LusoJornal | Mário Cantarinha

Festa dos Santos Populares da Rádio Arc‑en‑Ciel levou milhares a Fleury-les-Aubrais

A 33ª edição da Festa dos Santos Populares da Rádio Arc‑en‑Ciel voltou a transformar Fleury‑les‑Aubrais (45) num dos maiores pontos de encontro da Comunidade portuguesa no Loiret, num festival franco‑português que cresce ano após ano graças à dedicação de uma equipa pequena, mas incansável. Durante dois dias, 20 e 21 de junho, o Parc de Lignenolles encheu‑se de música, bombos, gastronomia e um ambiente familiar que é já marca registada desta rádio portuguesa da região de Orléans.

Cristina Alves, Presidente da Rádio Arc‑en‑Ciel, descreveu ao LusoJornal o que se viveu no recinto: “Somos apenas oito pessoas, quatro ou cinco a organizar diretamente, mas funcionamos como uma família. Chamamos a isto a família da rádio. Temos um amor enorme por aquilo que fazemos”. A responsável sublinhou que, apesar do calor extremo que marcou o fim de semana, a equipa conseguiu garantir todas as condições de segurança para manter o festival em funcionamento.

A noite de sábado começou com apreensão: “Pensámos que a municipalidade vinha com um decreto para parar a música. Foi um susto enorme”. Mas o cenário mudou rapidamente. A autarquia trouxe “boas novidades” e autorizou a continuação da festa, desde que fossem reforçadas as medidas de segurança. “Temos água por todo o lado, pontos de sombra, mangueiras para quem precisar, um posto de socorro a circular e nós próprios andamos a verificar se havia alguém com dificuldades”, explicou Cristina Alves.

O calor obrigou a adaptações: o público manteve‑se sobretudo nas zonas sombreadas, longe do palco, algo que poderá surpreender quem vir apenas as fotografias. “É importante explicar isso. As pessoas estavam à sombra, e nós não pedimos que viessem para a frente do palco. Primeiro está a saúde, depois a festa”.

Quatro grupos de bombos deram mais vida ao evento durante os dois dias de festa: Os Amarantinos, os Soleil du Portugal de Meung-sur-Loire, os Amigos de Portugal de Fleury e Os Zés Pereiras de Patay.

A programação musical refletiu a diversidade cultural que a rádio promove: o grupo Kapa Negra, habitualmente programado por ser “o grupo da casa”, o jovem DJ ADN, uma cantora francesa, Yavanna, que reforçou o caráter franco‑português do evento, e artistas muito apreciados pela Comunidade, como Salomé, Samuel Levoisin, O Violeiro & Certinho, Miro Freitas e, já ao final do dia, a aguardada atuação de Romana. “Somos um festival franco‑português, e isso também é importante”, destacou a Presidente.

Cristina Alves fez questão de sublinhar o papel essencial da municipalidade de Fleury‑les‑Aubrais, através da Maire Carole Canette: “É uma senhora que nunca nos disse não, quando é possível ajudar. Pôs à disposição toda a equipa técnica, o parque limpo, reforçou pontos de água, enviou mangueiras quando pedimos. Trabalhamos mão na mão”. A autarca, recentemente reeleita, afirmou sentir orgulho por acolher “o maior festival português dos descendentes na região do Loiret”.

A sustentabilidade da Rádio Arc‑en‑Ciel foi outro tema central da conversa. Cristina Alves apelou ao apoio da Comunidade: “A rádio não me pertence a mim, nem a nenhum de nós. A rádio pertence à Comunidade portuguesa. Se não lhe dermos o valor que merece, um dia pode ir abaixo”. Ser sócio custa apenas 20 euros por ano, mas cada contribuição “ajuda a pagar as faturas”. Além disso, parcerias logísticas – como o empréstimo de material, camiões ou geradores – fazem uma diferença enorme para uma associação que organiza um festival desta dimensão com meios limitados.

A Presidente agradeceu também o reconhecimento da Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP), que atribuiu subsídio ao festival, e reforçou que o apoio dos ouvintes é vital: “Que estejam sintonizados no site internet ou na banda FM, que venham aos nossos eventos durante o ano, que nos ajudem em todo o sentido”.

A 33ª edição da Festa dos Santos Populares da Rádio Arc‑en‑Ciel confirmou, mais uma vez, que a força da Comunidade portuguesa no Loiret está na união, na resiliência e na capacidade de transformar um pequeno grupo de voluntários num dos maiores festivais lusófonos da região. Uma festa feita de música, sombra, água fresca, bombos, calor – e sobretudo, de um amor profundo pela cultura portuguesa.

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