Douro

Ensino

 

 

No quadro das Comemorações dos 15 anos do Protocolo entre a Université Jean Monnet (UJM) de Saint Etienne e o Instituto Camões, o Leitorado de Português nesta universidade e o Grupo de estudos portugueses dirigido por Rosa Maria Fréjaville, em conjunto com o Portugal Business Club de Lyon, o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa (ILCP) de Lyon e o Consulado Geral de Portugal em Lyon, organizam um almoço na próxima sexta-feira, dia 11 de março, para promover o Património Cultural Imaterial da Humanidade, neste caso, o Alto Douro Vinhateiro e a economia portuguesa.

O Alto Douro Vinhateiro produz vinho há 2000 anos. Desde o século XVIII, a sua produção, especialmente o Vinho do Porto, tornou-se famosa pela sua qualidade. Esta longa tradição de viticultura transformou a paisagem de uma beleza extraordinária que reflete ao mesmo tempo uma evolução tecnológica, social e económica.

O evento terá lugar na Péniche le Bellona, atracada no quai Perrache, em Lyon 2 e, antes do almoço, estão previstas as intervenções do investigador João Duarte e do enólogo Vasco Valente Lopes.

João Duarte é investigador na Universidade de Santiago de Compostela e na Universidade do Porto, especialista das paisagens do Alto Douro.

Natural de Peso da Régua, Vasco Valente Lopes estudou enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real e fez um estágio na Austrália. Trabalha atualmente com quatro vinhos DOP do Douro: Pedro Milanos, Fora da Lei, Salta Piscos e Defial Penedo. Todos eles são vinhos de microprodutores, o que lhe permite acompanhar todo o processo de muito perto, da vinha até à garrafa. A sua filosofia, como enólogo, é de intervenção mínima na adega, de modo a respeitar o Terroir e a autenticidade da matéria-prima, para que a mesma reflita as especificidades de cada ano no produto final. É um apaixonado pelo Douro, e pela forma como os Romanos viram no Douro, há dois mil anos, o potencial para produzir vinhos de qualidade nesta região.

Em Lyon, Vasco Valente Lopes vai apresentar e dar a provar os vinhos Pedro Milanos, produzido pela Quinta Senhora da Graça, situada em pleno Alto Douro Vinhateiro, a cerca de 3km da cidade do Peso da Régua, com vinhas que se estendem por cerca de 3 hectares que, virados a su-sudoeste, proporcionam uma vista encantadora sobre o Rio Douro e condições excelentes para cultivar e colher uvas de castas selecionadas como a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Malvasia Fina, Viosinho, Arinto e Códega, que dão origem aos vinhos Pedro Milanos.

A Quinta está na família há 4 gerações. José Manuel Lopes herdou-a nos anos 90. Largou o emprego que tinha e dedicou-se a tempo inteiro ao cultivo da terra. Daqui nasceu a vontade e o sonho. Pedro Milanos foi o anagrama usado por Armindo Lopes, seu pai, avô do enólogo Vasco Valente Lopes e sogro da produtora Luísa Valente, para assinar os poemas de amor que dedicou ao Douro, e é desde 2003 o nome dos vinhos. Este é um projeto familiar que junta o vinho ao enoturismo e tenta viver em simbiose com a natureza de forma a produzir vinhos autênticos que privilegiam e respeitam a identidade e o terroir da propriedade.

Além da produção de vinhos, a Quinta Senhora da Graça tem um leque de serviços para oferecer aos visitantes: quartos para alugar, piscina, atividades vitivinícolas para quem quiser conhecer os métodos de cultivo e vinificação, refeições para grupos com a melhor gastronomia regional acompanhadas com os vinhos da Quinta, provas acompanhadas pelo enólogo e organização de caminhadas para que de uma maneira saudável conheça o Douro e todo o potencial da sua paisagem.

 

O Alto Douro Vinhateiro como valor universal

O rio Douro e os seus afluentes, o Varosa, o Corgo, o Távora e o Pinhão, constituem a estrutura desta paisagem de montanha protegida dos ventos violentos do Atlântico pelas serras do Marão e de Montemuro. Esta paisagem foi transformada pelos vinhedos em socalcos íngremes que cobrem cerca de 24 600 ha. O vinho é produzido há 2000 anos por pequenos produtores que trabalham de forma tradicional na região do Alto Douro Vinhateiro. Um vinho universalmente apreciado, o Vinho do Porto, que possui uma qualidade definida e regulamentada desde 1756.

Ao longo dos séculos, foram-se acrescentando terraços, um após o outro, construídos com técnicas diferentes. Os mais antigos, os socalcos, estreitos e irregulares, utilizados antes da filoxera (1860), são suportados por paredes de pedra de xisto nas quais apenas uma ou duas filas de videiras podiam ser plantadas e que precisavam de manutenção contínua.

As longas linhas de terraços regulares datam do final do século XIX e início do século XX, quando as vinhas do Douro foram reconstruídas após o ataque da filoxera. Os novos terraços mudaram a paisagem, não só devido aos grandes muros que foram construídos, mas também porque eram mais largos e ligeiramente inclinados para proporcionar mais luz solar.

 

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