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A edição de setembro do salão Maison & Objet Paris – a maior feira mundial de decoração e mobiliário – teve lugar na semana passada no Parque de Exposições de Villepinte, a norte de Paris, e contou com a presença de 66 empresas portuguesas.

A Maison & Objet que abrange diversos ramos da fileira casa: mobiliário, têxtil, bem-estar, mesa, iluminação, artigos decorativos e projetos, realiza-se desde 1995, e é um dos salões internacionais com mais notoriedade a nível mundial, contando com cerca de 3 mil expositores (dos quais 60% de estrangeiros) e mais de 70 mil visitantes únicos (65% estrangeiros) numa superfície de 130.000 m2 de exposição.

O Secretário de Estado da Economia, João Neves, visitou o certame na companhia do Embaixador de Portugal em França, Jorge Torres Pereira, e de Rui Almas, o Diretor da AICEP em Paris.

“É um setor que tem estado sempre a crescer, tem crescido uma média de 13% ao ano” explica ao LusoJornal Miguel Pereira da Associação portuguesa das indústrias do mobiliário e afins (APIMA). “Sofre algumas oscilações, mas é um setor que tem crescido bastante sobretudo graças à oferta portuguesa que tem sido diferenciada e tem sido reconhecida pelo mercado internacional, o que faz com que, apesar de haver algumas flutuações no mercado do mobiliário, não se tem sentido muito em Portugal, principalmente pelas empresas que estão a trabalhar com o mercado externo”.

A APIMA, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal/Selectiva Moda (ATP) e a Associação dos Industriais Portugueses de Iluminação (AIPI) apoiaram a presença da maioria das empresas portuguesas expositoras.

“Foi interessante como alguns aspetos da aprendizagem das empresas portuguesas pequenas ou mesmo micro, para se tornarem com mais audácia e coragem para serem exportadoras, teve a ver também com a passagem aqui pela feira” lembrou o Embaixador Jorge Torres Pereira depois de um almoço com a Direção da feira.

“Nós evoluímos muito em vários segmentos desta área, tanto na parte dos objetos, dos utensílios de uso doméstico, como na componente mobiliária” disse ao LusoJornal o Secretário de Estado João Neves. “Demos um imenso salto de qualidade, mas temos tudo para fazer. Não é pela dimensão do nosso país que não podemos organizar, quer do ponto de vista de produção, quer de uma maior proximidade em relação aos canais de distribuição, uma quantidade de produtos e serviços associada a esta dimensão ‘Casa’ mais expressiva”.

A ambição do Governo já tinha sido anunciada recentemente pelo Primeiro Ministro António Costa em Paris e foi agora confirmada pelo Secretário de Estado João Neves. “Nós temos a ambição que o peso das exportações atinjam cerca de 50% do PIB” afirma o Secretário de Estado da Economia. “Estamos com 43% atualmente e queremos dar um novo salto na presença das nossas empresas no mercado externo, aproximando-nos desta barreira mítica dos 50% do PIB, transformando a economia portuguesa numa economia muito aberta. Isso tem enormes vantagens que nós devemos explorar”.

A presença portuguesa neste salão ao longo dos últimos anos posiciona Portugal no grupo dos principais países representados na feira, no que diz respeito ao número de expositores, conjuntamente com a Itália, Holanda, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Espanha.

“Estas empresas começaram por ser subcontratantes de outras marcas de mobiliário, até de outros países, e deram o salto para serem autónomas, para terem uma política de exportação e encontrarem novos mercados” diz o Embaixador Jorge Torres Pereira. “Eu fiquei convencido que a passagem e a experiência da Maison & Objet foi importante e é por isso que nós continuamos a ter uma frequência muito significativa de empresas e marcas portuguesas que estão aqui”.

Miguel Pereira da APIMA confirma que “o mercado que ainda é líder é o mercado francês. Os novos mercados são aqueles que estão a ser captados pela criatividade aliada ao saber-fazer, e assim temos mercados distintos como o mercado asiático, o americano, o russo, o árabe, ou seja, estamos quase nos quatro cantos do mundo” e acrescenta ao LusoJornal que “a nível de volume ainda é muito o mercado francês, pela tradição e o mercado espanhol pela proximidade”.

“O mercado francês é muito relevante, mas esta é uma feira global, uma das maiores feiras à escala global, por isso as empresas fazem aqui contactos de todo o mundo” garante João Neves. “Isso é muito interessante porque, dada a sua dimensão, as nossas empresas teriam dificuldade de ir à China, à Colômbia, ao Dubai, porque temos estruturas empresariais relativamente pequenas. A presença em feiras como esta permite-nos fazer estes contactos o que faz com que esta feira seja uma feira muito importante para Portugal”.

“E é por isso que eu estou aqui” conclui.

A Maison & Objet tem lugar duas vezes por ano. Em setembro para um mercado mais francês (mesmo se também internacional) e destinado sobretudo ao pequeno lojista e ao decorador, em janeiro para um público mais internacional.

 

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